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27 de nov. de 2018

Resenha: Mythos

MYTHOS
As melhores histórias de heróis, deuses e titãs


Stephen Fry
Minotauro, 2018

SINOPSE:

Ninguém é capaz de amar e brigar, desejar e iludir com tanta ousadia e brilho quanto os deuses e as deusas da mitologia grega. Rabiscando suas histórias maravilhosas pelos céus, eles no fundo são como nós... só muito mais intensos e poderosos.


Entre muitos outros episódios, nestas páginas estão:
• o nascimento de Afrodite (depois de um péssimo dia na vida do titã Urano);
• a incrível jornada de Perséfone aos reinos sombrios de Hades;
• o crime hediondo e o terrível castigo eterno de Prometeu;
• as consequências da curiosidade de Pandora, incapaz de manter fechado seu jarro repleto de tormentos.
Os deuses gregos representam o que há de bom e mau em todos nós. Pelas mãos de Stephen Fry, neste livro inteligente, engraçado e, acima de tudo, divertido, eles nos revelarão quem somos de verdade.


Mitologia? A-d-o-r-o! 
Então imagina se tive dúvidas quando vi esse livro? Mythos foi escrito pelo ator e comediante britânico Stephen Fry, um apaixonado por mitologia. Nesse livro você vai encontrar as melhores histórias contadas de um jeito diferente, regada com um toque especial de humor. É impossível não gostar. 

E para quem está iniciando no tema, não se assuste: a narrativa tem início lá no comecinho de tudo, com o Caos, a Primeira Ordem, a Segunda Ordam, os Titãs (desses, com certeza, você já ouviu falar). O nascimento dos Olimpianos... e a criação dos brinquedinhos de Zeus, nós humanos! Tem Zeus, Apolo, Artemis Afrodite, Atena, Hades, Ares, Hermes e muito mais. Tudo contado de maneira simples e fascinante. 

Para quem já esta familiarizado com assunto, Mythos é uma um jeito divertido de rever os mais marcantes mitos, com referências a personagens contemporâneos (até Percy Jackson é lembrado), a mitologia romana e notas de rodapé realmente esclarecedoras e fundamentais para um entendimento mais amplo. 

Mythos é uma uma indicação de leitura que faço com muito prazer! 

26 de out. de 2018

Resenha: As filhas do Capitão

As filhas do Capitão
Maria Dueñas

Planeta, 2018
SINOPSE
Nova York, 1936. A pequena taberna El Capitán é inaugurada na rua Catorze, um dos redutos da colônia espanhola que então reside na cidade. A morte acidental de seu proprietário, o inconsequente Emilio Arenas, força suas indomáveis filhas a tomarem conta do negócio, enquanto nos tribunais é negociado o pagamento de uma promissora indenização.

Abatidas e atormentadas pela necessidade urgente de sobrevivência, as temperamentais Victoria, Mona e Luz Arenas irão trilhar seus caminhos entre arranha-céus, compatriotas espanhóis, adversidades e amores, determinadas a transformar um sonho em realidade.

De leitura ágil, envolvente e tocante, As filhas do capitão acompanha a história dessas três jovens forçadas a atravessar um oceano, se estabelecer em uma deslumbrante cidade e lutar para encontrar seu caminho. Uma homenagem às mulheres que resistem quando os ventos sopram em sentido contrário e a todos os que viveram – e vivem – a aventura, muitas vezes épica e quase sempre incerta, da emigração.

As Filhas do Capitão é o quarto livro escrito pela espanhola Maria Dueñas e publicado no Brasil pela Editora Planeta. O mais famoso deles é O Tempo entre costuras que foi adaptado para a televisão e está disponível na NETFLIX. Mas vamos falar de seu último romance, lançado recentemente no Brasil: a história de três jovens espanholas que emigram para os Estados Unidos contra a sua vontade.

Victoria, Mona e Luz Arenas, as filhas do capitão. Espanholas e com uma criação humilde, as jovens são forçadas a emigrarem para os Estados Unidos nos anos 30 quando seu pai resolve se estabelecer em Nova York. Criadas pela mãe devido a frequente ausência do pai, elas chegam à Nova York contrariadas e dispostas a voltar para seu país na primeira oportunidade. Não se importam em aprender a língua local e nem se inteirar dos costumes ou conhecer a cidade. Sua mãe, uma pessoa rígida, amargurada pela vida, aceita o destino imposto pelo marido e o apoia na abertura de um singelo restaurante chamado El Capitan (daí que surge o apelido de Capitão do pai das jovens).

