11 de jul de 2018

Resenha: Um de nós está mentindo


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UM DE NÓS ESTÁ MENTINDO
Karen M. McManus
2018, Galera Record

SINOPSE:
Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? O que realmente importa é até onde você iria para proteger os seus.

Esta resenha é a primeira coisa que estou fazendo após terminar de ler Um de nós está mentindo, da autora norte-americana Karen M. McManus. Estou fazendo isso porque fiquei tão encantada por essa obra que quero escrever enquanto a história está recente em minha cabeça.

Ao contrário da grande maioria dos livros que eu leio, esse não chegou até mim através de indicação de ninguém. Navegando pelo site da livraria, me encantei pela junção da capa, título e subtítulo e ele entrou na minha lista de desejos. Depois de ler as 384 páginas em 3 dias, posso dizer que ele fez jus às minhas expectativas.

Um de nós está mentindo é narrado pelos quatro personagens principais, que se alternam entre si e contam a história em tempo real, cada um do seu ponto de vista. São eles Bronwyn, a gênia; Addy, a bela; Nate, o criminoso; e Cooper, o atleta. Apesar de serem os estereótipos clichês da uma ensino médio norte-americano, todos os personagens me impressionaram muito conforme a história se desenvolve.

Os quatro protagonistas, que possuem pouca ligação entre si, vão parar na detenção com Simon, o criador do aplicativo de fofocas da escola que já arruinou a vida de muitos alunos. Porém, antes do final da detenção, Simon morre e as pessoas que estiverem com ele por último na sala são as principais suspeitas, já que todos tem ótimos motivos para terem cometido o assassinato.

Obviamente alguém sabe mais do que está contando e com certeza há muito segredos, armadilhas e mentiras por traz da morte de Simon, e a grande pergunta é: Você é capaz de ligar dos pontos e descobrir a verdade?

Quanto mais você se envolve com os personagens e torce para nenhum deles ser o culpado, mais fica impossível parar de ler um só minuto, até descobrir a verdade.

A autora amarrou muito bem cada detalhe da história, de modo que o leitor muda de suspeito a todo momento e, no final, mesmo que estivesse correto, acaba surpreendido de outra maneira. A escrita é muito envolvente e a construção dos personagens é gradativa, o que me agradou muito. No começo todos eles parecem muito superficiais, mas a história se desenrola e apresenta o melhor (e o pior) de cada um deles.

Além do mistério e da pressão que a polícia e os jornais estão colocando nos alunos, há também várias doses questões adolescentes (aqueles clichês que a gente ama num livro, né?): amor, dúvidas, traição, amizades improváveis, problemas familiares etc.

Como ponto negativo, apenas uma questão técnica: encontrei vários problemas de impressão como letras faltando, páginas meio tortas e outras muito carregadas de tinta... coisas que eu já tinha reparado em outros livros da editora Record.

Adorei o livro e indico muito!

30 de mai de 2018

Resenha: DOCE LAR

DOCE LAR
Tillie Cole
2018, Essência

SINOPSE:
os vinte anos, Molly Shakespeare acha que já sabe de tudo.
Ela leu Descartes e Kant.
Ela estudou em Oxford.
Ela sabe que as pessoas que te amam também te deixam.

Mas quando Molly se muda da cinzenta Inglaterra para começar uma nova vida nos Estados Unidos, ela descobre que ainda tem muito a aprender. No Alabama os verões são mais quentes, as pessoas mais intimidantes e os alunos de sua nova escola muito mais viciados em futebol.

Após conhecer o famoso quarterback Romeu Prince, Molly só consegue pensar em seus olhos castanhos, cabelos loiros, físico perfeito... e em como sua vida tranquila e solitária parece estar a ponto de mudar drasticamente.

Doce Lar o é primeiro livro da série Sweet da escritora Tillie Cole. Seu lançamento no Brasil foi muito esperado pelos fãs da escritora que já a conheciam por Mil beijos de garoto. Seu lançamento contou até com uma polêmica nas redes sociais: quando a Editora Planeta divulgou a capa do livro, os fãs protestaram e pediram a capa original, apesar da usada ter sido aprovada pela própria Tillie. Mas a editora atendeu aos fãs e trocou a capa! Nota 10 para a Planeta que ouviu seus leitores! Eu, particularmente, tinha gostado da capa inicial, mas vamos a história.

Doce Lar é um romance new adult e conta a história da inglesa Molly que após tragédias familiares, chega aos Estados Unidos para estudar para seu mestrado em filosofia e lá conhece Rome, o atleta famoso da universidade, lindo e explosivo... ai você vai pensar: seria um Maddox? Não, apesar de todas as características, Rome não veio de uma sofrida e carinhosa família como Maddox, pelo contrário, ele é o único herdeiro de uma magnata do petróleo e tem um péssimo relacionamento com seus pais. Mas as semelhanças com os irmãos Maddox me incomodaram um pouco. Sabe aquela história do moço lindo, popular e briguento que se apaixona por uma garota e larga a vida de garanhão por ela? É assim também em Doce Lar. 

