6 de jul. de 2020

RESENHA: CORRA, ALEX CROSS

CORRA, ALEX CROSS
James Patterson
Arqueiro, 2014

SINOPSE:

Um cruel assassinato na escuridão
Dentro de um estacionamento em Georgetown, uma mulher é esfaqueada e trancada no porta-malas do próprio carro. Como assinatura, o criminoso corta os cabelos louros da vítima e os deixa espalhados pelo corpo. Designado para o caso, o detetive Alex Cross nem imagina que esse é apenas o primeiro de uma série de pesadelos.

Uma mulher é morta e um bebê desaparece
No mesmo dia, Alex Cross é chamado para uma segunda cena de crime: uma jovem enforcada do lado de fora do sexto andar de um edifício. Assim que a legista responsável descarta a possibilidade de suicídio e informa que a vítima deu à luz recentemente, Cross descobre que não está lidando apenas com um homicídio, mas também com um caso de sequestro.

Alex Cross precisa deter três assassinos

Três dias depois, o corpo de um rapaz é descoberto em uma doca, baleado e com meia dúzia de perfurações ao redor da área genital. Quando os rumores de três assassinos em série se alastram pela cidade de Washington e novas vítimas são encontradas a cada dia, a pressão recai nos ombros de Cross. Uma pressão tão forte que pode afetar sua concentração a ponto de ele não conseguir evitar um perigo mortal que se aproxima de sua família.

Um de meus gêneros preferidos são os romances policiais, cheios de mistérios e reviravoltas. Além do Harlan Coben, de quem sou fã declarada, outro autor do gênero que curto muito é o James Patterson. Tem duas séries dele que são incríveis: Alex Cross e Clube das Mulheres contra o Crime. 

Essa é mais uma história do detetive Alex Cross, um renomado policial com PhD em Psicologia. Desta vez, Alex terá que investigar assassinatos que apontam para três criminosos diferentes, além de lidar com um complicado problema familiar. 

Sabe aquelas histórias em que o assassino é apresentado ao autor já no início, sem mistério? Então, essa história é bem assim. Os três criminosos são identificados para o leitor e não há dúvida sobre a culpa de cada um deles. O suspense fica por conta de qual será a próxima ação dos assassinos e suas reais motivações  e todo aquele inteligente jogo de pistas deixadas para trás e como a polícia as encontra e interpreta.

Dessa vez, Alex chega a ser incriminado por um dos assassinos e se vê afastado da investigação em seu momento mais crucial. No âmbito familiar, a filha adotiva da família Cross, uma jovem orfã de mãe envolvida com drogas, enfrenta problemas da mesma natureza, colocando toda a família em alerta e sofrimento pela menina. 

Um das coisas que gosto no estilo do autor é a riqueza de detalhes nas cenas importantes. Ele consegue descrever o sentimento dos personagens com muita clareza e nas cenas violentas, chega até a incomodar o leitor, tamanha é a veracidade que ele passa.

Se você curte suspenses policiais, eu recomendo ler a série Alex Cross! 

2 de jul. de 2020

RESENHA: A VIÚVA DE SAFIRA



A VIÚVA DE SAFIRA
Dinah Jefferies
Paralela, 2019

SINOPSE:
O ano é 1935. No Ceilão, uma rica colônia britânica do sul da Ásia, Louisa e Elliot vivem um casamento feliz. Ela, filha de um importante comerciante da região; ele, um charmoso homem de negócios. Juntos, eles aparentam ser um casal que tem tudo. Exceto aquilo que mais desejam: um filho.

Durante as diversas tentativas de Louisa de engravidar, seu marido parece cada vez mais distante, passando a maior parte do tempo em uma fazenda de canela das redondezas. Mas a morte repentina de Elliot -- tão trágica quanto misteriosa -- é seguida de revelações chocantes, atirando a jovem numa espiral de incertezas. Quem era, de fato, aquele homem? Por que ele tinha tantos inimigos? Como foi capaz de cometer uma traição tão terrível?

Em busca de respostas, Louisa embarca em uma jornada devastadora. Quando finalmente descobre o terrível segredo por trás de seu casamento, seu mundo vira de cabeça para baixo. Será que ela encontrará forças para seguir em frente? Ou sofrerá, para sempre, as consequências do que parece imperdoável?