Tudo muda quando o pai morre precocemente em um acidente no porto e as quatro, de repente, estão sozinhas e cheias de dívidas. Apesar da companhia marítima oferecer uma indenização pelo acidente, a família Arenas decide ficar na cidade e tentar uma indenização maior para voltarem a seu país e poderem tocar a vida. E é nesse ponto que a história dá seu grande destaque à vida e personalidade de cada uma das Arenas. Jovens belas e totalmente ignorantes sobre a vida, principalmente naquele país estranho, com uma língua que não compreendem.

A autora criou um cenário perfeito para mostrar aos leitores a vida dos imigrantes espanhóis daquela época. Encontramos durante a leitura, diversos personagens que compõem a colônia espanhola, com seus valores e orgulho da cultura de sua pátria. 

As Arenas até então inseparáveis, começam a trilhar caminhos diversos empurradas pela necessidade financeira e o desejo de retornar. As jovens surpreendem por sua força, principalmente Mona, a Arenas do meio, que muitas vezes toma a frente das situações e orienta as irmãs nas decisões importantes. 

Gostei muito da leitura e da construção dos personagens. Foram descritos na medida certa e com atitudes coerentes para o perfil criado. As filhas do Capitão mostra além das dificuldades dos imigrantes, a capacidade feminina de superar as mais doloridas dificuldades e agressões. A capacidade de ir pra frente contra tudo, aceitar alguns momentos em que a luta não está a seu favor e buscar um novo caminho na primeira oportunidade. Mulheres de 1930, mas nem tanto...

Quer saber mais sobre a escritora? Assista essa Entrevista com a escritora com cinco perguntinhas sobre o livro. Para ler um trecho do livro gratuitamente, clique aqui

E esses são os primeiros livros escritos por ela:


24 de jul. de 2018

Resenha: Não chore, não

Não chore, não
Mary Kubica
2018, Planeta

SINOPSE:

No centro de Chicago, a jovem Esther Vaughan desaparece de seu apartamento sem deixar vestígios. Uma carta sombria dirigida a “Meu bem” é achada entre seus pertences, deixando sua colega de apartamento, Quinn Collins, se perguntando onde a amiga estaria e se ela era - ou não - a pessoa que Quinn achava que conhecia.

Enquanto isso, em uma pequena cidade de porto de Michigan, uma mulher misteriosa aparece no tranquilo café onde Alex Gallo trabalha lavando pratos. Ele é atraído imediatamente pelo seu charme e beleza, mas o que começa como uma paixão inofensiva rapidamente se transforma em algo mais sinistro...

Não chore, não é da mesma autora de A garota perfeita (leia sobre esse livro aqui), Mary Kubica e conta a história do desaparecimento de uma jovem em Chicago, Esther Vaughan e da pacata vida de Alex Gallo que se interessa por uma estranha que surge em sua cidade. 

A história é contada do ponto de vista da colega de quarto de Esther, Quinn alternando com a narração de Alex. Quinn acorda um dia e percebe que sua amiga não está no apartamento e que, aparentemente, ela saiu pela janela do quarto dela deixando-a aberta. A garota demora a tomar uma atitude e fica esperando Esther voltar, achando que existe alguma explicação para o comportamento anormal de sua colega. Confesso que essa postura de Quinn me incomodou muito... não é normal uma pessoa ficar tão tranquila com o desaparecimento de alguém. 

Alex Gallo é o único jovem de sua turma que não foi para faculdade, ficando em casa com o pai problemático. Ele trabalha como lavador de pratos em uma lanchonete e leva uma vida sem qualquer emoção, até que uma bela  jovem entra e se senta perto da janela, observando misteriosamente as casas do outro lado da calçada. Alex de imediato se interessa pela garota e passa a observa-la a distância e até a segui-la. 

Os capítulos do livro são curtos, mas o início do livro acaba sendo meio arrastado. Fica alternando entre Quinn não fazendo quase nada para encontrar Esther e Alex querendo saber mais da garota, mas também fazendo pouco para isso. Eu cheguei a me desmotivar no início, mas persisti e garanto que valeu muito a pena. A história toma um rumo totalmente inesperado e tenso. Se eu tivesse me deixado levar pelas primeiras impressões, teria perdido um desfecho intenso que fez valer toda a leitura. 

Não chore, não trata de temas difíceis como maldade, abandono e escolhas difíceis. 
Minha dica é: leia esse livro! Insista caso o início não pareça promissor... garanto que valerá a pena cada página virada!

