30 de jun de 2017

Resenha: Trinta e poucos

Trinta e poucos
Antonio Prata
Companhia das Letras, 2016

SINOPSE:

Mais que qualquer escritor em atividade, Antonio Prata é cultor do gênero -consagrado por gigantes do porte de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Nelson Rodrigues - que fincou raízes por aqui: a crônica.

Pode ser um par de meias, uma semente de mexerica, uma noite maldormida, a compra de um par de óculos, a tentativa de fazer exercícios abdominais. Quanto mais trivial o ponto de partida, mais cheio de sabor é o texto, mais surpreendente é a capacidade de extrair sentido e lirismo da aparente banalidade.
Trinta e poucos traz crônicas selecionadas pelo próprio autor a partir de sua coluna na Folha de S.Paulo. Um mosaico com os melhores textos do principal cronista do Brasil.


Pensem naquele livro maravilhoso que desperta sorrisos a cada parágrafo. Eu pensei no Trinta e poucos.


Antonio Prata conseguiu, mais uma vez, juntar comédia, sensibilidade e uma escrita impecável em uma obra literária. Em Nu, de botas, o autor trabalha sobre a sua infância e em Trinta e poucos, como diz o nome, é a fase adulta.

Como já é característica do autor, é um livro de crônicas leves, engraçadas e muito envolventes. Para Antonio Prata, qualquer acontecimento, por mais leviano que seja, pode se transformar numa história incrível e que vai prender o leitor do início ao fim.
Claro que o humor é um traço muito forte nessa escrita, mas o autor fala (e muito bem!) sobre amor, amadurecimento, relações pessoais e desafios da vida adulta.

Quando terminei de ler, eu tinha um sorriso no rosto e o desejo que a obra tivesse mais páginas. É daqueles que você não consegue parar de ler, mas não quer que acabe.
Indico para jovens e adultos que estão procurando uma leitura para as férias ou para ler no caminho do trabalho. 
Não vão se arrepender!

27 de jun de 2017

Livrarias portuguesas famosas - Parte 2 - Lello

Fachada - imagem extraída da internet
A centenária Livraria Lello está localizada em Porto. Fundada em 1906 pelos irmãos José e Antonio Lello, é reconhecida como a terceira livraria mais linda do mundo! E eu concordo... é linda mesmo.

A livraria tem uma relação com a escritora J.K.Rowling. Apesar dela não comentar muito sobre o tempo que morou em Porto, dizem que ela frequentava a livraria enquanto finalizava o primeiro livro da saga Harry Potter e a usou como inspiração para criar a "Floreios e Borrões", loja em que os bruxos compravam seus livros antes de irem para Hogwarts. Dizem ainda, que J.K. muito se inspirou na cidade portuguesa ao criar o universo mágico de HP. As suas obras tem um local de destaque na livraria.

Porém, toda a fama trouxe um excesso de visitantes para o espaço tornando praticamente impossível explorar seu acervo. São turistas e mais turistas se espremendo pelos corredores! Hoje a livraria até cobra uma entrada de 4 euros que são dedutíveis no caso de compras. 

No dia da nossa visita está lotada, dificultando o registro adequado por fotos, mas tentamos:









Teve até visita ilustre!

Aqui o cantinho especial com as obras do universo Harry Potter:









Mas para comprovar a real beleza da livraria, vejam essas imagens disponíveis na internet e registradas sem o alvoroço dos turistas.
É mesmo linda, ou não?







Não podia faltar a selfie kkk


26 de jun de 2017

Resenha: Garota em pedaços

Garota em Pedaços
Kathleen Glasgow
2017, Planeta

SINOPSE:
Quando o plano de saúde de sua mãe suspende seu tratamento numa clínica psiquiátrica – para onde foi após se cortar até quase ficar sem vida –, Charlotte Davis troca a gelada Minneapolis pela ensolarada Tucson, no Arizona (EUA), na tentativa de superar seus medos e decepções. Apesar do esforço em acertar, nessa nova fase da vida ela acaba se envolvendo com uma série de tipos não muito inspiradores.
Cansada de se alimentar do sofrimento, a jovem se imbui de uma enorme força de vontade e decide viver e não mais sobreviver. Para fugir do círculo vicioso da dor, Charlotte usa seu talento para o desenho e foca em algo produtivo, embarcando de cabeça no mundo das artes. Esse é o caminho que ela traça em busca da cura para as feridas deixadas por suas perdas e os cortes profundos e reais que imprimiu em seu corpo. 

