16 de abr de 2018

Resenha: Zen para distraídos

Zen para distraídos
Monja Coen e Nilo Cruz
Academia, 2018

SINOPSE:
Viver nos grandes centros urbanos é um convite diário à distração. Manter o foco em tarefas simples, por mais fácil que pareça, se torna impossível com o excesso de informações e afazeres diários. Zen para distraídos aplica conceitos do budismo para melhorar o nosso bem-estar. A partir de práticas de meditação, de conceitos básicos do zen e outras técnicas milenares será possível manter o foco, desenvolver tarefas simples com muito mais concentração, ser mais assertivo, atingir objetivos e muito mais.

O livro Zen para distraídos tem como material o programa Momento Zen apresentado pela Monja Coen na Rádio Mundial. No início do livro é explicado ao leitor como surgiu o programa na rádio e a parceria dela com Nilo Cruz (autor do livro). Tanto o programa como livro tem o objetivo de levar os conhecimentos do Zen Budismo para as pessoas com uma linguagem simples e acessível. 

O livro é gostoso e fácil de ler. São apresentados conceitos básicos do budismo, mas a leitura é indicada para qualquer pessoa que tenha o desejo de viver mais leve, priorizando o aqui e agora, independente de religião. Pessoas que buscam o autoconhecimento, a paz interior, o equilíbrio.

Eu sou praticante de meditação, mas com outras técnicas diferentes das propostas pela monja, mas um ponto em comum em todas as formas de meditação é a importância de aprendermos e treinarmos nossa mente para viver no presente, não se apegando ao passado e nem projetando e gerando ansiedade com o futuro.

No livro são reproduzidos alguns diálogos entre ouvintes do programa da rádio e a monja e são momentos bem legais, pois demonstram ali as dúvidas e inseguranças de todos nós.  Momentos reais de interação entre o leigo e a monja com todo seu conhecimento. Durante as explicações, a Monja cita seus antigos professores e os grandes mestre do Budismo, faz analogias com o surfe e com o futebol e conta sobre sua experiência com o Zen Budismo. Tem um pouquinho de tudo!

Zen para distraídos pode ser uma porta de entrada para a busca de novos e mais aprofundados conhecimentos. Eu, particularmente, indico a meditação a todos. Quem sabe ao ler esse livro, você também não descobre que viver o presente com harmonia pode ser sensacional!

29 de mar de 2018

O Projeto Jane Austen

O Projeto Jane Austen
Kathleen A. Flynn
Única, 2018

Sinopse:

“Brilhantemente escrito e leitura obrigatória para qualquer fã de Jane Austen!”
Paula Byrne, autora de The Real Jane Austen

Inglaterra, 1815.
Rachel e Liam são dois viajantes do futuro que chegam à antiga Londres com a missão mais audaciosa do que qualquer viagem no tempo que já ocorreu: encontrar Jane Austen, ganhar a confiança dela e roubar um manuscrito inacabado.
Ela, uma médica; ele, um ator. Selecionados e treinados cuidadosamente, tudo o que Rachel e Liam têm em comum é a admiração pela autora e a situação extraordinária em que se encontram – e que obriga Rachel a colocar seu jeito independente de lado e deixar Liam assumir a liderança enquanto se infiltram no círculo da família Austen.
Além do desafio de viver uma mentira, Rachel luta para diagnosticar a doença fatal de Jane. À medida que a amizade das duas se fortalece e o seu relacionamento com Liam torna-se complicado, Rachel faz de tudo para reconciliar seu verdadeiro eu com as convicções da sociedade do século XIX.
O tempo está acabando. Rachel e Liam conseguirão deixar o passado intacto? Depois desse encontro com Jane Austen, a vida que os espera no futuro será o bastante?

  "Que tipo de maluco viaja no tempo?, era algo que eu me perguntaria mais de uma vez antes de tudo terminar."

Eu estava bem carente de livros que não me deixassem parar de ler. Aquele tipo de história que faz você dormir mais tarde ou perder o ponto do ônibus, sabe? Por isso, O Projeto Jane Austen veio em ótima hora: muito mais do que essa capa linda, é um romance incrível com vários pontos que me chamaram a atenção.

A história em si já é bem inusitada. Afinal, segundo a própria protagonista, que tipo de maluco viaja no tempo? E do que você estaria disposto a abrir mão por um romance a mais de Jane Austen?

Rachel e Liam volta para 1815, em um mundo totalmente diferente do qual conhecem com um grande objetivo: eles precisam encontrar as cartas que Jane escreveu para sua irmã Cassandra nas quais ela conta sobre Os Watsons, uma obra inacabada da autora e muito desejada pelos leitores do futuro. Além de precisarem se infiltrar na família Austen com o máximo de confiança, eles ainda têm um grande desafio: não alterar a história de maneira alguma.