A edição está muito bonita, com uma bela capa e com as páginas naquele tom amarelinho suave do jeitinho que a gente gosta e não cansa os olhos! 

30 de mai. de 2018

Resenha: DOCE LAR

DOCE LAR
Tillie Cole
2018, Essência

SINOPSE:
os vinte anos, Molly Shakespeare acha que já sabe de tudo.
Ela leu Descartes e Kant.
Ela estudou em Oxford.
Ela sabe que as pessoas que te amam também te deixam.

Mas quando Molly se muda da cinzenta Inglaterra para começar uma nova vida nos Estados Unidos, ela descobre que ainda tem muito a aprender. No Alabama os verões são mais quentes, as pessoas mais intimidantes e os alunos de sua nova escola muito mais viciados em futebol.

Após conhecer o famoso quarterback Romeu Prince, Molly só consegue pensar em seus olhos castanhos, cabelos loiros, físico perfeito... e em como sua vida tranquila e solitária parece estar a ponto de mudar drasticamente.

Doce Lar o é primeiro livro da série Sweet da escritora Tillie Cole. Seu lançamento no Brasil foi muito esperado pelos fãs da escritora que já a conheciam por Mil beijos de garoto. Seu lançamento contou até com uma polêmica nas redes sociais: quando a Editora Planeta divulgou a capa do livro, os fãs protestaram e pediram a capa original, apesar da usada ter sido aprovada pela própria Tillie. Mas a editora atendeu aos fãs e trocou a capa! Nota 10 para a Planeta que ouviu seus leitores! Eu, particularmente, tinha gostado da capa inicial, mas vamos a história.

Doce Lar é um romance new adult e conta a história da inglesa Molly que após tragédias familiares, chega aos Estados Unidos para estudar para seu mestrado em filosofia e lá conhece Rome, o atleta famoso da universidade, lindo e explosivo... ai você vai pensar: seria um Maddox? Não, apesar de todas as características, Rome não veio de uma sofrida e carinhosa família como Maddox, pelo contrário, ele é o único herdeiro de uma magnata do petróleo e tem um péssimo relacionamento com seus pais. Mas as semelhanças com os irmãos Maddox me incomodaram um pouco. Sabe aquela história do moço lindo, popular e briguento que se apaixona por uma garota e larga a vida de garanhão por ela? É assim também em Doce Lar. 

Até o meio do livro eu não me empolguei muito, mas depois as coisas começam a complicar e uns dramas mais pesados enriquecem a historia, tornando-a mais densa. E nesse ponto também o romance entre os protagonistas se intensifica e as cenas entre eles passam a ser bem quentes... E bota quente nisso! Embora Romeo Prince seja totalmente apaixonado por Molly e a protege a qualquer custo, ele assume uma postura dominadora durante o sexo que ela aceita sem reservas e isso pode incomodar as leitoras. Molly vê tudo que vem de Romeo com um romantismo que chega a ser ingênuo. E ele é o cara com a mente ferrada que encontra na garota sua salvação. 

Para saber o desenrolar dessa história só lendo mesmo. O que eu garanto é que a história que começa com certa superficialidade, se torna intensa  com um drama familiar dos mais complicados. São dois protagonistas com traumas de um passado dramático que se encontram e lutam para ficarem juntos. 

Os amigos do casal são os protagonistas dos demais livros da série. Sweet Fall trás Lexi e Austin; em Sweet Hope, Ally e Axel e para finalizar, Sweet Soul com Levi e Elsie. A série ainda conta com Sweet Rome que é a história do primeiro volume contada por Romeo.

Essas são as capas originais de série toda:




25 de abr. de 2018

RESENHA: CANÇÃO DE NINAR

Canção de Ninar
Leïla Slimani
Tusquets/Planeta/2018

SINOPSE:
Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. 

Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. 

Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França, Canção de ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês.

Canção de Ninar é uma história inquietante que já no início diz a que veio. Já na primeira frase, o leitor encontra ali o maior medo de todos os pais: a morte dos filhos. "O bebê está morto". E segue narrando o trabalho da polícia ao chegar ao apartamento onde Myriam e Paul viviam com os filhos Mila e Adam. 