Até o meio do livro eu não me empolguei muito, mas depois as coisas começam a complicar e uns dramas mais pesados enriquecem a historia, tornando-a mais densa. E nesse ponto também o romance entre os protagonistas se intensifica e as cenas entre eles passam a ser bem quentes... E bota quente nisso! Embora Romeo Prince seja totalmente apaixonado por Molly e a protege a qualquer custo, ele assume uma postura dominadora durante o sexo que ela aceita sem reservas e isso pode incomodar as leitoras. Molly vê tudo que vem de Romeo com um romantismo que chega a ser ingênuo. E ele é o cara com a mente ferrada que encontra na garota sua salvação. 

Para saber o desenrolar dessa história só lendo mesmo. O que eu garanto é que a história que começa com certa superficialidade, se torna intensa  com um drama familiar dos mais complicados. São dois protagonistas com traumas de um passado dramático que se encontram e lutam para ficarem juntos. 

Os amigos do casal são os protagonistas dos demais livros da série. Sweet Fall trás Lexi e Austin; em Sweet Hope, Ally e Axel e para finalizar, Sweet Soul com Levi e Elsie. A série ainda conta com Sweet Rome que é a história do primeiro volume contada por Romeo.

Essas são as capas originais de série toda:



29 de abr de 2018

Resenha: Antes da tempestade

Antes da tempestade
Dinah Jefferies
Paralela, 2017

SINOPSE:
Rajputana, Índia, 1930. Desde a morte de seu marido, a jovem inglesa Eliza tem como única companhia sua câmera. Determinada a se firmar como fotógrafa profissional, ela acaba de aceitar um convite do governo britânico para se hospedar durante um ano no castelo da família real local. Sua missão: fotografar, para o acervo da Coroa inglesa, a vida no Estado principesco de Juraipore.
Ao conhecer Jayant, irmão mais novo do marajá, Eliza embarca na aventura mais transformadora de sua vida. Acompanhada pelo príncipe rebelde e misterioso, ela conhecerá uma terra marcada por contrastes — com paisagens de beleza incomparável, cultura rica e vibrante e, ao mesmo tempo, a mais devastadora das misérias.
Enquanto Eliza desperta Jayant para a pobreza que circunda o castelo, ele mostra a ela as injustiças do domínio britânico na Índia. Juntos, descobrem uma afinidade de alma e uma paixão arrebatadora. Mas a família real fará de tudo — até o impensável — para impedir a aproximação entre o nobre indiano e a viúva inglesa.

Antes da tempestade é da mesma autora de O perfume da folha de chá (saiba mais clicando aqui) e tão bom quanto!

Nesse livro, Dinah Jefferies nos conta a história de Eliza, uma jovem viúva que retorna a Índia, onde passou parte de sua infância, para trabalhar como fotógrafa da família real do Estado principesco de Juraipore, durante a domínio britânico.

Apesar de bem recebida na família, Eliza se depara com diferenças culturais muito fortes. Ela passa a viver no palácio real, com a presença da concubinas do marajá, do opressivo Chatur, o principal representante da corte e da mãe do soberano, Laxmi. Apesar de Laxmi ser uma mulher com ideias e atitudes modernas, Eliza sente como nunca a inferioridade feminina e a insegurança de ser estrangeira em um país com cultura tão machista.

Logo na chegada, Eliza conhece o irmão do marajá, o interessante príncipe Jayant que passa a ser o acompanhante dela em suas saídas para fotografar. A relação de amizade dos dois vai se estreitando e ela percebe que Jay não é como os outros. Ele é gentil, com ideias revolucionárias e pensa no bem estar do povo que é ignorado por seu irmão. Mas como estamos falando de romance, é claro que amizade entre os dois vai muito além. Jay deverá se casar com uma princesa e sua relação com Eliza é totalmente impensável. 

Ao longo da história, enquanto Eliza e Jay vão se conhecendo e se inicia o romance entre eles, vamos também conhecendo detalhes da vida daquela época e região que são terríveis se pensarmos que aconteciam a menos de cem anos atrás. Um das passagens impactantes é quando Eliza e Jay testemunham a execução de uma mulher viúva. As viúvas eram tidas como mulheres que falaram em sua única missão: cuidar e zelar pela saúde e bem estar dos seus maridos. Dá para imaginar algo assim?

Antes da tempestade é uma história de romance proibido entre os protagonistas, com um cenário de belas paisagens e temperado com as diferenças culturais, manipulações políticas e situações opressoras e uma esperança de liberdade. 

Recomendo e já fico esperando o próximo livro da autora!






25 de abr de 2018

RESENHA: CANÇÃO DE NINAR

Canção de Ninar
Leïla Slimani
Tusquets/Planeta/2018

SINOPSE:
Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. 

Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. 

Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França, Canção de ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês.