A Viúva de Safira é uma história escrita por Dinah Jefferies, conhecida pelo livro O perfume da folha de chá. Neste novo livro, ela volta a ambientar a trama no Ceilão do início do século passado. Louisa é uma jovem esposa que carrega a dor de ter sofrido abortos e sua última gravidez resultar em uma criança natimorta. Ela sofre pelos filhos perdidos, mas o amor pelo marido Elliot e seu sólido e feliz casamento são a sustentação para que ela siga em frente. 

No dia em que comemoraria mais um aniversário de casamento com uma festa para amigos em sua casa, ela recebe a notícia do falecimento do marido em um trágico acidente de carro. E a partir daí ela começa a descobrir segredos do marido que a fazem questionar se viveu os últimos anos mergulhada em mentiras e iludida com um casamento nada feliz. 

Louisa já tinha uma relação complicada com a sogra e tudo se agrava depois da morte de Elliot. Seu apoio é a cunhada Margot, uma personagem ótima que trás um respiro  para Louisa. Seu pai, Jonathan é também um grande apoiador e muito presente na vida dela. Ele trabalha com lapidação de pedras preciosas e Elliot trabalhava com o sogro, além de ter outros negócios.

Uma personagem querida que retorna nessa história é Gwen, a protagonista de O perfume da folha de chá. Amiga de Louisa, ela oferece apoio e companhia nos momentos em que Louisa mais precisa. Com uma bebê nos braços, Gwen ainda sofre pela perda da primeira filha e seus conselhos são preciosos para a amiga. Da mesma forma que Gwen retorna, toda a ambientação da história no antigo Ceilão está de volta com as descrições da autora nos fazem viajar para aquela região. Enquanto na história de Gwen podíamos sentir o aroma do chá na fazendo de seu marido Lawrence, agora sentimos o aroma da Canela, nas plantação de Leo! 

Leo surge na vida de Louisa de maneira inesperada e representa a sua chance de amar novamente. Ele é um personagem forte, um pouco enigmático e muito cativante. Tem suas marcas do passado e vivia sozinho na fazenda de canela até sua prima Zinnia ir morar na fazenda levando seu filho Connor. 

Entre as tantas traições de Elliot, uma se revela a mais grave e dolorida possível e é diante dessa descoberta que Louisa tem que ressignificar toda a sua vida. 

A viúva de Safira é uma história de perdas, traição e recomeços escrita de forma delicada e envolvente, em um ambiente sedutor que estimula a nossa imaginação. Alguns acontecimentos são previsíveis, mas a maneira como eles transcorrem e são narrados criam uma linda história. 

É o terceiro livro que eu leio dessa autora, os três publicados pela Paralela no Brasil. Além de O perfume da folha de chá (conheça aqui), foi publicado Antes da tempestade (saiba mais aqui)




23 de jun. de 2020

RESENHA: ANNE DE GREEN GABLES

ANNE DE GREEN GABLES
L. M. Montegomery
Autêntica, 2020

SINOPSE:
 Quando os irmãos Marilla e Matthew Cuthbert, de Green Gables, na Prince Edward Island, no Canadá, decidem adotar um órfão para ajudá-los nos trabalhos da fazenda, não estão preparados para o “erro” que mudará suas vidas: Anne Shirley, uma menina ruiva de 11 anos, acaba sendo enviada, por engano, pelo orfanato. Apesar do acontecimento inesperado, a natureza expansiva, sempre de bem com a vida, a curiosidade, a imaginação peculiar e a tagarelice da menina conquistam rapidamente os relutantes pais adotivos. O espírito combativo e questionador de Anne logo atrai o interesse das pessoas do lugar – e muitos problemas também. No entanto, Anne era uma espécie de Pollyanna, e sua capacidade de ver sempre o lado bonito e positivo de tudo, seu amor pela vida, pela natureza, pelos livros conquista a todos, e ela acaba sendo “adotada” também pela comunidade. 

