18 de ago de 2018

Resenha: Amores ao sol


Amores ao sol
Lucão
Planeta, 2018

SINOPSE:

Logo no primeiro dia percorrendo o Caminho de Santiago, Luca esbarra com a tristeza de Rodrigo, um peregrino brasileiro que procura desesperadamente por Sol, um amor que nasceu e se perdeu durante a jornada.

Sem ter muito claro para si o motivo que o levou a Espanha, Luca mergulha no drama do conterrâneo e acaba por seperder ao viver um Caminho cheio de medos, dúvidas e encontros inesperados entre o passado e o presente.

Seria o amor o único caminho para se chegar a Santiago de Compostela?

Esse livro já me conquistou pela sinopse! Explico: tenho um interesse especial pelo Caminho de Santiago e suas histórias e quando vi que o cenário desse romance contemporâneo era o Caminho, não tive dúvidas e o coloquei no topo da minha lista de leitura.

Eu não conhecia o escritor, o Lucão e fui nas redes sociais saber um pouco mais dele e descobri um jovem poeta com publicações lindas e tocantes. Mais um motivo para eu iniciasse logo a leitura. 

Lucão explica que fez o Caminho de Santiago duas vezes, sendo que na primeira ele teve que interromper sua caminhada por conta de uma lesão. O livro nasceu das suas duas experiências pelo Caminho. O personagem principal é o Luca, um brasileiro que decide fazer 480 dos 800km do Caminho Francês meio sem saber o motivo. Chega na França dividido entre a empolgação do início da caminhada e a dúvida se fez uma boa escolha. Mas logo no primeiro dia ele conhece outro brasileiro, Rodrigo e sua história de um amor perdido durante a caminhada. Rodrigo agora está no Caminho para reencontrar Sol. 

E Luca começa sua caminhada, intrigado pela tristeza de Rodrigo e ansioso pelo o que está por vir. A história tem muitos encantos, mas nada se compara aos personagens que ele encontra pelo caminho. Peregrinos que conhece em uma parada, outros que o acompanham em um trecho e aqueles especiais que transformam a experiência de Luca durante a dura caminhada.

Nunca fiz o Caminho (quem sabe algum dia), mas a maneira como o autor retratou a solidariedade e companheirismo dos peregrinos e a atenção e carinho dos que trabalham nos albergues é justamente como eu imagino que seja. Em uma aventura como essa você se livra de orgulho e vaidade... você vive o presente de forma simples e aberta e se aproxima das pessoas.  Devem ser muitos os motivos que levam os peregrinos para o Caminho e as experiências são as mais diversas, mas acredito que todos chegam ao final transformados de alguma maneira. Luca segue pelo Caminho enfrentando dores e tentando descobrir qual era de verdade o caminho dele, qual seu real motivo para estar ali. Para chegar a resposta ele revisita dores e perdas de sua vida.

Cada capítulo é aberto com um pequeno verso. Coisas simples e tocantes assim:


"Numa vida bem vivida, cada segundo que passa é uma saudade que fica".

"Ame mais de uma vez ao dia. Ame como se o amor fosse um remédio para uma doença crônica. Ame como se você sentisse uma insuportável dor. E se preciso for, amor, amor, amor e amor".

"Tem beijo que parece acidente. Duas nuvens se chocam de frente".

"Às vezes, o nosso vazio só se preenche com um pouco mais de nós mesmos".

Eu já estive em Santiago de Compostela (cheguei lá de moto e não caminhando), mas presenciei a chegada de alguns peregrinos e é emocionante! Tem uma escultura próxima a central dos peregrinos que diz muito sobre quem se propõe a percorrer essas distãncias longas a pé. Ela se chama Pies de Peregrino e tem uma inscrição em cada uma das quatro faces com a seguinte frase:


"Camino recto, camino erguido, camino buscando un sentido. Camino porque tengo un objetivo, y no pararé hasta alcanzar mi destino".


Amores ao Sol é um livro lindo que eu indico! E indico também seguir o Lucão no instagram (@lucaoescritor) e conhecer sua poesia. Veja o que você encontra lá:


Extraído do instagram @lucaoescritor

No site da Editora Planeta você pode baixar um trecho de Amores ao Sol. É só clicar aqui.

17 de ago de 2018

25ª Bienal



O começo do segundo semestre foi bem agitado para os amantes de livros! Logo depois  da FLIP (você pode ler nosso post aqui), a Bienal do Livro já começou.

A cada dois anos a feira acontece em São Paulo, no Pavilhão de Exposições do Anhembi e, em 2018, ela começou no dia 3 de agosto e foi até o dia 12. Nos 10 dias de evento, mais de 660 mil pessoas foram visitar os lindos estandes, sentir o amor pela literatura e, claro, comprar livros!

Neste ano a programação oficial na Bienal estava muito agitada: debates, sessões de autógrafos, apresentações, encontros de leitores e muito mais em todos os dias. Além disso, as editoras também promoveram sessões de autógrafos muito animadas.