Canção de Ninar é uma história inquietante que já no início diz a que veio. Já na primeira frase, o leitor encontra ali o maior medo de todos os pais: a morte dos filhos. "O bebê está morto". E segue narrando o trabalho da polícia ao chegar ao apartamento onde Myriam e Paul viviam com os filhos Mila e Adam. 

Myriam era uma advogada promissora quando abandonou a carreira para cuidar de sua primeira filha, Mila, com total apoio do marido. Com a chegada do caçula, Adam, Myriam se vê cada vez mais envolvida na rotina familiar e afastada da vida profissional. Vista como privilegiada por poder acompanhar a infância dos filhos, não é assim que ela se sente. Mas como uma mãe pode dizer em voz alta que a maternidade não é responsável por 100% de suas realizações? Que ela gostaria de estar trabalhando e não enfiada 24 horas por dia com fraldas, chorros e brincadeiras infantis? Esse é um assunto delicado que a autora propõe para reflexão ao descrever a vida de Myriam. A sociedade cobra um posicionamento das mães, como que fosse absurdo ou falta de amor elas quererem trabalhar e não se dedicarem exclusivamente aos filhos. Dilemas e dúvidas das mães modernas... 

Mas chega o dia em que Myriam decide retomar sua carreira, mesmo não contando com total aprovação do marido. Um casal que nunca deixou as crianças aos cuidados de ninguém, começa um detalhado processo de seleção de babás. Nenhuma satisfaz as exigências dos pais, até que eles entrevistam Louise. A pequena e delicada Louise parece ser um presente do universo para eles. Dedicada, cuidadosa, experiente. Além de cuidar com carinho das crianças, ainda deixa o pequeno apartamento do casal arrumado e faz refeições deliciosas. Os amigos invejam o casal por terem alguém tão competente a serviço deles. E Louise vai cada vez mais se tornando indispensável na vida da família... 

Mas o que prende o leitor pelas 191 páginas, uma vez que no início da história já sabemos que a babá matou as crianças e tentou suicídio? Qual é o grande mistério? Bom, o que me prendeu foi justamente a incoerência de alguém tão dedicado ter atentado contra a vida das crianças pelas quais demonstrava carinho e cuidado. Onde foi que a coisa desandou? Em que momento a loucura de Louise se manifestou e por que? Embora em alguns momentos Louise deixe escapar algumas palavras ou atitudes que poderiam ser um alerta de um comportamento obsessivo, os pais não percebem que algo está errado. 

Canção de Ninar fala também da relação entre patrões e empregados, relações de dependência, diferença entre classes. Todos esses temas são abordados enquanto o leitor é conduzido a longo da história da família até o final trágico. 

Imagem relacionadaA autora, Leila Slimani, é uma escritora marroquina que vive em Londres desde os 17 anos. A inspiração para a tragédia que abate a família no livro veio de um caso real acontecido nos Estados Unidos, onde uma babá matou duas crianças, tentou se matar, mas sobreviveu e foi a julgamento.

Canção de Ninar deu a Leila o Prêmio Goncourt de romance, o mais prestigioso da França, em 2016 e a boa notícia para o leitores brasileiros é que a autora é presença confirmada na Flip 2018 que acontecerá de 25 a 29 de julho em Paraty. 

16 de abr de 2018

Resenha: Zen para distraídos

Zen para distraídos
Monja Coen e Nilo Cruz
Academia, 2018

SINOPSE:
Viver nos grandes centros urbanos é um convite diário à distração. Manter o foco em tarefas simples, por mais fácil que pareça, se torna impossível com o excesso de informações e afazeres diários. Zen para distraídos aplica conceitos do budismo para melhorar o nosso bem-estar. A partir de práticas de meditação, de conceitos básicos do zen e outras técnicas milenares será possível manter o foco, desenvolver tarefas simples com muito mais concentração, ser mais assertivo, atingir objetivos e muito mais.

O livro Zen para distraídos tem como material o programa Momento Zen apresentado pela Monja Coen na Rádio Mundial. No início do livro é explicado ao leitor como surgiu o programa na rádio e a parceria dela com Nilo Cruz (autor do livro). Tanto o programa como livro tem o objetivo de levar os conhecimentos do Zen Budismo para as pessoas com uma linguagem simples e acessível. 

O livro é gostoso e fácil de ler. São apresentados conceitos básicos do budismo, mas a leitura é indicada para qualquer pessoa que tenha o desejo de viver mais leve, priorizando o aqui e agora, independente de religião. Pessoas que buscam o autoconhecimento, a paz interior, o equilíbrio.

Eu sou praticante de meditação, mas com outras técnicas diferentes das propostas pela monja, mas um ponto em comum em todas as formas de meditação é a importância de aprendermos e treinarmos nossa mente para viver no presente, não se apegando ao passado e nem projetando e gerando ansiedade com o futuro.

No livro são reproduzidos alguns diálogos entre ouvintes do programa da rádio e a monja e são momentos bem legais, pois demonstram ali as dúvidas e inseguranças de todos nós.  Momentos reais de interação entre o leigo e a monja com todo seu conhecimento. Durante as explicações, a Monja cita seus antigos professores e os grandes mestre do Budismo, faz analogias com o surfe e com o futebol e conta sobre sua experiência com o Zen Budismo. Tem um pouquinho de tudo!

