26 de out de 2018

Resenha: As filhas do Capitão

As filhas do Capitão
Maria Dueñas

Planeta, 2018
SINOPSE
Nova York, 1936. A pequena taberna El Capitán é inaugurada na rua Catorze, um dos redutos da colônia espanhola que então reside na cidade. A morte acidental de seu proprietário, o inconsequente Emilio Arenas, força suas indomáveis filhas a tomarem conta do negócio, enquanto nos tribunais é negociado o pagamento de uma promissora indenização.

Abatidas e atormentadas pela necessidade urgente de sobrevivência, as temperamentais Victoria, Mona e Luz Arenas irão trilhar seus caminhos entre arranha-céus, compatriotas espanhóis, adversidades e amores, determinadas a transformar um sonho em realidade.

De leitura ágil, envolvente e tocante, As filhas do capitão acompanha a história dessas três jovens forçadas a atravessar um oceano, se estabelecer em uma deslumbrante cidade e lutar para encontrar seu caminho. Uma homenagem às mulheres que resistem quando os ventos sopram em sentido contrário e a todos os que viveram – e vivem – a aventura, muitas vezes épica e quase sempre incerta, da emigração.

As Filhas do Capitão é o quarto livro escrito pela espanhola Maria Dueñas e publicado no Brasil pela Editora Planeta. O mais famoso deles é O Tempo entre costuras que foi adaptado para a televisão e está disponível na NETFLIX. Mas vamos falar de seu último romance, lançado recentemente no Brasil: a história de três jovens espanholas que emigram para os Estados Unidos contra a sua vontade.

Victoria, Mona e Luz Arenas, as filhas do capitão. Espanholas e com uma criação humilde, as jovens são forçadas a emigrarem para os Estados Unidos nos anos 30 quando seu pai resolve se estabelecer em Nova York. Criadas pela mãe devido a frequente ausência do pai, elas chegam à Nova York contrariadas e dispostas a voltar para seu país na primeira oportunidade. Não se importam em aprender a língua local e nem se inteirar dos costumes ou conhecer a cidade. Sua mãe, uma pessoa rígida, amargurada pela vida, aceita o destino imposto pelo marido e o apoia na abertura de um singelo restaurante chamado El Capitan (daí que surge o apelido de Capitão do pai das jovens).

Tudo muda quando o pai morre precocemente em um acidente no porto e as quatro, de repente, estão sozinhas e cheias de dívidas. Apesar da companhia marítima oferecer uma indenização pelo acidente, a família Arenas decide ficar na cidade e tentar uma indenização maior para voltarem a seu país e poderem tocar a vida. E é nesse ponto que a história dá seu grande destaque à vida e personalidade de cada uma das Arenas. Jovens belas e totalmente ignorantes sobre a vida, principalmente naquele país estranho, com uma língua que não compreendem.

A autora criou um cenário perfeito para mostrar aos leitores a vida dos imigrantes espanhóis daquela época. Encontramos durante a leitura, diversos personagens que compõem a colônia espanhola, com seus valores e orgulho da cultura de sua pátria. 

As Arenas até então inseparáveis, começam a trilhar caminhos diversos empurradas pela necessidade financeira e o desejo de retornar. As jovens surpreendem por sua força, principalmente Mona, a Arenas do meio, que muitas vezes toma a frente das situações e orienta as irmãs nas decisões importantes. 

Gostei muito da leitura e da construção dos personagens. Foram descritos na medida certa e com atitudes coerentes para o perfil criado. As filhas do Capitão mostra além das dificuldades dos imigrantes, a capacidade feminina de superar as mais doloridas dificuldades e agressões. A capacidade de ir pra frente contra tudo, aceitar alguns momentos em que a luta não está a seu favor e buscar um novo caminho na primeira oportunidade. Mulheres de 1930, mas nem tanto...

Quer saber mais sobre a escritora? Assista essa Entrevista com a escritora com cinco perguntinhas sobre o livro. Para ler um trecho do livro gratuitamente, clique aqui

E esses são os primeiros livros escritos por ela:


22 de out de 2018

Resenha: Manual prático de bons modos em livrarias

Manual prático de bons modos em livrarias
Lilian Dorea
2013, Seoman

SINOPSE:
Em 2011 a livreira Lilian Dorea criou o blog [manual prático de bons modos em livrarias], para revelar histórias saborosas e hilárias de seus atendimentos em livrarias. O sucesso foi imediato e ela passou a receber relatos de outros livreiros. Agora, transformado em livro, ela reúne os melhores “causos” do blog, histórias inéditas, curiosidades, dicas de livros, blogs, sites e, claro, livrarias e sebos. Se você quiser evitar ser o novo protagonista de um post do [manual prático de bons modos em livrarias] é melhor ler este livro com toda atenção e aprender a “etiqueta” das livrarias.