Realidade como inspiração
Eu assisti duas mesas no Salão de Ideias e ambas foram incríveis. A primeira, na terça-feira, chamada O feminismo e a literatura contou com a participação de Aryane Cararo, Duda Porto, Martha Batalha e Carola Saavedra. Já na quarta-feira, pude assistir Geovani Martins, Henrique Rodrigues e Carlos Eduardo Pereira falarem sobre Realidade como inspiração

Para mim, porém, existe algo melhor do que todas as atividades que ocorrem é lá: visitar todos os estandes, das editoras grandes às menores e outras diversas marcas que participam. Cada uma, a sua maneira e proporção, consegue levar algo diferente para a feira, mas igualmente especial.
Embora seja difícil, escolhemos os estandes que mais conquistaram o coração do público:
·      Companhia das Letrinhas: neste ano o Grupo Companhia das Letras fez um estande somente para o seu selo infantil e ficou sensacional!


·      Papel pólen: para quem não conhece, pólen é o papel dos sonhos para qualquer um que ame ler. O estande tinha vários cenários lindos para fotos, uma grande “rede de descanso” e uma parede de lambe-lambes.


·      Mauricio de Sousa Produções: como em outros anos, os criadores da Turma da Mônica montaram a fábrica de quadrinhos, no qual os leitores podem comprar um quadrinho personalizado com o seu personagem. É sempre divertido ver os livros serem impressos e montamos na hora!


·      Intrínseca: esse estande estava um verdadeiro cenário de fotos. Em um lado havia uma lousa para promover o livro O homem de giz; em outro um painel enorme do livro A sutil arte de ligar o f*da-se; e, por último, a grande atração: um maravilhoso túnel de livros que era a entrada do estande!



Outros estandes que montaram cenários para fotos também foram muito procurados pelos leitores, como foi o caso da Harper Collins que teve Newt e sua maleta de Animais Fantásticos e onde habitam.

Ai Bienal, você é sempre uma loucura, mas também transmite muito amor e alegria no coração. Até 2020!
Juliana

Nota da Ana Paula:
Acompanhei a Juliana e além do que ela já contou, tem um coisa que me deixou muito feliz na feira: a grande quantidade de crianças levadas por seus professores. Parabéns professores pela iniciativa! Não é nada fácil encarar um evento assim com crianças, em um local lotado. Quanto as crianças, eu não as vi só em um dia de passeio escolar e sim aproveitando o evento, entrando nos estandes e procurando livros que pudessem comprar (aqueles estandes de 5 e 10 reais fazem a festa da criançada kkk). Isso é muito legal. Chega até a nos dar um pouco mais de esperança no futuro! Ah se a maioria dos adultos tivessem a ideia do quão importante é incentivar a leitura desde pequeninos... Tudo seria tão diferente!

16 de ago de 2018

Flip 2018


Estivemos, pelo segundo ano seguido, prestigiando a FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty – e este ano a autora homenageada foi a incomparável Hilda Hilst. Você pode conferir o post do ano passando clicando aqui!

Infelizmente o passeio foi breve, pois só estivemos lá no sábado, mas a energia da feira é tão incrível que vale a pena senti-la mesmo que seja por poucas horas. A verdade é que Paraty é maravilhosa em qualquer época do ano e durante o evento fica ainda melhor: muita gente feliz, se divertindo e trocando experiências sempre com o amor pelo mundo literário como ponto em comum. 

 E se você tem vontade de participar da edição de 2019, separei três dicas muito boas para você aproveitar ao máximo:

1.            Programe-se: como tem muitos eventos acontecendo ao mesmo tempo, é legal montar uma programação com o que você quer mais assistir. Também é importante se informar se é necessário pegar senhas com antecedência.
2.            Alimentação: principalmente de final de semana os restaurantes ficam bem cheios, então aconselho levar alguns lanchinhos para enganar a fome no “horário de pico”. Ah, e levem água para ajudar na luta contra o calor de Paraty em pleno inverno!
3.            Mesas da programação oficial: os debates acontecem dentro da Igreja e, para assisti-los, é necessário comprar ingresso. Como eles esgotam bem rápido, é difícil conseguir. Entretanto, todas as mesas são transmitidas ao vivo no telão da praça! A qualidade do som e da filmagem é ótima e há muitas cadeiras para acomodar os espectadores.

A FLIP 2018 teve uma vasta programação paralela, além da oficial. Várias casas com decoração especial, mesas de debate e sessão de autógrafos... separei aqui os lugares que eu mais gostei – mas preciso dizer que vale a pena visitar todas!
Exposição da Língua Portuguesa: enquanto o nosso querido Museu da Língua Portuguesa ainda passa por reformas, eles montaram uma exposição dentro de um “trailer” sobre a história e as curiosidades da nossa língua.
Casa Hilda Hilst: a casa em homenagem a autora estava com uma decoração linda que contava sobre a Hilda.
Mesa com Geovani Martins, autor de O sol na cabeça, e Colson Whitehead, autor de Underground Railroad: cada autor leu um trecho do seu livro e eles transcorreram um debate muito rico sobre literatura, questões raciais e classes sociais. 