Zen para distraídos pode ser uma porta de entrada para a busca de novos e mais aprofundados conhecimentos. Eu, particularmente, indico a meditação a todos. Quem sabe ao ler esse livro, você também não descobre que viver o presente com harmonia pode ser sensacional!

29 de mar de 2018

O Projeto Jane Austen

O Projeto Jane Austen
Kathleen A. Flynn
Única, 2018

Sinopse:

“Brilhantemente escrito e leitura obrigatória para qualquer fã de Jane Austen!”
Paula Byrne, autora de The Real Jane Austen

Inglaterra, 1815.
Rachel e Liam são dois viajantes do futuro que chegam à antiga Londres com a missão mais audaciosa do que qualquer viagem no tempo que já ocorreu: encontrar Jane Austen, ganhar a confiança dela e roubar um manuscrito inacabado.
Ela, uma médica; ele, um ator. Selecionados e treinados cuidadosamente, tudo o que Rachel e Liam têm em comum é a admiração pela autora e a situação extraordinária em que se encontram – e que obriga Rachel a colocar seu jeito independente de lado e deixar Liam assumir a liderança enquanto se infiltram no círculo da família Austen.
Além do desafio de viver uma mentira, Rachel luta para diagnosticar a doença fatal de Jane. À medida que a amizade das duas se fortalece e o seu relacionamento com Liam torna-se complicado, Rachel faz de tudo para reconciliar seu verdadeiro eu com as convicções da sociedade do século XIX.
O tempo está acabando. Rachel e Liam conseguirão deixar o passado intacto? Depois desse encontro com Jane Austen, a vida que os espera no futuro será o bastante?

  "Que tipo de maluco viaja no tempo?, era algo que eu me perguntaria mais de uma vez antes de tudo terminar."

Eu estava bem carente de livros que não me deixassem parar de ler. Aquele tipo de história que faz você dormir mais tarde ou perder o ponto do ônibus, sabe? Por isso, O Projeto Jane Austen veio em ótima hora: muito mais do que essa capa linda, é um romance incrível com vários pontos que me chamaram a atenção.

A história em si já é bem inusitada. Afinal, segundo a própria protagonista, que tipo de maluco viaja no tempo? E do que você estaria disposto a abrir mão por um romance a mais de Jane Austen?

Rachel e Liam volta para 1815, em um mundo totalmente diferente do qual conhecem com um grande objetivo: eles precisam encontrar as cartas que Jane escreveu para sua irmã Cassandra nas quais ela conta sobre Os Watsons, uma obra inacabada da autora e muito desejada pelos leitores do futuro. Além de precisarem se infiltrar na família Austen com o máximo de confiança, eles ainda têm um grande desafio: não alterar a história de maneira alguma.

O ritmo da história é lento com algumas poucas cenas que deixam o coração acelerado, mas nem de longe é maçante. Como ele é narrado pela Rachel, é cheio de pensamentos e reflexões dela e, além disso, é bem rico de detalhes... esses dois fatores contribuem muito para que seja uma leitura devagar.

Mas se tem uma coisa que me impressionou muito foi como a autora conseguiu ambientar o leitor em um cenário de 200 anos atrás com tanta precisão. Os detalhes, os diálogos e a construção de cada personagem foram bem pensados e expostos para o leitor de como que ele se sinta viajando no tempo junto com os protagonistas.

Agora, se eu preciso escolher uma coisa favorita, com certeza é a Rachel! Mulher forte, independente e extremamente inteligente, que precisa lutar contra o seu modo de ser para se adequar ao padrão da mulher do século 18, ou seja, deixar o Liam assumir as rédeas da situação. E mesmo sendo forçada a ser "secundária", é ela quem se aproxima de Jane, ganha seu espaço na família e faz toda a diferença dentro da história!

Gosto muito desse trecho, que é quando ela conhece a Jane pela primeira vez:

"Liam foi na frente pelo corredor, e fui deixada com Jane Austen, quase sem poder acreditar. Quanto tempo eu vinha antecipando este dia, trabalhando para isso, desejando isso! E o que eu sentia mais que tudo era medo. Eu teria dado qualquer coisa para estar em casa, lendo um dos livros dela. Como é possível alguém impressionar Jane Austen?"

Além das óbvias pesquisas que Kathleen teve que fazer para construir o cenário da história, ela é com certeza uma fã de carteirinha da Jane Austen, já que faz diversas referências das obras da outra e como suas personagens podem ter sido inspiradas em situações ou pessoas de sua vida. Apesar disso, não atrapalha em nada a leitura de quem não tiver lido esses livros, apenas enriquece para quem já os conhece.

Acho muito legal compartilhar que a Única criou uma playlist para acompanhar esse livro: bit.ly/playlist_projeto-jane-austen

Boa leitura!