Myriam era uma advogada promissora quando abandonou a carreira para cuidar de sua primeira filha, Mila, com total apoio do marido. Com a chegada do caçula, Adam, Myriam se vê cada vez mais envolvida na rotina familiar e afastada da vida profissional. Vista como privilegiada por poder acompanhar a infância dos filhos, não é assim que ela se sente. Mas como uma mãe pode dizer em voz alta que a maternidade não é responsável por 100% de suas realizações? Que ela gostaria de estar trabalhando e não enfiada 24 horas por dia com fraldas, chorros e brincadeiras infantis? Esse é um assunto delicado que a autora propõe para reflexão ao descrever a vida de Myriam. A sociedade cobra um posicionamento das mães, como que fosse absurdo ou falta de amor elas quererem trabalhar e não se dedicarem exclusivamente aos filhos. Dilemas e dúvidas das mães modernas... 

Mas chega o dia em que Myriam decide retomar sua carreira, mesmo não contando com total aprovação do marido. Um casal que nunca deixou as crianças aos cuidados de ninguém, começa um detalhado processo de seleção de babás. Nenhuma satisfaz as exigências dos pais, até que eles entrevistam Louise. A pequena e delicada Louise parece ser um presente do universo para eles. Dedicada, cuidadosa, experiente. Além de cuidar com carinho das crianças, ainda deixa o pequeno apartamento do casal arrumado e faz refeições deliciosas. Os amigos invejam o casal por terem alguém tão competente a serviço deles. E Louise vai cada vez mais se tornando indispensável na vida da família... 

Mas o que prende o leitor pelas 191 páginas, uma vez que no início da história já sabemos que a babá matou as crianças e tentou suicídio? Qual é o grande mistério? Bom, o que me prendeu foi justamente a incoerência de alguém tão dedicado ter atentado contra a vida das crianças pelas quais demonstrava carinho e cuidado. Onde foi que a coisa desandou? Em que momento a loucura de Louise se manifestou e por que? Embora em alguns momentos Louise deixe escapar algumas palavras ou atitudes que poderiam ser um alerta de um comportamento obsessivo, os pais não percebem que algo está errado. 

Canção de Ninar fala também da relação entre patrões e empregados, relações de dependência, diferença entre classes. Todos esses temas são abordados enquanto o leitor é conduzido a longo da história da família até o final trágico. 

Imagem relacionadaA autora, Leila Slimani, é uma escritora marroquina que vive em Londres desde os 17 anos. A inspiração para a tragédia que abate a família no livro veio de um caso real acontecido nos Estados Unidos, onde uma babá matou duas crianças, tentou se matar, mas sobreviveu e foi a julgamento.

Canção de Ninar deu a Leila o Prêmio Goncourt de romance, o mais prestigioso da França, em 2016 e a boa notícia para o leitores brasileiros é que a autora é presença confirmada na Flip 2018 que acontecerá de 25 a 29 de julho em Paraty. 

16 de abr. de 2018

Resenha: Zen para distraídos

Zen para distraídos
Monja Coen e Nilo Cruz
Academia, 2018

SINOPSE:
Viver nos grandes centros urbanos é um convite diário à distração. Manter o foco em tarefas simples, por mais fácil que pareça, se torna impossível com o excesso de informações e afazeres diários. Zen para distraídos aplica conceitos do budismo para melhorar o nosso bem-estar. A partir de práticas de meditação, de conceitos básicos do zen e outras técnicas milenares será possível manter o foco, desenvolver tarefas simples com muito mais concentração, ser mais assertivo, atingir objetivos e muito mais.

O livro Zen para distraídos tem como material o programa Momento Zen apresentado pela Monja Coen na Rádio Mundial. No início do livro é explicado ao leitor como surgiu o programa na rádio e a parceria dela com Nilo Cruz (autor do livro). Tanto o programa como livro tem o objetivo de levar os conhecimentos do Zen Budismo para as pessoas com uma linguagem simples e acessível. 

O livro é gostoso e fácil de ler. São apresentados conceitos básicos do budismo, mas a leitura é indicada para qualquer pessoa que tenha o desejo de viver mais leve, priorizando o aqui e agora, independente de religião. Pessoas que buscam o autoconhecimento, a paz interior, o equilíbrio.

Eu sou praticante de meditação, mas com outras técnicas diferentes das propostas pela monja, mas um ponto em comum em todas as formas de meditação é a importância de aprendermos e treinarmos nossa mente para viver no presente, não se apegando ao passado e nem projetando e gerando ansiedade com o futuro.

No livro são reproduzidos alguns diálogos entre ouvintes do programa da rádio e a monja e são momentos bem legais, pois demonstram ali as dúvidas e inseguranças de todos nós.  Momentos reais de interação entre o leigo e a monja com todo seu conhecimento. Durante as explicações, a Monja cita seus antigos professores e os grandes mestre do Budismo, faz analogias com o surfe e com o futebol e conta sobre sua experiência com o Zen Budismo. Tem um pouquinho de tudo!