Agora preciso confessar uma coisa: escrever este texto já me deu saudades de lá, ansiosa pela edição de 2019 <3

Confira alguns registro que eu fiz por lá:















24 de jul de 2018

Resenha: Não chore, não

Não chore, não
Mary Kubica
2018, Planeta

SINOPSE:

No centro de Chicago, a jovem Esther Vaughan desaparece de seu apartamento sem deixar vestígios. Uma carta sombria dirigida a “Meu bem” é achada entre seus pertences, deixando sua colega de apartamento, Quinn Collins, se perguntando onde a amiga estaria e se ela era - ou não - a pessoa que Quinn achava que conhecia.

Enquanto isso, em uma pequena cidade de porto de Michigan, uma mulher misteriosa aparece no tranquilo café onde Alex Gallo trabalha lavando pratos. Ele é atraído imediatamente pelo seu charme e beleza, mas o que começa como uma paixão inofensiva rapidamente se transforma em algo mais sinistro...

Não chore, não é da mesma autora de A garota perfeita (leia sobre esse livro aqui), Mary Kubica e conta a história do desaparecimento de uma jovem em Chicago, Esther Vaughan e da pacata vida de Alex Gallo que se interessa por uma estranha que surge em sua cidade. 

A história é contada do ponto de vista da colega de quarto de Esther, Quinn alternando com a narração de Alex. Quinn acorda um dia e percebe que sua amiga não está no apartamento e que, aparentemente, ela saiu pela janela do quarto dela deixando-a aberta. A garota demora a tomar uma atitude e fica esperando Esther voltar, achando que existe alguma explicação para o comportamento anormal de sua colega. Confesso que essa postura de Quinn me incomodou muito... não é normal uma pessoa ficar tão tranquila com o desaparecimento de alguém. 

Alex Gallo é o único jovem de sua turma que não foi para faculdade, ficando em casa com o pai problemático. Ele trabalha como lavador de pratos em uma lanchonete e leva uma vida sem qualquer emoção, até que uma bela  jovem entra e se senta perto da janela, observando misteriosamente as casas do outro lado da calçada. Alex de imediato se interessa pela garota e passa a observa-la a distância e até a segui-la. 

Os capítulos do livro são curtos, mas o início do livro acaba sendo meio arrastado. Fica alternando entre Quinn não fazendo quase nada para encontrar Esther e Alex querendo saber mais da garota, mas também fazendo pouco para isso. Eu cheguei a me desmotivar no início, mas persisti e garanto que valeu muito a pena. A história toma um rumo totalmente inesperado e tenso. Se eu tivesse me deixado levar pelas primeiras impressões, teria perdido um desfecho intenso que fez valer toda a leitura. 

Não chore, não trata de temas difíceis como maldade, abandono e escolhas difíceis. 
Minha dica é: leia esse livro! Insista caso o início não pareça promissor... garanto que valerá a pena cada página virada!

A edição está muito bonita, com uma bela capa e com as páginas naquele tom amarelinho suave do jeitinho que a gente gosta e não cansa os olhos! 

18 de jul de 2018

Resenha: Nunca houve um castelo

Nunca houve um castelo
Martha Batalha
2018, Companhia das Letras

SINOPSE:
Rio de Janeiro, 1968. Estela, recém-casada, mancha com choro e rímel a fronha bordada de seu travesseiro. Uma semana antes ela estava na festa de Réveillon que marcaria de modo irremediável seu casamento. Estela sabia decorar uma casa, receber convidados e preparar banquetes, mas não estava preparada para o que aconteceu. 
Setenta anos antes, Johan Edward Jansson conhece Brigitta também em uma festa de Réveillon, em Estocolmo. Eles se casam, mudam-se para o Rio de Janeiro e constroem um castelo num lugar ermo e distante do centro, chamado Ipanema. 
Nunca houve um castelo explora como essas duas festas de Ano-Novo definem a trajetória dos Jansson ao longo de 110 anos. É uma saga familiar embebida em história, construída com doses de humor, ironia e sensibilidade. A riqueza e a complexidade dos múltiplos personagens criados por Batalha permitem tratar de temas que se entrelaçam e definiram a sociedade brasileira nas últimas décadas, como o sonho da ascensão social, os ideais femininos e feministas, a revolução sexual, a reação ao golpe militar, a divisão de classes, a deterioração do país. 
Um romance comovente sobre escolhas e arrependimentos, sobre a matéria granular da memória e as mudanças imperceptíveis e irremediáveis do tempo.