7 de mar de 2018

Fraude legítima

FRAUDE LEGÍTIMA
E. Lockhart
Seguinte, 2017

Sinopse:
Jule West Williams é uma garota capaz de se adaptar a qualquer lugar ou situação. Imogen Sokoloff é uma herdeira milionária fugindo de suas responsabilidades. Além do fato de serem órfãs, as duas garotas têm pouco em comum, mas isso não as impede de desenvolver uma amizade intensa quando se reencontram anos depois de terem se conhecido no colégio. Elas passam os dias em meio a luxo e privilégios, até que uma série de eventos estranhos começa a tomar curso, culminando no trágico suicídio de Imogen e forçando Jule a descobrir como viver sem sua melhor amiga. Mas, talvez, as histórias das duas garotas tenham se unido de maneira inexorável — e seja tarde demais para voltar atrás.


E. Lockhart, a mesma autora que Mentirosos não decepcionou nesse novo livro. Na minha opinião, nem se compara ao primeiro romance da autora, mas tem uma característica comum aos outros dois: o ritmo rápido que te faz engolir as palavras e ficar com o coração acelerado de tanta ansiedade para descobrir o que vai acontecer.

Assim como o primeiro livro, é preciso tomar muito cuidado com spoilers, pois qualquer mínimo detalhe pode estragar a experiência da leitura.
A falta de linearidade do livro contribui para a aceleração da leitura: o primeiro capítulo é o penúltimo e a partir dele vamos lendo a história de "trás para frente", até chegar ao último capítulo, que é a conclusão da história. 
Como se isso não bastasse para deixar o leitor um pouco confuso, ainda há o fato de que Jule, a protagonista e narradora da história, é uma mentirosa de mão cheia e se contradiz a todo momento, então não fica claro o que está acontecendo de verdade e o que são os pensamentos dela.
Há momentos de muita surpresa e revelação, mas admito que assim que eu entrei no ritmo do livro eu descobri várias coisas de cara. Acho que isso se deve ao fato de que, por já ter lido outras duas obras de E. Lockhart, aprendi a ler com mais atenção alguns detalhes que parecem "soltos".
Não é daqueles livros que você pode sentar e ler sem prestar atenção, pois vai chegar ao final sem ter entendido nem metade da história. Fraude legítima exige sua atenção e não decepciona.
Indico a leitura principalmente para os fãs de thrillers psicológicos, o livro tem uma pegada muito parecida! ;)

2 de mar de 2018

Resenha: Preciso Saber

Preciso Saber
Karen Cleveland
Planeta, 2018

SINOPSE:
Vivian Miller é uma agente do departamento de contrainteligência da CIA, e sua tarefa é desvendar células infiltradas de inimigos russos em solo americano. A dedicada analista está muito próxima de receber a tão esperada promoção, depois de desenvolver um método revolucionário para ajudar na identificação de agentes secretos da Rússia. 

Ao conseguir acesso ao computador de um potencial agente russo, Vivian descobre uma pasta de conteúdo altamente confidencial: os inimigos estariam, de fato, vivendo em pleno solo dos Estados Unidos, passando-se por cidadãos comuns. Clique após clique, no entanto, Vivian se depara com uma verdade de consequências avassaladoras, capaz de colocar em xeque tudo o que ela mais ama. 

Entre a promessa de defender seu país e o desejo de proteger sua família, Vivian é uma mulher dividida. Terá, enfim, de decidir entre a lealdade e o amor? E, diante de uma escolha como essa, em quem ela pode confiar?

Já começo avisando para tirar as panelas do fogo, as roupas do varal, desconectar as redes sociais e preparar um lanche... assim que começar esse livro, você não vai querer parar por nada!

Preciso saber é um lançamento da Editora Planeta que está chegando as livrarias do país este mês (março/18). Conta a história de Vivian,  uma agente da contrainteligência da CIA que atua monitorando agentes russos nos Estados Unidos. Ela desenvolveu um programa para invadir o computador de supostos líderes de células russas que mantém agentes adormecidos no país. Vivian é casada há dez anos com Matt, um jovem que apareceu inesperadamente em sua vida tornando-a perfeita. Se casaram, tiveram filhos que Matt cuida com todo o zelo e carinho do mundo. Matt é o marido perfeito e o pai perfeito adorado pelos filhos que tem na figura dele a estabilidade familiar e o cuidado permanente, uma vez que Vivian trabalha muito e pouco vê as crianças. É o pai que as alimenta, arruma e os leva para a escola, acompanha as tarefas escolares e tudo mais. 

Um clique que muda a vida
que Vivian entende por verdade.
Quando chega o grande dia de testar seu programa, Vivian está ansiosa, mas ela nem pode imaginar o resultado de tanto empenho. Seu programa é um sucesso, ela acessa o computador de Yuri, o último de cinco suspeitos investigados pelo departamento de Vivian. Todas as esperanças de encontrar informações valiosas estão a um clique. Ela encontra uma pasta intitulada "Amigos", com cinco fotos dentro... Abre uma por uma e os rostos são desconhecidos e comuns, mas a última foto mostra um rosto extremamente familiar... Matt!

