22 de jan de 2018

Resenha: O jardim das borboletas

O JARDIM DAS BORBOLETAS
Dot Hutchison
Planeta, 2017

SINOPSE:
Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas... e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.

Com certeza, O jardim das borboletas foi o livro mais perturbador que li nos últimos meses. E eu abri o ano justamente com ele... 
A história começa com o a chegada de uma das garotas resgatadas do chamado Jardim. Maya é uma das meninas que eram mantidas em cativeiro e começa a contar sua história aos agentes do FBI.

A história de modo geral já é inquietante, mas conforme a garota vai narrando os detalhes, se torna ainda mais intensa. Todas as garotas foram sequestradas quando tinham por volta de 16 anos e levadas para o Jardim onde recebiam uma enorme e detalhada tatuagem nas costas de asas de borboletas. Quem fazia as tatuagem e as mantinham presas é um homem por elas chamado de Jardineiro. E é a figura dele que desperta no leitor os mais diversos sentimentos! Ele sequestra, marca e estupra as garotas. As mantém privadas da vida exterior e certas de apenas um destino, a morte! Ele as coleciona como se fossem borboletas de verdade e mantém sua mórbida coleção a vista de todas. E acreditem, ele demonstra carinho e amor por elas! Isso foi o mais doentio. Ele afirma amá-las e acredita estar fazendo o bem para as garotas ao imortalizar sua beleza. Surge então a pergunta: até onde pode ir a perturbação da mente humana? 

E para piorar o cenário, ele divide as meninas com seu violento filho Avery. Se o Jardineiro demonstra carinho com as garotas, Avery é pura perversão. As machuca e por algumas vezes, chega a matar durante o sexo.

Um fato que me incomodou na história foi a passividade das meninas em aceitar seu destino. Mesmo pairando sobre elas a ameaça da morte imediata em casos de rebeldia, elas me pareceram resignadas demais. Maya, a garota interrogada pelo FBI enquanto as colegas estão no hospital, demonstra muito equilibro ao narrar as atrocidades que viveram no Jardim e só conta o quer e no momento que ela escolhe. Mas há momentos de leveza, quando ela descreve a amizade que surgiu entre as garotas e os modos que encontraram para viver naquele ambiente bizarro. 

O leitor se choca com os fatos, mas não deixa de virar as páginas. A curiosidade sobre como elas saíram do Jardim só aumenta a cada capítulo. E isso só é revelado no desfecho da história. A autora percorreu 300 páginas construindo muito bem sua história, mas colocou um fato no final que para mim não fez muito sentido. Totalmente desnecessário... Mas isso não tira o brilho da obra. 

Esse livro faz parte de uma trilogia chamada O Colecionador. O segundo volume, The roses of may, não tem ainda data prevista para lançamento no Brasil. Mas vamos ficar de olho, pois a escrita de Dot Hutchison merece a atenção do leitor. 

Destaque para a edição linda em capa dura da Editora Planeta.