O ritmo da história é lento com algumas poucas cenas que deixam o coração acelerado, mas nem de longe é maçante. Como ele é narrado pela Rachel, é cheio de pensamentos e reflexões dela e, além disso, é bem rico de detalhes... esses dois fatores contribuem muito para que seja uma leitura devagar.

Mas se tem uma coisa que me impressionou muito foi como a autora conseguiu ambientar o leitor em um cenário de 200 anos atrás com tanta precisão. Os detalhes, os diálogos e a construção de cada personagem foram bem pensados e expostos para o leitor de como que ele se sinta viajando no tempo junto com os protagonistas.

Agora, se eu preciso escolher uma coisa favorita, com certeza é a Rachel! Mulher forte, independente e extremamente inteligente, que precisa lutar contra o seu modo de ser para se adequar ao padrão da mulher do século 18, ou seja, deixar o Liam assumir as rédeas da situação. E mesmo sendo forçada a ser "secundária", é ela quem se aproxima de Jane, ganha seu espaço na família e faz toda a diferença dentro da história!

Gosto muito desse trecho, que é quando ela conhece a Jane pela primeira vez:

"Liam foi na frente pelo corredor, e fui deixada com Jane Austen, quase sem poder acreditar. Quanto tempo eu vinha antecipando este dia, trabalhando para isso, desejando isso! E o que eu sentia mais que tudo era medo. Eu teria dado qualquer coisa para estar em casa, lendo um dos livros dela. Como é possível alguém impressionar Jane Austen?"

Além das óbvias pesquisas que Kathleen teve que fazer para construir o cenário da história, ela é com certeza uma fã de carteirinha da Jane Austen, já que faz diversas referências das obras da outra e como suas personagens podem ter sido inspiradas em situações ou pessoas de sua vida. Apesar disso, não atrapalha em nada a leitura de quem não tiver lido esses livros, apenas enriquece para quem já os conhece.

Acho muito legal compartilhar que a Única criou uma playlist para acompanhar esse livro: bit.ly/playlist_projeto-jane-austen

Boa leitura!

7 de mar de 2018

Fraude legítima

FRAUDE LEGÍTIMA
E. Lockhart
Seguinte, 2017

Sinopse:
Jule West Williams é uma garota capaz de se adaptar a qualquer lugar ou situação. Imogen Sokoloff é uma herdeira milionária fugindo de suas responsabilidades. Além do fato de serem órfãs, as duas garotas têm pouco em comum, mas isso não as impede de desenvolver uma amizade intensa quando se reencontram anos depois de terem se conhecido no colégio. Elas passam os dias em meio a luxo e privilégios, até que uma série de eventos estranhos começa a tomar curso, culminando no trágico suicídio de Imogen e forçando Jule a descobrir como viver sem sua melhor amiga. Mas, talvez, as histórias das duas garotas tenham se unido de maneira inexorável — e seja tarde demais para voltar atrás.


E. Lockhart, a mesma autora que Mentirosos não decepcionou nesse novo livro. Na minha opinião, nem se compara ao primeiro romance da autora, mas tem uma característica comum aos outros dois: o ritmo rápido que te faz engolir as palavras e ficar com o coração acelerado de tanta ansiedade para descobrir o que vai acontecer.

Assim como o primeiro livro, é preciso tomar muito cuidado com spoilers, pois qualquer mínimo detalhe pode estragar a experiência da leitura.
A falta de linearidade do livro contribui para a aceleração da leitura: o primeiro capítulo é o penúltimo e a partir dele vamos lendo a história de "trás para frente", até chegar ao último capítulo, que é a conclusão da história. 
Como se isso não bastasse para deixar o leitor um pouco confuso, ainda há o fato de que Jule, a protagonista e narradora da história, é uma mentirosa de mão cheia e se contradiz a todo momento, então não fica claro o que está acontecendo de verdade e o que são os pensamentos dela.
Há momentos de muita surpresa e revelação, mas admito que assim que eu entrei no ritmo do livro eu descobri várias coisas de cara. Acho que isso se deve ao fato de que, por já ter lido outras duas obras de E. Lockhart, aprendi a ler com mais atenção alguns detalhes que parecem "soltos".
Não é daqueles livros que você pode sentar e ler sem prestar atenção, pois vai chegar ao final sem ter entendido nem metade da história. Fraude legítima exige sua atenção e não decepciona.
Indico a leitura principalmente para os fãs de thrillers psicológicos, o livro tem uma pegada muito parecida! ;)