Bom, a partir daí começa a saga de Vivian em descobrir a verdade sobre seu marido, seu envolvimento com os russos e como manter seu juramento de proteger o país e manter sua família unida. 

"Vamos conversar sobre tudo isso". As palavras dele ressoam na minha cabeça. É o que eu preciso, não é? Preciso ouvir o que ele tem a dizer. E depois preciso entregá-lo"

A história é narrada do ponto de vista de Vivian e vão sendo intercalados acontecimentos atuais com lembranças dela. Desde o dia em que conheceu Matt ao esbarrar nele na rua até o nascimento de cada um de seus filhos. Conforme ela vai relembrando sua vida com Matt o leitor vai conhecendo situações da vida deles que aparentemente foram manipuladas por ele visando mantê-la na CIA e trabalhando com a conta da Rússia. Diálogos suspeitos que nos levam a crer que Matt é um grande mentiroso, mas ao mesmo tempo, as ações dele na vida diária o revelam como pai e marido dedicado que tem como único objetivo na vida o bem estar de sua família. E Vivian vive o mesmo dilema!

- Vamos pensar numa solução - diz ele, mas a promessa soa vazia - Estamos juntos nessa. 
Estamos juntos nessa?, penso. Assisto a uma luz da rua bruxulear e, em seguida, queimar. Será que algum dia estivemos juntos?

O mais legal nesse livro é a forma como a autora foi apresentando os fatos, instigando o leitor a montar suas teorias e a maneira como a personagem principal age se comprometendo cada vez mais nesse problema, aumentando nossa curiosidade de qual será o desfecho.

-Vou ter que trair meu país.
-E ter sua vida de volta ao normal.
Ergo as sobrancelhas.
- Normal?

No começo desse texto eu aviso para não deixar nada pendente antes de começar a ler o livro e isso é verdade. São 298 que você não percebe e vai virando. Sabe aquele problema de muitos leitores, "só vou ler mais um capítulo e depois paro"? Então, acontece o tempo todo com Preciso Saber. 



E temos uma notícia sensacional para você que vai ler e amar esse livro: os direitos já foram comprados por um estúdio de cinema e a atriz Charlize Theron será a produtora executiva e estrela do filme. Difícil será aguardar o lançamento no cinema que ainda não tem data prevista. 



19 de fev de 2018

Resenha: Outlander - A viajante do tempo - Livro 1

Outlander - A viajante do tempo - Livro 1
Diana Galbaldon
Arqueiro, 2016

SINOPSE


Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, a enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido, com quem desfruta uma segunda lua de mel em Inverness, nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosos. Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros.


Tão logo percebe que foi arrastada para o passado por forças que não compreende, Claire precisa enfrentar intrigas e perigos que podem ameaçar a sua vida e partir o seu coração. Ao conhecer Jamie, um jovem guerreiro escocês, sente-se cada vez mais dividida entre a fidelidade ao marido e o desejo. Será ela capaz de resistir a uma paixão arrebatadora e regressar ao presente?

E como começar a resenha do seu novo livro favorito? Ai, não é uma tarefa fácil! Que tal contar como eu descobri essa maravilha? Conheci a história pela série de TV que foi baseada nos livros de Diana Gabaldon, por indicação de uma amiga. Totalmente apaixonada pela série, fui atrás do livro 1... um volume de nada menos que 797 páginas!

O livro já foi publicado por outras editoras, mas atualmente a responsabilidade está com a Editora Arqueiro, que recentemente relançou os dois primeiros volumes com a capa de série, gerando descontamento entre os leitores. A capa da série é linda e trás os maravilhosos protagonistas, mas para quem curte fazer a coleção, não é nada legal ter as capas modificadas no meio do caminho.

Como eu já conhecia a história por ter assistido a primeira temporada da série na Netlfix, não imaginei que gostaria tanto da leitura. A série foi bem fiel ao livro, uma excelente adaptação, mas o livro é sempre o livro, não é mesmo? Claro que eu já tinha a imagem dos personagens na minha mente e isso ajudou a me familiarizar com eles e também com os cenários descritos, mas a história é  sensacional por ela só. Um misto de romance com guerras, conflitos, violência e os costumes da época. 

O personagem Jamie Fraser é apaixonante não somente pela imagem que ficou da TV (e que imagem!!!) mas pela sua personalidade e carisma. Agora posso afirmar que o ator Sam Heughan interpretou fielmente o escocês das páginas criadas pela autora. E Catriona Balfe é perfeita como Claire. 

O ator Tobias Menzies como Frank e seu
antepassado Black Jack Randall
Há um terceiro personagem muito forte, Jack Randall, um oficial inglês sádico que tem como foco de sua vida o escocês Jamie. Randall é um ancestral do marido que Claire deixou em 1945, Frank,  e sua semelhança com o descendente é uma das coisas que a desestrutura em sua aventura na Escócia. Randall é detestável, enquanto que Frank é agradável e atencioso. 