Uma amiga me indicou esse livro quatro anos atrás, mas nunca fui atrás de comprá-lo. Até que eu estava lá, enchendo o carrinho de compras no site de Amazon, e dei de cara com ele; comprei!
Posso dizer que me arrependi de não ter lido antes, pois o tanto de risada que eu dei durante a leitura não dá pra medir.
Manual prática de bons modos em livrarias foi escrito por uma ex-livreira que também criou o blog que leva o mesmo nome (e você pode acessá-lo  aqui). Através de pequenas “esquetes”, elas conta as conversas mais loucas, absurdas e inesperadas que acontecem entre um cliente e um vendedor dentro de uma livraria.
É cliente que não lembra o título do livro, nem o nome do autor e nem histórias, mas quer que o livreiro encontre a obra mesmo assim. E também tem os livreiros que confundem os autores mais diferentes possíveis.
Com um humor ácido e sincero, muita ironia e bastante jogo de cintura, a autora  montou um manual completo sobre como nos comportar em livrarias, não importa se você está comprando ou vendendo.
Escolhi um dos meus trechos favoritos para ilustrar para você o que eu estou falando:

Freguesa: Mocinha, por favor, você tem esse livro, só que em roxo?
(Sim, a freguesa estava apontando para O Livro Vermelho, aquele do Jung, aquele que é vermelho, e só vermelho, e por isso se chama O Livro Vermelho.)
Livreira: Como assim, minha senhora?
Freguesa: Então, é que eu estou decorando um ambiente e preciso de três metros de livros roxo. Tem como você me arranjar esse livro grandão, só que roxo?

Você já passou por alguma situação parecida? Se sim, conte para nós aqui nos comentários!

7 de out de 2018

Resenha: Queria ter ficado mais

Foto: Luis Gomes
extraída do site http://www.lote42.com.br/queriaterficadomais/livro
Queria ter ficado mais
Organização: Cecilia Arbolave
Ilustração: Eva Uviedo
2015, Lote 42

Queria ter ficado mais reúne 12 histórias escritas por mulheres em diferentes cidades do mundo - da vizinha Buenos Aires à longínqua Tóquio. São viagens que vêm dentro de envelopes, como cartas enviadas de diversosj potnos do globo para um único destinatário: você. 
Textos de: Barbara Hecker, Bruna Tiussu, Cecília Araújo, Cecília Arbolave, Clara Averbuck, Clara Vanali, Florencia Escudero, Isis Gabriel, Ligia Braslauskas, Lívia Aguiar, Luciana Breda e Olívia Fraga.

Sei que falo isso de quase todos os livros que leio, mas Queria ter ficado mais  estava na minha lista de desejo há muito tempo! Fiquei atraída por ele muito antes de saber sobre o que ele fala; o que foi paixão à primeira vista foi o projeto gráfico.
Esse “livro” é formado por doze cartas. Cada uma tem o seu envelope ilustrado, cada uma é de uma autora, cada uma se passa em um lugar do mundo e cada uma mexe com o leitor de alguma maneira.

Foto: Luis Gomes
extraída do site http://www.lote42.com.br/queriaterficadomais/livro
As cartas – de, aproximadamente, 10 páginas cada – contam experiências de viagens marcantes das autores escolhidas. Durante a leitura, viajei pelo mundo inteiro, de Buenos Aires a Tóquio, em diferentes anos, épocas e através de visões distintas do mundo.
Esse último ponto é o mais curioso, com certeza. Como cada carta é de uma autora, em um local ou uma situação única, me deixei imaginar como eu me sairia naquelas situações... desde encontros improváveis a aventuras inimagináveis. Inclusive fiquei pensando em escrever a minha própria carta de viagem e, depois de muito pensar, decidi que escreveria sobre Barcelona.

Foto: Luis Gomes
extraída do site http://www.lote42.com.br/queriaterficadomais/livro

Além de muito bem escritas e de transmitirem um sentimento verdadeiro, as cartas também despertam o nosso espírito aventureiro e a vontade de sair pelo mundo colecionando carimbos no passaporte, memórias e experiências.




Se não ficou convencido, vale conferir o site que a Lote42 criou, na época do lançamento, especialmente para o livro com várias informações e fotos incríveis para deixá-lo com mais vontade ainda de ler: http://www.lote42.com.br/queriaterficadomais
Queria ter ficado mais terá um espaço especial na estante... queria ter ficado mais tempo lendo...