Em 2016, despretensiosamente, comprei o A vida invisível de Eurídice Gusmão por dois motivos: 1- eu acho a capa incrível e 2- estava com saudades de ler autoras nacionais. O resultado foi um dos livros que mais me surpreendeu e mais uma autora nas listas para admirar: Martha Batalha.
Pois bem que agora, no início de 2018, ela lançou seu segundo livro pela Companhia das Letras, Nunca houve um castelo. Claro que não descansei até comprá-lo e terminar a leitura.
Martha Batalha recriou e construiu a história dos descentes de Johan Jansson, um cônsul da Suécia no Brasil que construiu um castelo em Ipanema, em 1904.

“ – O que existe depois daquela igrejinha? – Perguntou Brigitta.
– Nada – disse Johan.
Nas muitos vezes em que se lembrou desse dia, Johan não soube dizer se foram as vozes ou a ausência delas que fizeram sua mulher dizer:
       Então é para lá que devemos ir.”

Começando por Johan e Brigitta e passando pelos filhos, netos, pais, noras e conhecidos, a autora conta a história de cada personagem que participa deste livro. Todos eles tem início, meio e fim, e isso é fantástico.
Todos que passam pelas páginas são igualmente importantes e reais, ou seja, eles erram, acertam, tem medos e certezas. O leitor se envolve muito com a família e é incrível ver como o tempo e os acontecimentos modificam tanto as pessoas, as relações e o próprio Rio de Janeiro.
Ela cobre quase um século da história de Ipanema, um dos bairros mais famosos do Rio de Janeiro, e também do Brasil, já que dá destaque para duas coisas muito importantes: a ditadura e o fortalecimento da mulher na sociedade.
Outra preocupação clara da autora é o contexto histórico do livro, é notável toda a pesquisa e vivencia que ela teve que passar para escrever com tanta propriedade.
Uma característica que eu já havia amado no primeiro dela, e só fortaleceu nesse é como ela retrata tão bem o universo feminino. Todas as personagens mulheres são fortes, bem construídas e cativantes, cada uma a sua maneira.

"Para que se casar? Gostava de ser muitas mulheres, desde que nenhuma fosse a mulher de alguém."

Além disso, Nunca houve um castelo traz doses de humor, de tensão, amor, traição, dúvidas, amizades... resumindo: é extremamente real. E, apesar de retratar um outro século, é muito atual (o que dá mais força para a crítica social que o livro apresenta)
Sabe aquele livro que você dá risada em uma página, quase chora três páginas depois, tem raiva de um personagem ou de uma situação no começo do capítulo e termina o mesmo torcendo por ele? É exatamente assim.
Obrigada por mais um romance completo, sensível e profundo, Martha <3

11 de jul de 2018

Resenha: Um de nós está mentindo


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UM DE NÓS ESTÁ MENTINDO
Karen M. McManus
2018, Galera Record

SINOPSE:
Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? O que realmente importa é até onde você iria para proteger os seus.

Esta resenha é a primeira coisa que estou fazendo após terminar de ler Um de nós está mentindo, da autora norte-americana Karen M. McManus. Estou fazendo isso porque fiquei tão encantada por essa obra que quero escrever enquanto a história está recente em minha cabeça.

Ao contrário da grande maioria dos livros que eu leio, esse não chegou até mim através de indicação de ninguém. Navegando pelo site da livraria, me encantei pela junção da capa, título e subtítulo e ele entrou na minha lista de desejos. Depois de ler as 384 páginas em 3 dias, posso dizer que ele fez jus às minhas expectativas.

Um de nós está mentindo é narrado pelos quatro personagens principais, que se alternam entre si e contam a história em tempo real, cada um do seu ponto de vista. São eles Bronwyn, a gênia; Addy, a bela; Nate, o criminoso; e Cooper, o atleta. Apesar de serem os estereótipos clichês da uma ensino médio norte-americano, todos os personagens me impressionaram muito conforme a história se desenvolve.

Os quatro protagonistas, que possuem pouca ligação entre si, vão parar na detenção com Simon, o criador do aplicativo de fofocas da escola que já arruinou a vida de muitos alunos. Porém, antes do final da detenção, Simon morre e as pessoas que estiverem com ele por último na sala são as principais suspeitas, já que todos tem ótimos motivos para terem cometido o assassinato.

Obviamente alguém sabe mais do que está contando e com certeza há muito segredos, armadilhas e mentiras por traz da morte de Simon, e a grande pergunta é: Você é capaz de ligar dos pontos e descobrir a verdade?

Quanto mais você se envolve com os personagens e torce para nenhum deles ser o culpado, mais fica impossível parar de ler um só minuto, até descobrir a verdade.

A autora amarrou muito bem cada detalhe da história, de modo que o leitor muda de suspeito a todo momento e, no final, mesmo que estivesse correto, acaba surpreendido de outra maneira. A escrita é muito envolvente e a construção dos personagens é gradativa, o que me agradou muito. No começo todos eles parecem muito superficiais, mas a história se desenrola e apresenta o melhor (e o pior) de cada um deles.

Além do mistério e da pressão que a polícia e os jornais estão colocando nos alunos, há também várias doses questões adolescentes (aqueles clichês que a gente ama num livro, né?): amor, dúvidas, traição, amizades improváveis, problemas familiares etc.