Quando Claire atravessa o tempo e vai parar na violenta Escócia de 1745, seu primeiro encontro é com Randall, mas logo ela é resgatada pelos escoceses do Clã MacKenzie, do qual o jovem Jamie faz parte. Levada ao castelo do chefe do clã, Claire tem que enfrentar além das diversidades da época, a desconfiança de ser uma espiã inglesa, uma vez que tem que manter em segredo sua origem. Sua ligação com o Jamie é gradativa e suave, até que eles se unem em um amor intenso que não pode ser quebrado nem pelo futuro de Claire. As passagens entre os dois são de uma delicadeza linda e sensual e é um contraponto perfeito para a violência que os circula o tempo todo e os perigos que Claire se envolve a todo instante. 

A história é repleta de personagens interessantes, como os tios de Jamie, Dougal e Colum MacKenzie, a "bruxa", Geillis Ducan e a irmã de Jamie, Jenny. São personagens bem construídos, com personalidades marcantes e relevantes na história como um todo. 

Toda a série Outlander criada por Diana Gabaldon contempla até agora oito livros publicados. No Brasil a partir do livro 3, eles foram divididos em duas partes. 






Imagem relacionadaNa Netflix podemos encontrar as duas primeiras temporadas disponíveis (cada temporada conta a história de um livro da série). A terceira temporada já foi exibida nos EUA e a Fox Premium a exibiu aqui no Brasil.



Outlander é um sucesso na TV e conquistou seu espaço no museu que os Estúdios Sony mantem em Los Angeles com suas produções de destaque e que faz parte do tour para visitantes. Ali você pode ver além de roupas, alguns objetos usados em cena.






10 de fev de 2018

Resenha: Magia do Sangue - Livro três da trilogia Primos O'Dwyer


Magia do Sangue
Livro três da trilogia Primos O'Dwyer
Nora Roberts
2015, Arqueiro

SINOPSE:
Há muitos anos, Branna O’Dwyer entregou seu amor a Finbar Burke. No entanto, o romance durou pouco. Uma maldição ligada ao sangue de suas famílias os proibiu de ficar juntos. 

Branna tentou preencher esse vazio com amigos e familiares, mas sabe que, sem Fin, sua vida nunca estará completa. Ele, por sua vez, passou os últimos doze anos viajando pelo mundo, focado exclusivamente no trabalho. 

Atormentados pela forte atração que nem a distância pôde aplacar, nenhum dos dois acha que um dia se entregará de novo ao amor. 

Entretanto, em meio às sombras que ameaçam destruir tudo o que eles consideram mais precioso, esse relacionamento sem futuro pode ser também a última esperança que lhes resta.

E com Magia do Sangue, Nora Roberts encerra a trilogia que além de amor e romance, fala de amizade, comprometimento, força, coragem e claro, magia! 

Mais fortalecidos e poderosos, "os três", como são chamados Branna, Connor e Iona, ao lado de Fin pesquisam uma nova maneira de atacar e derrotar de vez Cahban. Os laços com Meara e Boyle estão mais fortes, tornando o círculo mágico que os une muito poderoso. Mas Cahban também está ficando cada dia mais forte e agressivo. 

E finalmente podemos ver o amor entre Branna e Finbar vencendo o medo e a maldição. Fin é meu personagem favorito e nem sei bem explicar o motivo. Desde o começo sua personalidade e seu jeito carinhoso de ser me conquistou. Sua dor por não poder viver o amor com Branna é de fazer o leitor lamentar junto com ele. Mas nesse último volume da trilogia, Branna abre seu coração e vence o medo... e foi até mais rápido do que eu imaginei!

Fin chega ao limite, arriscando sua vida para derrotar seu antepassado que lhe deixou como herança uma marca no ombro, a marca da maldição de Sorcha. 

Nesse último volume, a autora ressaltou ainda mais o poder da união e da amizade. E como não poderia deixar de ser, o poder do amor. 

A trilogia é uma leitura diferente do que os leitores de Nora Roberts estão acostumados por envolver o romance em um cenário mágico e desafiador. 

2 de fev de 2018

Resenha: Feitiço da Sombra - Livro dois da trilogia Primos O'Dwyer

Feitiço da Sombra 
Livro dois da trilogia Primos O'Dwyer
Nora Roberts
2015, Arqueiro

SINOPSE:

Com as lendas e tradições da Irlanda correndo em seu sangue, Connor O’Dwyer se orgulha de chamar o Condado de Mayo de seu lar. É lá que Branna, sua irmã, mora e trabalha e onde Iona, sua prima, encontrou o verdadeiro amor. Foi nessa terra que seus parentes e amigos formaram um círculo de proteção que nunca poderá ser rompido...

Até que um beijo põe em risco a segurança de todos.

Depois de um breve encontro com a morte, Connor e a melhor amiga de sua irmã se entregam um ao outro. Muitas mulheres passaram pela cama de Connor, mas nenhuma havia descoberto o caminho para seu coração. Meara tem olhos escuros, pele morena – herança do lado cigano de sua família – e corpo de deusa.