Zen para distraídos pode ser uma porta de entrada para a busca de novos e mais aprofundados conhecimentos. Eu, particularmente, indico a meditação a todos. Quem sabe ao ler esse livro, você também não descobre que viver o presente com harmonia pode ser sensacional!

2 de mar. de 2018

Resenha: Preciso Saber

Preciso Saber
Karen Cleveland
Planeta, 2018

SINOPSE:
Vivian Miller é uma agente do departamento de contrainteligência da CIA, e sua tarefa é desvendar células infiltradas de inimigos russos em solo americano. A dedicada analista está muito próxima de receber a tão esperada promoção, depois de desenvolver um método revolucionário para ajudar na identificação de agentes secretos da Rússia. 

Ao conseguir acesso ao computador de um potencial agente russo, Vivian descobre uma pasta de conteúdo altamente confidencial: os inimigos estariam, de fato, vivendo em pleno solo dos Estados Unidos, passando-se por cidadãos comuns. Clique após clique, no entanto, Vivian se depara com uma verdade de consequências avassaladoras, capaz de colocar em xeque tudo o que ela mais ama. 

Entre a promessa de defender seu país e o desejo de proteger sua família, Vivian é uma mulher dividida. Terá, enfim, de decidir entre a lealdade e o amor? E, diante de uma escolha como essa, em quem ela pode confiar?

Já começo avisando para tirar as panelas do fogo, as roupas do varal, desconectar as redes sociais e preparar um lanche... assim que começar esse livro, você não vai querer parar por nada!

Preciso saber é um lançamento da Editora Planeta que está chegando as livrarias do país este mês (março/18). Conta a história de Vivian,  uma agente da contrainteligência da CIA que atua monitorando agentes russos nos Estados Unidos. Ela desenvolveu um programa para invadir o computador de supostos líderes de células russas que mantém agentes adormecidos no país. Vivian é casada há dez anos com Matt, um jovem que apareceu inesperadamente em sua vida tornando-a perfeita. Se casaram, tiveram filhos que Matt cuida com todo o zelo e carinho do mundo. Matt é o marido perfeito e o pai perfeito adorado pelos filhos que tem na figura dele a estabilidade familiar e o cuidado permanente, uma vez que Vivian trabalha muito e pouco vê as crianças. É o pai que as alimenta, arruma e os leva para a escola, acompanha as tarefas escolares e tudo mais. 

Um clique que muda a vida
que Vivian entende por verdade.
Quando chega o grande dia de testar seu programa, Vivian está ansiosa, mas ela nem pode imaginar o resultado de tanto empenho. Seu programa é um sucesso, ela acessa o computador de Yuri, o último de cinco suspeitos investigados pelo departamento de Vivian. Todas as esperanças de encontrar informações valiosas estão a um clique. Ela encontra uma pasta intitulada "Amigos", com cinco fotos dentro... Abre uma por uma e os rostos são desconhecidos e comuns, mas a última foto mostra um rosto extremamente familiar... Matt!

Bom, a partir daí começa a saga de Vivian em descobrir a verdade sobre seu marido, seu envolvimento com os russos e como manter seu juramento de proteger o país e manter sua família unida. 

"Vamos conversar sobre tudo isso". As palavras dele ressoam na minha cabeça. É o que eu preciso, não é? Preciso ouvir o que ele tem a dizer. E depois preciso entregá-lo"

A história é narrada do ponto de vista de Vivian e vão sendo intercalados acontecimentos atuais com lembranças dela. Desde o dia em que conheceu Matt ao esbarrar nele na rua até o nascimento de cada um de seus filhos. Conforme ela vai relembrando sua vida com Matt o leitor vai conhecendo situações da vida deles que aparentemente foram manipuladas por ele visando mantê-la na CIA e trabalhando com a conta da Rússia. Diálogos suspeitos que nos levam a crer que Matt é um grande mentiroso, mas ao mesmo tempo, as ações dele na vida diária o revelam como pai e marido dedicado que tem como único objetivo na vida o bem estar de sua família. E Vivian vive o mesmo dilema!

- Vamos pensar numa solução - diz ele, mas a promessa soa vazia - Estamos juntos nessa. 
Estamos juntos nessa?, penso. Assisto a uma luz da rua bruxulear e, em seguida, queimar. Será que algum dia estivemos juntos?

O mais legal nesse livro é a forma como a autora foi apresentando os fatos, instigando o leitor a montar suas teorias e a maneira como a personagem principal age se comprometendo cada vez mais nesse problema, aumentando nossa curiosidade de qual será o desfecho.