Como ponto negativo, apenas uma questão técnica: encontrei vários problemas de impressão como letras faltando, páginas meio tortas e outras muito carregadas de tinta... coisas que eu já tinha reparado em outros livros da editora Record.

Adorei o livro e indico muito!

30 de mai de 2018

Resenha: DOCE LAR

DOCE LAR
Tillie Cole
2018, Essência

SINOPSE:
os vinte anos, Molly Shakespeare acha que já sabe de tudo.
Ela leu Descartes e Kant.
Ela estudou em Oxford.
Ela sabe que as pessoas que te amam também te deixam.

Mas quando Molly se muda da cinzenta Inglaterra para começar uma nova vida nos Estados Unidos, ela descobre que ainda tem muito a aprender. No Alabama os verões são mais quentes, as pessoas mais intimidantes e os alunos de sua nova escola muito mais viciados em futebol.

Após conhecer o famoso quarterback Romeu Prince, Molly só consegue pensar em seus olhos castanhos, cabelos loiros, físico perfeito... e em como sua vida tranquila e solitária parece estar a ponto de mudar drasticamente.

Doce Lar o é primeiro livro da série Sweet da escritora Tillie Cole. Seu lançamento no Brasil foi muito esperado pelos fãs da escritora que já a conheciam por Mil beijos de garoto. Seu lançamento contou até com uma polêmica nas redes sociais: quando a Editora Planeta divulgou a capa do livro, os fãs protestaram e pediram a capa original, apesar da usada ter sido aprovada pela própria Tillie. Mas a editora atendeu aos fãs e trocou a capa! Nota 10 para a Planeta que ouviu seus leitores! Eu, particularmente, tinha gostado da capa inicial, mas vamos a história.

Doce Lar é um romance new adult e conta a história da inglesa Molly que após tragédias familiares, chega aos Estados Unidos para estudar para seu mestrado em filosofia e lá conhece Rome, o atleta famoso da universidade, lindo e explosivo... ai você vai pensar: seria um Maddox? Não, apesar de todas as características, Rome não veio de uma sofrida e carinhosa família como Maddox, pelo contrário, ele é o único herdeiro de uma magnata do petróleo e tem um péssimo relacionamento com seus pais. Mas as semelhanças com os irmãos Maddox me incomodaram um pouco. Sabe aquela história do moço lindo, popular e briguento que se apaixona por uma garota e larga a vida de garanhão por ela? É assim também em Doce Lar. 

Até o meio do livro eu não me empolguei muito, mas depois as coisas começam a complicar e uns dramas mais pesados enriquecem a historia, tornando-a mais densa. E nesse ponto também o romance entre os protagonistas se intensifica e as cenas entre eles passam a ser bem quentes... E bota quente nisso! Embora Romeo Prince seja totalmente apaixonado por Molly e a protege a qualquer custo, ele assume uma postura dominadora durante o sexo que ela aceita sem reservas e isso pode incomodar as leitoras. Molly vê tudo que vem de Romeo com um romantismo que chega a ser ingênuo. E ele é o cara com a mente ferrada que encontra na garota sua salvação. 

Para saber o desenrolar dessa história só lendo mesmo. O que eu garanto é que a história que começa com certa superficialidade, se torna intensa  com um drama familiar dos mais complicados. São dois protagonistas com traumas de um passado dramático que se encontram e lutam para ficarem juntos. 

Os amigos do casal são os protagonistas dos demais livros da série. Sweet Fall trás Lexi e Austin; em Sweet Hope, Ally e Axel e para finalizar, Sweet Soul com Levi e Elsie. A série ainda conta com Sweet Rome que é a história do primeiro volume contada por Romeo.

Essas são as capas originais de série toda:




29 de abr de 2018

Resenha: Antes da tempestade

Antes da tempestade
Dinah Jefferies
Paralela, 2017

SINOPSE:
Rajputana, Índia, 1930. Desde a morte de seu marido, a jovem inglesa Eliza tem como única companhia sua câmera. Determinada a se firmar como fotógrafa profissional, ela acaba de aceitar um convite do governo britânico para se hospedar durante um ano no castelo da família real local. Sua missão: fotografar, para o acervo da Coroa inglesa, a vida no Estado principesco de Juraipore.
Ao conhecer Jayant, irmão mais novo do marajá, Eliza embarca na aventura mais transformadora de sua vida. Acompanhada pelo príncipe rebelde e misterioso, ela conhecerá uma terra marcada por contrastes — com paisagens de beleza incomparável, cultura rica e vibrante e, ao mesmo tempo, a mais devastadora das misérias.
Enquanto Eliza desperta Jayant para a pobreza que circunda o castelo, ele mostra a ela as injustiças do domínio britânico na Índia. Juntos, descobrem uma afinidade de alma e uma paixão arrebatadora. Mas a família real fará de tudo — até o impensável — para impedir a aproximação entre o nobre indiano e a viúva inglesa.