Garota em pedaços.. só de ler a sinopse já dó um nó no estômago ao imaginar o que nos espera nas 383 páginas desse romance de estréia da escritora Kathleen Glasgow, publicado pela Editora Planeta esse ano. Confesso que demorei um pouco para iniciar a leitura, fui deixando de lado, passando outros na frente, pois não queria uma história pesada. Mas quando eu comecei... não larguei mais. O tema é pesado sim, mas a escritora foi genial na sua narrativa. Ela conseguiu expor um tema complicado, repleto de preconceitos e julgamentos de uma forma que chegou um pouco mais suave ao leitor. Um narrativa que chega a ser poética por diversas vezes. Ela me conquistou. 

A história começa com Charlotte internada em uma clínica para pessoas que praticam automutilação e aos poucos vamos conhecendo mais da personagem, ao passo que ela vai se recordando de tudo o que viveu e que a levou até ali. Já temos ai o primeiro impacto: a vida de Charlotte foi toda errada e uma sucessão de acontecimentos a transformou em uma garota triste e sem futuro. No nosso dia a dia, chegamos a ser críticos com jovens que se perdem, que se deixam levar por vícios ou por fraquezas e quando nos deparamos com um história como a de Charlotte, que é uma ficção, mas expõe o que muitos jovens vivem, percebemos que pode sim um jovem se anular completamente a ponto de ser alvo fácil para traficantes, cafetões ou sociopatas.

Charlotte sofreu com a morte do pai, com a violência da mãe, com a escolha em morar na rua e viver do lixo, com o desamparo e o abuso. Buscou na automutilação uma força para continuar. É como se de toda a dor que o mundo impõe a ela, se cortar é só mais uma, e pelo menos essa dor, ela escolhe quando sentir.  E ela faz isso até quase morrer. Passada a agressão e curados os ferimentos, ficam as cicatrizes que a marcam para sempre e a tornam ainda menor, pois diante do mundo ela não tem coragem de mostrar seu corpo. São braços e pernas que contam sua história ao mundo. Se sente feia, deformada e impossível de ser amada. O que foi um pequeno alívio, se torna uma sentença para a vida toda. 

Quando sai da clínica, Charlotte teme não ter forças para seguir os passos que lhe foram ensinados durante o tratamento, dá algumas escorregadas e mantém sempre por perto seu "kit do amor", como ela chama sua caixinha com cacos de vidro e materiais para curativos. Mas ela segue em frente, arruma um trabalho, tenta namorar. Infelizmente, Riley é alguém tão ferrado quanto ela e que ao invés de a levar para longe dos perigos, a coloca mais ainda em tentação. E tentação é o que não falta para ela, que tem a vontade de se cortar sempre rondando seus pensamentos. Seu único refúgio é sua arte: ela desenha muito bem e pode ser essa a luz no fim do túnel.

A história tem outros personagens interessantes, como Blue, a amiga de Charlotte que vivia também na clínica, Ariel, a artista plástica que reconhece a dor na garota por ter ela também uma história familiar que não acabou bem. Mikey, o amigo que ofereceu ajuda quando nem a mãe se propõe a estar perto, entre outros. 

Esse livro me emocionou, me fez refletir e mudar a forma como vejo (e julgo!) algumas situações. Foi uma leitura gratificante.

No final, na "Nota da autora" entendemos o motivo de Kathleen falar com tanto sentimento sobre a vida de Charlotte: ela mesma tem sua pele marcada pela automutilação!

Garota em pedaços, eu recomendo!

21 de jun de 2017

Livrarias portuguesas famosas - Parte 1 - BERTRAND

Recentemente, tivemos a oportunidade de conhecer duas livrarias de Portugal famosas: a Bertrand e a Lello. 

A livraria Bertrand é a maior rede de Portugal, mas o que a faz especial é sua data de inauguração de sua unidade mais antiga: 1732!

Em 1732 a primeira livraria foi inaugurada na esquina da Rua Direita do Loreto com a Rua do Norte em Lisboa, mas após o terremoto de 1755 que destruiu grande parte da cidade, ela reabriu no endereço que ocupa até hoje, na rua Garret.
Reconhecida como a mais antiga do mundo, continua a encantar leitores e turistas que tem parada obrigatória lá. 


Foto extraída da internet 


Seu acervo é muito bem organizado e os espaços de circulação permitem ao leitor explorar os títulos com tranquilidade. Ela está dividida em salas, ligadas por corredores que dão um charme a mais ao local. 

Vejam as fotos que tiramos em nossa visita:


Fachada da loja localizada na Rua Garret


As salas interligadas pelos corredores






Ficou curioso? Confira também o vídeo publicado pelo Eduardo do Viver Lisboa Tours em sua página no facebook: Bertrand por Viver Liboa Tours .