Publicada pela primeira vez em 1908, esta história deliciosa, que ilustra valores fundamentais como a ética, a solidariedade, a honestidade e a importância do trabalho e da amizade, teve numerosas edições, já tendo vendido mais de 50 milhões de cópias em todo o mundo. Foi traduzida para mais de 20 idiomas e adaptada para o teatro e o cinema. Mais recentemente, inspirou também a série Anne com E, já com três temporadas na Netflix.

Quem assistiu a série Anne with an E na NETFLIX, com certeza se apaixonou por essa ruiva falante, sonhadora e poética! E desse encantamento pela série, surgiu naturalmente a minha vontade de ler os livros. O primeiro é Anne de Green Gables, no qual as três temporadas foram inspiradas. 

A escritora, Lucy Maud Montegomery (1874-1942) perdeu sua mãe aos 2 anos de idade e foi morar com seus avós idosos e encontrou apoio na sua imaginação fértil, na natureza e na escrita (já viu essa história?) . Em 1905 ela escreveu Anne de Green Gables, mas só conseguiu publicá-lo dois anos depois e foi um grande sucesso. 

Anne é uma garota órfã que depois de morar em lares adotivos (que a fizeram de empregada) e no orfanato, foi enviada para Green Gables para ser adotada pelos irmãos Marilla e Mattew. Eles na verdade pediram para o orfanato enviar um rapaz que pudesse ajudá-los nas obrigações da fazenda, mas por um engano (ou não?) é a falante Anne quem está na estação a espera de Mattew. Sem saber o que fazer, ele a leva para casa para que sua irmã decida o destino da garota. O que ele não contava é que no caminho seu coração já se abriria para a menina que não parou um segundo de falar e de maravilhar com a cada pedacinho da natureza a sua frente.

"Não é maravilhoso pensar em todas as coisas que ainda temos que aprender? Isso só me faz sentir feliz por estar viva... o mundo é tão interessante... Não ia ser nem metade tão interessante se a gente soubesse tudo sobre todas as coisas, não acha? Não iam existir muitas oportunidades para a imaginação, não e? As pessoas sempre dizem que eu falo demais.O senhor prefere que eu fique calada?"

"Minha vida é um cemitério de esperanças enterradas". Li essa frase num livro uma vez, e sempre que estou desapontada por algum motivo, repito isso para mim mesma, para me consolar.

De início Marilla não aceita ficar com Anne, mas depois de conhecer um pouco a sua triste história, seu coração vai amolecendo e ela deixa a menina ficar. Anne começa a viver em Green Gables, frequentar a escola, fazer amigos e arrumar confusão a todo momento. O primeiro livro narra a vida de Anne até seus 16 anos, com desafios de auto aceitação e de encontrar seu lugar na comunidade. Ela odeia seu cabelo ruivo, suas sardas e se sente feia perto das amigas da escola. Mas ela é inteligente, esperta e cativante! 


Para quem assistiu a série, o livro é bem diferente. Podemos dizer que a série se baseou na essência dos personagens, mas criou cenários mais dinâmicos e com temas que no início do século XX, dificilmente uma jovem escritora se arriscaria. Homossexualismo, lutas feministas, mulheres independentes são alguns exemplos.

Outra coisa que senti falta nesse livro é a amizade entre Anne e Gilbert, além das aventuras desse fora de Avonlea, de suas aspirações pela medicina e de sua amizade incrível com Sebatian (outro personagem que não temos no livro). Anne e Gilbert formam um casal cativante, enquanto no livro eles são apenas rivais nos estudos e inimigos quase declarados (pelo menos por enquanto, no próximo livro acredito que tudo vai mudar). 

Quem espera que o livro seja igual a sua adaptação irá sentir falta daquela sequência de acontecimentos importantes que movimentam a cidade. A história escrita tem um ritmo mais lento, com mais detalhes. É uma leitura gostosa que me deu a sensação de um reencontro com aquela ruivinha cativante. 

Após três temporadas e apesar do enorme sucesso entre os fãs, a série foi cancelada, mas há rumores de uma quarta temporada produzida pela própria Netflix que teria comprado os direitos da história. 
Vamos aguardar. 

Alguns dos personagens do livro em suas versões para a televisão:

Anne, Marilla e Mattew

Anne e sua amiga do peito, Diana

Gilbert e Anne