Antes da tempestade é da mesma autora de O perfume da folha de chá (saiba mais clicando aqui) e tão bom quanto!

Nesse livro, Dinah Jefferies nos conta a história de Eliza, uma jovem viúva que retorna a Índia, onde passou parte de sua infância, para trabalhar como fotógrafa da família real do Estado principesco de Juraipore, durante a domínio britânico.

Apesar de bem recebida na família, Eliza se depara com diferenças culturais muito fortes. Ela passa a viver no palácio real, com a presença da concubinas do marajá, do opressivo Chatur, o principal representante da corte e da mãe do soberano, Laxmi. Apesar de Laxmi ser uma mulher com ideias e atitudes modernas, Eliza sente como nunca a inferioridade feminina e a insegurança de ser estrangeira em um país com cultura tão machista.

Logo na chegada, Eliza conhece o irmão do marajá, o interessante príncipe Jayant que passa a ser o acompanhante dela em suas saídas para fotografar. A relação de amizade dos dois vai se estreitando e ela percebe que Jay não é como os outros. Ele é gentil, com ideias revolucionárias e pensa no bem estar do povo que é ignorado por seu irmão. Mas como estamos falando de romance, é claro que amizade entre os dois vai muito além. Jay deverá se casar com uma princesa e sua relação com Eliza é totalmente impensável. 

Ao longo da história, enquanto Eliza e Jay vão se conhecendo e se inicia o romance entre eles, vamos também conhecendo detalhes da vida daquela época e região que são terríveis se pensarmos que aconteciam a menos de cem anos atrás. Um das passagens impactantes é quando Eliza e Jay testemunham a execução de uma mulher viúva. As viúvas eram tidas como mulheres que falaram em sua única missão: cuidar e zelar pela saúde e bem estar dos seus maridos. Dá para imaginar algo assim?

Antes da tempestade é uma história de romance proibido entre os protagonistas, com um cenário de belas paisagens e temperado com as diferenças culturais, manipulações políticas e situações opressoras e uma esperança de liberdade. 

Recomendo e já fico esperando o próximo livro da autora!






25 de abr de 2018

RESENHA: CANÇÃO DE NINAR

Canção de Ninar
Leïla Slimani
Tusquets/Planeta/2018

SINOPSE:
Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. 

Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. 

Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França, Canção de ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês.

Canção de Ninar é uma história inquietante que já no início diz a que veio. Já na primeira frase, o leitor encontra ali o maior medo de todos os pais: a morte dos filhos. "O bebê está morto". E segue narrando o trabalho da polícia ao chegar ao apartamento onde Myriam e Paul viviam com os filhos Mila e Adam. 

Myriam era uma advogada promissora quando abandonou a carreira para cuidar de sua primeira filha, Mila, com total apoio do marido. Com a chegada do caçula, Adam, Myriam se vê cada vez mais envolvida na rotina familiar e afastada da vida profissional. Vista como privilegiada por poder acompanhar a infância dos filhos, não é assim que ela se sente. Mas como uma mãe pode dizer em voz alta que a maternidade não é responsável por 100% de suas realizações? Que ela gostaria de estar trabalhando e não enfiada 24 horas por dia com fraldas, chorros e brincadeiras infantis? Esse é um assunto delicado que a autora propõe para reflexão ao descrever a vida de Myriam. A sociedade cobra um posicionamento das mães, como que fosse absurdo ou falta de amor elas quererem trabalhar e não se dedicarem exclusivamente aos filhos. Dilemas e dúvidas das mães modernas... 

Mas chega o dia em que Myriam decide retomar sua carreira, mesmo não contando com total aprovação do marido. Um casal que nunca deixou as crianças aos cuidados de ninguém, começa um detalhado processo de seleção de babás. Nenhuma satisfaz as exigências dos pais, até que eles entrevistam Louise. A pequena e delicada Louise parece ser um presente do universo para eles. Dedicada, cuidadosa, experiente. Além de cuidar com carinho das crianças, ainda deixa o pequeno apartamento do casal arrumado e faz refeições deliciosas. Os amigos invejam o casal por terem alguém tão competente a serviço deles. E Louise vai cada vez mais se tornando indispensável na vida da família... 

Mas o que prende o leitor pelas 191 páginas, uma vez que no início da história já sabemos que a babá matou as crianças e tentou suicídio? Qual é o grande mistério? Bom, o que me prendeu foi justamente a incoerência de alguém tão dedicado ter atentado contra a vida das crianças pelas quais demonstrava carinho e cuidado. Onde foi que a coisa desandou? Em que momento a loucura de Louise se manifestou e por que? Embora em alguns momentos Louise deixe escapar algumas palavras ou atitudes que poderiam ser um alerta de um comportamento obsessivo, os pais não percebem que algo está errado. 

Canção de Ninar fala também da relação entre patrões e empregados, relações de dependência, diferença entre classes. Todos esses temas são abordados enquanto o leitor é conduzido a longo da história da família até o final trágico. 