-Vou ter que trair meu país.
-E ter sua vida de volta ao normal.
Ergo as sobrancelhas.
- Normal?

No começo desse texto eu aviso para não deixar nada pendente antes de começar a ler o livro e isso é verdade. São 298 que você não percebe e vai virando. Sabe aquele problema de muitos leitores, "só vou ler mais um capítulo e depois paro"? Então, acontece o tempo todo com Preciso Saber. 



E temos uma notícia sensacional para você que vai ler e amar esse livro: os direitos já foram comprados por um estúdio de cinema e a atriz Charlize Theron será a produtora executiva e estrela do filme. Difícil será aguardar o lançamento no cinema que ainda não tem data prevista. 



22 de jan. de 2018

Resenha: O jardim das borboletas

O JARDIM DAS BORBOLETAS
Dot Hutchison
Planeta, 2017

SINOPSE:
Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas... e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.

Com certeza, O jardim das borboletas foi o livro mais perturbador que li nos últimos meses. E eu abri o ano justamente com ele... 
A história começa com o a chegada de uma das garotas resgatadas do chamado Jardim. Maya é uma das meninas que eram mantidas em cativeiro e começa a contar sua história aos agentes do FBI.

A história de modo geral já é inquietante, mas conforme a garota vai narrando os detalhes, se torna ainda mais intensa. Todas as garotas foram sequestradas quando tinham por volta de 16 anos e levadas para o Jardim onde recebiam uma enorme e detalhada tatuagem nas costas de asas de borboletas. Quem fazia as tatuagem e as mantinham presas é um homem por elas chamado de Jardineiro. E é a figura dele que desperta no leitor os mais diversos sentimentos! Ele sequestra, marca e estupra as garotas. As mantém privadas da vida exterior e certas de apenas um destino, a morte! Ele as coleciona como se fossem borboletas de verdade e mantém sua mórbida coleção a vista de todas. E acreditem, ele demonstra carinho e amor por elas! Isso foi o mais doentio. Ele afirma amá-las e acredita estar fazendo o bem para as garotas ao imortalizar sua beleza. Surge então a pergunta: até onde pode ir a perturbação da mente humana? 

E para piorar o cenário, ele divide as meninas com seu violento filho Avery. Se o Jardineiro demonstra carinho com as garotas, Avery é pura perversão. As machuca e por algumas vezes, chega a matar durante o sexo.

Um fato que me incomodou na história foi a passividade das meninas em aceitar seu destino. Mesmo pairando sobre elas a ameaça da morte imediata em casos de rebeldia, elas me pareceram resignadas demais. Maya, a garota interrogada pelo FBI enquanto as colegas estão no hospital, demonstra muito equilibro ao narrar as atrocidades que viveram no Jardim e só conta o quer e no momento que ela escolhe. Mas há momentos de leveza, quando ela descreve a amizade que surgiu entre as garotas e os modos que encontraram para viver naquele ambiente bizarro. 

O leitor se choca com os fatos, mas não deixa de virar as páginas. A curiosidade sobre como elas saíram do Jardim só aumenta a cada capítulo. E isso só é revelado no desfecho da história. A autora percorreu 300 páginas construindo muito bem sua história, mas colocou um fato no final que para mim não fez muito sentido. Totalmente desnecessário... Mas isso não tira o brilho da obra. 

Esse livro faz parte de uma trilogia chamada O Colecionador. O segundo volume, The roses of may, não tem ainda data prevista para lançamento no Brasil. Mas vamos ficar de olho, pois a escrita de Dot Hutchison merece a atenção do leitor. 

Destaque para a edição linda em capa dura da Editora Planeta. 

6 de dez. de 2017

Resenha: Em busca de Watership Down

Em busca de Watership Down
Richard Adams
Planeta, 2017

SINOPSE:

Quando um coelho vidente prevê a destruição da toca onde vive, ele se une a seus amigos para achar uma nova casa. No caminho rumo à mítica colina de Watership Down, enfrentam rivais e armadilhas. Mas, mesmo depois de chegarem e, teoricamente, encontrarem um lugar seguro para viver, precisarão lutar para salvar a colônia vizinha e repopular a própria comunidade.
Em busca de Watership Down fala de dominação e opressão, de fascismo e utopia, de mitologia e delírio coletivo, de sentimento de comunidade e de loucura. No Reino Unido, ocupa o segundo lugar entre os juvenis de fantasia mais vendidos do século XX, atrás apenas da saga Harry Potter.