Os rumos dela e os de Connor se cruzam diariamente. Ele leva turistas em caminhadas para observar falcões. Ela os guia em cavalgadas pelo campo. Eles se dão bem desde a infância e, depois do tórrido encontro, o rapaz tem esperança de que esse relacionamento evolua.

Para frustração dele, no entanto, Meara se contenta apenas com o prazer do momento, temendo se perder – e perder a amizade dele.
Essa mudança em sua relação pode abalar o círculo e permitir que uma perigosa ameaça ressurja aos poucos, como uma névoa. Para detê-la, Connor precisará novamente da família e dos amigos para despertar a força e a fúria que correm em seu sangue. Quem sabe pela última vez.

Esse livro dois da trilogia Primos O’Dwyer não achei tão bom quanto o primeiro. Nele encontramos Cabhan enfraquecido pelo confronto com os três e com seu interesse voltado para Meara. O foco desse livro é o romance entre Connor e Meara, aliás um previsível romance, sem surpresas. Não sei se era eu que estava ansiosa para ver o romance entre Branna e meu personagem favorito, Fin que acabei não me envolvendo muito com a história de Connor e Meara. E também por ser uma trilogia, você já imagina que Cabhan será vencido somente no final da história.. Isso deixa o volume “do meio” um pouco morno, sem as descobertas do primeiro e o desfecho do último.

Em Feitiço da Sombra é apresentada a história familiar de Meara e a aceitação de seus sentimentos pelo amigo de infância, Connor. Nesse ponto da história, Branna passa aceitar um pouco mais a presença e ajuda de Finbar, o herdeiro de Cabhan e junto com seu irmão e sua prima, trabalha novos feitiços e formas de derrotar Cabhan.


E todas as passagens que envolvem os “primeiros três” são interessante e nesse volume Connor e Meara passam por experiências envolvendo os primos do passado, principalmente Eamon. Feitiço da Sombra é apenas a leitura necessária para se chegar ao desfecho esperado, Magia do Sangue! Esse sim, promete!

22 de jan de 2018

Resenha: O jardim das borboletas

O JARDIM DAS BORBOLETAS
Dot Hutchison
Planeta, 2017

SINOPSE:
Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas... e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.

Com certeza, O jardim das borboletas foi o livro mais perturbador que li nos últimos meses. E eu abri o ano justamente com ele... 
A história começa com o a chegada de uma das garotas resgatadas do chamado Jardim. Maya é uma das meninas que eram mantidas em cativeiro e começa a contar sua história aos agentes do FBI.

A história de modo geral já é inquietante, mas conforme a garota vai narrando os detalhes, se torna ainda mais intensa. Todas as garotas foram sequestradas quando tinham por volta de 16 anos e levadas para o Jardim onde recebiam uma enorme e detalhada tatuagem nas costas de asas de borboletas. Quem fazia as tatuagem e as mantinham presas é um homem por elas chamado de Jardineiro. E é a figura dele que desperta no leitor os mais diversos sentimentos! Ele sequestra, marca e estupra as garotas. As mantém privadas da vida exterior e certas de apenas um destino, a morte! Ele as coleciona como se fossem borboletas de verdade e mantém sua mórbida coleção a vista de todas. E acreditem, ele demonstra carinho e amor por elas! Isso foi o mais doentio. Ele afirma amá-las e acredita estar fazendo o bem para as garotas ao imortalizar sua beleza. Surge então a pergunta: até onde pode ir a perturbação da mente humana? 

E para piorar o cenário, ele divide as meninas com seu violento filho Avery. Se o Jardineiro demonstra carinho com as garotas, Avery é pura perversão. As machuca e por algumas vezes, chega a matar durante o sexo.

Um fato que me incomodou na história foi a passividade das meninas em aceitar seu destino. Mesmo pairando sobre elas a ameaça da morte imediata em casos de rebeldia, elas me pareceram resignadas demais. Maya, a garota interrogada pelo FBI enquanto as colegas estão no hospital, demonstra muito equilibro ao narrar as atrocidades que viveram no Jardim e só conta o quer e no momento que ela escolhe. Mas há momentos de leveza, quando ela descreve a amizade que surgiu entre as garotas e os modos que encontraram para viver naquele ambiente bizarro. 

O leitor se choca com os fatos, mas não deixa de virar as páginas. A curiosidade sobre como elas saíram do Jardim só aumenta a cada capítulo. E isso só é revelado no desfecho da história. A autora percorreu 300 páginas construindo muito bem sua história, mas colocou um fato no final que para mim não fez muito sentido. Totalmente desnecessário... Mas isso não tira o brilho da obra. 

Esse livro faz parte de uma trilogia chamada O Colecionador. O segundo volume, The roses of may, não tem ainda data prevista para lançamento no Brasil. Mas vamos ficar de olho, pois a escrita de Dot Hutchison merece a atenção do leitor. 

Destaque para a edição linda em capa dura da Editora Planeta.