Imagem relacionadaA autora, Leila Slimani, é uma escritora marroquina que vive em Londres desde os 17 anos. A inspiração para a tragédia que abate a família no livro veio de um caso real acontecido nos Estados Unidos, onde uma babá matou duas crianças, tentou se matar, mas sobreviveu e foi a julgamento.

Canção de Ninar deu a Leila o Prêmio Goncourt de romance, o mais prestigioso da França, em 2016 e a boa notícia para o leitores brasileiros é que a autora é presença confirmada na Flip 2018 que acontecerá de 25 a 29 de julho em Paraty. 

16 de abr de 2018

Resenha: Zen para distraídos

Zen para distraídos
Monja Coen e Nilo Cruz
Academia, 2018

SINOPSE:
Viver nos grandes centros urbanos é um convite diário à distração. Manter o foco em tarefas simples, por mais fácil que pareça, se torna impossível com o excesso de informações e afazeres diários. Zen para distraídos aplica conceitos do budismo para melhorar o nosso bem-estar. A partir de práticas de meditação, de conceitos básicos do zen e outras técnicas milenares será possível manter o foco, desenvolver tarefas simples com muito mais concentração, ser mais assertivo, atingir objetivos e muito mais.

O livro Zen para distraídos tem como material o programa Momento Zen apresentado pela Monja Coen na Rádio Mundial. No início do livro é explicado ao leitor como surgiu o programa na rádio e a parceria dela com Nilo Cruz (autor do livro). Tanto o programa como livro tem o objetivo de levar os conhecimentos do Zen Budismo para as pessoas com uma linguagem simples e acessível. 

O livro é gostoso e fácil de ler. São apresentados conceitos básicos do budismo, mas a leitura é indicada para qualquer pessoa que tenha o desejo de viver mais leve, priorizando o aqui e agora, independente de religião. Pessoas que buscam o autoconhecimento, a paz interior, o equilíbrio.

Eu sou praticante de meditação, mas com outras técnicas diferentes das propostas pela monja, mas um ponto em comum em todas as formas de meditação é a importância de aprendermos e treinarmos nossa mente para viver no presente, não se apegando ao passado e nem projetando e gerando ansiedade com o futuro.

No livro são reproduzidos alguns diálogos entre ouvintes do programa da rádio e a monja e são momentos bem legais, pois demonstram ali as dúvidas e inseguranças de todos nós.  Momentos reais de interação entre o leigo e a monja com todo seu conhecimento. Durante as explicações, a Monja cita seus antigos professores e os grandes mestre do Budismo, faz analogias com o surfe e com o futebol e conta sobre sua experiência com o Zen Budismo. Tem um pouquinho de tudo!

Zen para distraídos pode ser uma porta de entrada para a busca de novos e mais aprofundados conhecimentos. Eu, particularmente, indico a meditação a todos. Quem sabe ao ler esse livro, você também não descobre que viver o presente com harmonia pode ser sensacional!

29 de mar de 2018

O Projeto Jane Austen

O Projeto Jane Austen
Kathleen A. Flynn
Única, 2018

Sinopse:

“Brilhantemente escrito e leitura obrigatória para qualquer fã de Jane Austen!”
Paula Byrne, autora de The Real Jane Austen

Inglaterra, 1815.
Rachel e Liam são dois viajantes do futuro que chegam à antiga Londres com a missão mais audaciosa do que qualquer viagem no tempo que já ocorreu: encontrar Jane Austen, ganhar a confiança dela e roubar um manuscrito inacabado.
Ela, uma médica; ele, um ator. Selecionados e treinados cuidadosamente, tudo o que Rachel e Liam têm em comum é a admiração pela autora e a situação extraordinária em que se encontram – e que obriga Rachel a colocar seu jeito independente de lado e deixar Liam assumir a liderança enquanto se infiltram no círculo da família Austen.
Além do desafio de viver uma mentira, Rachel luta para diagnosticar a doença fatal de Jane. À medida que a amizade das duas se fortalece e o seu relacionamento com Liam torna-se complicado, Rachel faz de tudo para reconciliar seu verdadeiro eu com as convicções da sociedade do século XIX.
O tempo está acabando. Rachel e Liam conseguirão deixar o passado intacto? Depois desse encontro com Jane Austen, a vida que os espera no futuro será o bastante?

  "Que tipo de maluco viaja no tempo?, era algo que eu me perguntaria mais de uma vez antes de tudo terminar."

Eu estava bem carente de livros que não me deixassem parar de ler. Aquele tipo de história que faz você dormir mais tarde ou perder o ponto do ônibus, sabe? Por isso, O Projeto Jane Austen veio em ótima hora: muito mais do que essa capa linda, é um romance incrível com vários pontos que me chamaram a atenção.

A história em si já é bem inusitada. Afinal, segundo a própria protagonista, que tipo de maluco viaja no tempo? E do que você estaria disposto a abrir mão por um romance a mais de Jane Austen?