Em busca de Watership Down foi uma agradável surpresa! O título faz parte dos lançamentos da Editora Planeta do segundo semestre desse ano e  eu o escolhi para leitura depois de ver a sinopse que me intrigou um pouco. Apesar de gostar muito de fantasia, tive dúvidas se um livro que narra as aventuras de coelhos iria me encantar.... mas encantou!

Durante 460 páginas acompanhamos as aventuras de Quinto, Avelã e os outros coelhos machos que abandonam o viveiro depois que Quinto teve uma visão, prevendo a destruição total do lar deles. Eles partem em busca de um novo lugar para formar o viveiro, liderados por Avelã.

Enfrentam todos os perigos possíveis, com algumas perdas e conquistas pelo caminho. Mas o maior desafio é conseguir fêmeas e ninhadas para que o novo viveiro prospere. 

Podemos dizer que o livro é uma fábula, embora o único aspecto humano dos animais da história é falar. O autor fez questão de manter todas as características originais dos animais.  A única coisa que eles fazem que os diferencia dos animais verdadeiros é falar. E por falar no autor, Richard Adams escreveu essa história no início dos anos 70. Ele criava história para entreter as filhas em viagens longas e depois, a pedido delas, transformou essa grande aventura em livro. A primeira publicação foi em 1974. 

Mas Em busca de Watership Down não é uma história boba para criança dormir! É uma  trama que envolve o despertar da liderança, da fé e da coragem, além de tratar sobre dominação, opressão e delírio coletivo e, mais do que tudo, de sobrevivência. O livro que começou como entretenimento para crianças se tornou uma das melhores fantasias do século XX, um clássico da literatura britânica. 

E agora em 2017 a Editora Planeta relançou esse clássico em uma edição primorosa em capa dura com detalhes dourados. Uma edição para colecionador, com certeza. 

Então se você gosta de se aventurar em leituras que o tirem de sua zona de conforto, eu indico Em busca de Watership Down. Assim como eu, você será positivamente surpreendido. 

30 de nov. de 2017

Resenha: Estopinha

Estopinha - A autobiografia da vira-lata mais amada do Brasil
Alexandre Rossi
Outro Planeta, 2017

SINOPSE:
Ela é atriz, blogueira, bagunceira e está sempre na TV. Dona de um carisma sem igual, Estopinha Rossi é a vira-lata mais querida do Brasil!
Com quase 3 milhões de seguidores no Facebook, é porta-voz dos cachorros e tem como missão ensinar aos adultos o que os cãezinhos querem de verdade: um lar quentinho, petiscos gostosos e, principalmente, o amor dos humanos.
E ela conseguiu tudo isso! Recolhida das ruas, foi adotada, devolvida por mau comportamento até encontrar uma família que a ama do jeito que ela é.
Com Alexandre Rossi, adestrador e especialista em comportamento animal, Estopinha ganhou voz e hoje dedica-se a mostrar ao mundo a importância da adoção animal e a felicidade que é ter um bichinho na família.
Conheça a história da It Dog Estopinha e todos os seus segredos, do tufinho ao rabico! Você certamente vai se apaixonar por essa vira-lata.

Acredito que todo mundo que participa de alguma rede social já ouviu falar na Estopinha. 
Essa vira-lata que foi resgatada, adotada e abandonada, teve sua vida totalmente mudada pelo zootecnista, especialista em comportamento animal, Alexandre Rossi. 

Estopinha ficou famosa nas redes sociais com postagens divertidas. Seu pai, Alexandre, da voz a pequena vira-lata, mas seus seguidores interagem com ela e curtem suas postagens como se fosse a própria cachorrinha publicando. Parece maluco, mas é bem isso mesmo. 

Nesse livro lançado pela Editora Planeta, com o selo Outro Planeta, Estopinha conta sua vida desde o comecinho quando vagava pelas ruas com seus pais biológicos e irmãos até o dia em que tudo se transformou ao ser escolhida pelo Alexandre. Além da "vidica" dela, o leitor encontra dicas para adoção e cuidados com os pets.  É um livro multifunções! E lindamente ilustrado com fotos da estrela da família Rossi, que conta ainda com charmoso cão de pernas longas Barthô e a recém-chegada gata Miah.

Quero destacar os capítulos lindos em homenagem a dois cães que já partiram mas que tiveram papel especial na vida do Alexandre: Sofia, sua primeira "assistente" e Baruck, o labrador que foi o primeiro irmão adotivo da Estopinha na família Rossi. Achei linda a homenagem, pois mesmo partindo esses anjos permanecem no nosso coração.