Conheça mais sobre a história no site da livraria:  http://www.grupobertrandcirculo.pt/quem-somos/historia/



Resenha: Vocação para o Mal

Vocação para o Mal
Robert Galbraith
Rocco, 2016

SINOPSE:

Quando um misterioso pacote é entregue a Robin Ellacott, ela fica horrorizada ao descobrir que contém a perna decepada de uma mulher. Seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, fica menos surpreso, mas não menos alarmado. Há quatro pessoas de seu passado que ele acredita que poderiam ser responsáveis por tal crime – e Strike sabe que qualquer uma delas seria capaz de tamanha brutalidade. Mas quando a polícia foca no suspeito que Strike tem cada vez mais certeza de que não é o criminoso, ele e Robin precisam correr contra o tempo para descobrir a verdade.


Terceiro livro da aclamada série escrita por Robert Galbraith, pseudônimo de J. K. Rowling, e protagonizada pelo detetive particular Cormoran Strike e por sua assistente Robin Ellacott, Vocação para o mal é um suspense diabolicamente inteligente, com reviravoltas inesperadas a cada página, e também a emocionante história de um homem e de uma mulher numa encruzilhada em suas vidas pessoais e profissionais. O livro estreou em segundo lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times e alcançou os principais rankings nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Sou fã assumida da JK Rowling, quer ela escreva com seu nome ou com pseudônimo! E adoro as aventuras do polêmico detetive Cormoran Strike, protagonistas nos livros escritos por ela com o nome de Robert Galbraith.

Nesse terceiro livro, Cormoran vê sua assistente Robin ameaçada quando recebe um caixa contendo uma perna humana! Isso mesmo, uma perna feminina. Imediatamente, Cormoran pensa em três possível pessoas que poderiam ter cometido esse crime e enviado a perna para ele (apesar da destinatária ser Robin, fica claro que o criminoso quer atingir Strike).

Paralela a fraca investigação da polícia, Strike e Robin fazem sua própria investigação dos suspeitos, enquanto acompanham a queda do escritório do detetive. A publicidade obtida com o recebimento de um membro humano não é nada positiva para o escritório e os clientes se afastam rapidamente.

Como se não bastasse todo esse drama, Robin vive outro em sua vida pessoal: com casamento marcado com Matthew, ela ainda tem muitas dúvidas quanto ao seu destino e as cenas de ciúmes do noivo com relação a Strike não ajudam em nada.

Vocação para o mal é mais uma história bem construída que vai levando o leitor página a página para o desfecho, que não chega a surpreender, mas é bem consistente.

Quanto a vida pessoal de Robin, só lendo para saber se ela se casou ou se deixou levar pelos sentimentos não revelados que sente por Strike...

1 de jun de 2017

Resenha: Harry Potter e a criança amaldiçoada

HARRY POTTER E A CRIANÇA AMALDIÇOADA
Partes um e dois
J.K.Rowling
Rocco, 2016

SINOPSE:
Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. 

Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. 

À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.


Dezenove anos depois....

Elenco da peça
Esse livro, chamado de o oitavo da série Harry Potter, é na verdade um roteiro da peça teatral de Jack Thorne que teve sua estréia em julho de 2016 em Londres. Por se tratar de um roteiro de ensaio, a história é dividida em atos com uma pequena descrição para ambientar a cena, seguida dos diálogos. No início é um pouco estranho ler dessa forma, mas rapidinho isso deixa de incomodar e a leitura flui.
A história tem início no ponto em que terminou HP e as relíquias da morte, 19 anos após a batalha de Hogwarts, quando o filho de Harry com Gina, Alvo Severo Potter está embarcando pela primeira vez para ir a Escola de Magia. Atormentado com a ideia de que seja escolhido para a Sonserina, Alvo logo se aproxima de Escórpio, filho de Draco Malfoy. A amizade dos dois não é bem vista pela família Potter, principalmente quando o nome de Voldemort volta a circular no mundo mágico. A trama gira em torno de Alvo, Escópio, da ameaça da volta do mal e da conturbada relação de Harry com seu filho.

Confesso: foi uma delícia poder voltar ao universo HP e "rever" alguns de seus personagens mais marcantes. Apesar de ter lido muitas críticas ao livro, eu gostei muito. Acredito que muitos leitores iniciaram o livro pensando em uma continuação da escrita da JK e estranhou o formato roteiro, sem todos aqueles detalhes incríveis que só ela consegue colocar na história sem deixar maçante. 

E o que falar da edição brasileira feita pela Rocco? Simplesmente sensacional! Capa dura preta com uma sobrecapa em tons de amarelo/dourado linda! Nota 10 para a edição!