Rachel e Liam volta para 1815, em um mundo totalmente diferente do qual conhecem com um grande objetivo: eles precisam encontrar as cartas que Jane escreveu para sua irmã Cassandra nas quais ela conta sobre Os Watsons, uma obra inacabada da autora e muito desejada pelos leitores do futuro. Além de precisarem se infiltrar na família Austen com o máximo de confiança, eles ainda têm um grande desafio: não alterar a história de maneira alguma.

O ritmo da história é lento com algumas poucas cenas que deixam o coração acelerado, mas nem de longe é maçante. Como ele é narrado pela Rachel, é cheio de pensamentos e reflexões dela e, além disso, é bem rico de detalhes... esses dois fatores contribuem muito para que seja uma leitura devagar.

Mas se tem uma coisa que me impressionou muito foi como a autora conseguiu ambientar o leitor em um cenário de 200 anos atrás com tanta precisão. Os detalhes, os diálogos e a construção de cada personagem foram bem pensados e expostos para o leitor de como que ele se sinta viajando no tempo junto com os protagonistas.

Agora, se eu preciso escolher uma coisa favorita, com certeza é a Rachel! Mulher forte, independente e extremamente inteligente, que precisa lutar contra o seu modo de ser para se adequar ao padrão da mulher do século 18, ou seja, deixar o Liam assumir as rédeas da situação. E mesmo sendo forçada a ser "secundária", é ela quem se aproxima de Jane, ganha seu espaço na família e faz toda a diferença dentro da história!

Gosto muito desse trecho, que é quando ela conhece a Jane pela primeira vez:

"Liam foi na frente pelo corredor, e fui deixada com Jane Austen, quase sem poder acreditar. Quanto tempo eu vinha antecipando este dia, trabalhando para isso, desejando isso! E o que eu sentia mais que tudo era medo. Eu teria dado qualquer coisa para estar em casa, lendo um dos livros dela. Como é possível alguém impressionar Jane Austen?"

Além das óbvias pesquisas que Kathleen teve que fazer para construir o cenário da história, ela é com certeza uma fã de carteirinha da Jane Austen, já que faz diversas referências das obras da outra e como suas personagens podem ter sido inspiradas em situações ou pessoas de sua vida. Apesar disso, não atrapalha em nada a leitura de quem não tiver lido esses livros, apenas enriquece para quem já os conhece.

Acho muito legal compartilhar que a Única criou uma playlist para acompanhar esse livro: bit.ly/playlist_projeto-jane-austen

Boa leitura!

7 de mar de 2018

Fraude legítima

FRAUDE LEGÍTIMA
E. Lockhart
Seguinte, 2017

Sinopse:
Jule West Williams é uma garota capaz de se adaptar a qualquer lugar ou situação. Imogen Sokoloff é uma herdeira milionária fugindo de suas responsabilidades. Além do fato de serem órfãs, as duas garotas têm pouco em comum, mas isso não as impede de desenvolver uma amizade intensa quando se reencontram anos depois de terem se conhecido no colégio. Elas passam os dias em meio a luxo e privilégios, até que uma série de eventos estranhos começa a tomar curso, culminando no trágico suicídio de Imogen e forçando Jule a descobrir como viver sem sua melhor amiga. Mas, talvez, as histórias das duas garotas tenham se unido de maneira inexorável — e seja tarde demais para voltar atrás.


E. Lockhart, a mesma autora que Mentirosos não decepcionou nesse novo livro. Na minha opinião, nem se compara ao primeiro romance da autora, mas tem uma característica comum aos outros dois: o ritmo rápido que te faz engolir as palavras e ficar com o coração acelerado de tanta ansiedade para descobrir o que vai acontecer.

Assim como o primeiro livro, é preciso tomar muito cuidado com spoilers, pois qualquer mínimo detalhe pode estragar a experiência da leitura.
A falta de linearidade do livro contribui para a aceleração da leitura: o primeiro capítulo é o penúltimo e a partir dele vamos lendo a história de "trás para frente", até chegar ao último capítulo, que é a conclusão da história. 
Como se isso não bastasse para deixar o leitor um pouco confuso, ainda há o fato de que Jule, a protagonista e narradora da história, é uma mentirosa de mão cheia e se contradiz a todo momento, então não fica claro o que está acontecendo de verdade e o que são os pensamentos dela.
Há momentos de muita surpresa e revelação, mas admito que assim que eu entrei no ritmo do livro eu descobri várias coisas de cara. Acho que isso se deve ao fato de que, por já ter lido outras duas obras de E. Lockhart, aprendi a ler com mais atenção alguns detalhes que parecem "soltos".
Não é daqueles livros que você pode sentar e ler sem prestar atenção, pois vai chegar ao final sem ter entendido nem metade da história. Fraude legítima exige sua atenção e não decepciona.
Indico a leitura principalmente para os fãs de thrillers psicológicos, o livro tem uma pegada muito parecida! ;)