Estopinha é uma leitura rápida e gostosa indicada para todos os apaixonados por cães. 

Gostou do livro e quer ganhar um? Partipe do nosso sorteio que acontecerá no dia 15/12/2017. Veja como participar clicando aqui.


Estopinha e Barthô


2 de nov. de 2017

Resenha: A eternidade numa hora

A  eternidade numa hora
Rubem Alves
2017, Planeta

Sinopse:
Coletânea de três outros livros de Rubem Alves, todos inspirados na poesia do inglês William Blake, A eternidade numa hora reúne crônicas que permitirão ao leitor o mais profundo contato com o que a prosa desse grande escritor brasileiro revela.

Com Um mundo num grão de areia, O céu numa flor silvestre e O infinito na palma da sua mão reunidos em uma única edição, será possível compreender o quão sublime e magnífico é o mundo, a riqueza e infinitude do universo humano e toda a beleza divina - manifestada nas artes, na natureza e nas descobertas humanas. Estes são os temas das crônicas aqui reunidas.

Tocar o infinito, viajar pelo mundo irrevelado que habita cada ser humano como um minúsculo grão de areia e contemplar a beleza que as palavras de Rubem Alves capturam. Seu olhar certamente está transformado ao final da leitura desse livro.

Vou começar a falando que essa capa foi encanto a primeira vista... olha pra ela... estou certa ou não? 

Como essa linda edição contempla três obras do autor, vou falar um pouco sobre cada uma delas separadamente, ok? O que mais me tocou em cada um deles.


Um mundo num grão de areia
O ser humano e seu universo

Amor, mãe, morte, medo, drogas, pai, bagunça... esses são alguns dos temas abordados em Um mundo num grão de areia. Textos curtos, mas que provocam uma reflexão imensa no leitor. Vou falar de um em especial que me tocou demais: O pai.


"Era isso que eu queria ser. Eu queria ser ninho para os meus filhos pequenos. Queria que meu corpo fosse um ninho-penugem que os protegesse, um ninho que balança mansamente no galho de uma árvore ao ritmo de uma canção de ninar...".

É incrível como poucas palavras podem resumir tão bem o sentimento de pais ao olhar o filho pequeno, indefeso. E é isso que Rubem Alves fez tão bem em O pai. Transformou em palavras o amor protetor dos pais. A insegurança e pavor que nos acomete durante a adolescência quando os filhos começam a bater suas asas fora do ninho. Seguida do alívio ao ouvir a porta bater na madrugada, sabendo que o filhote retornou. 
E o medo maior: a solidão do ninho não ser mais ninho.

"Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção no ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora. 
Sei que é inevitável que eles voem em todas as  direções como andorinhas adoidadas.
Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira...
Mas, o que eu queria mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo..."


O infinito na palma da sua mão
O sonho divino ao nosso alcance

No segundo livro que compõe essa edição, um dos textos que mais me chamou a atenção foi Minha herança, onde Rubem Alves nos fala sobre o que de mais valioso podemos deixar aos nossos herdeiros. Uma reflexão sobre o que realmente importa na vida. Simples, mas podemos passar pela vida sem nos dar conta disso.

"Eu quero deixar um pedaço de mim. Pedaços de mim são as coisas que eu amo. Tenho imóveis, um carro e alguns investimentos. Mas não sinto alegria alguma ao pensar nessas coisas. Elas não fazem parte de mim. 
Desejo deixar pedaços da minha alma para os meus herdeiros. E a minha alma é feita de poesia e música.
Preciso fazer um índice dos meus poemas favoritos, para que meus herdeiros possam encontrá-los. Eles saberão que, ao ler os poemas que amo, estarão comigo".

Sobre deuses e rezas também tocou em um ponto delicado das devoções. Será que quem sempre fala de Deus é quem realmente está mais próximo Dele? Veja a reflexão que o autor nos trás:

"Pois Deus é como o ar. Quando a gente está em boas relações com ele, não é preciso falar. Mas quando a gente está atacada de asma, então é preciso ficar gritando por Deus Do jeito como o asmático invoca o ar. Quem fala com Deus o tempo todo é asmático espiritual. E é por isso que anda sempre com Deus engarrafado em Bíblia e noutros livros e coisas de função parecida. Só que o vento não pode ser engarrafado..."


Um céu numa flor silvestre
A beleza em todas as coisas.

No último livro, Rubem Alves nos fala sobre as belezas das mais diversas formas: a beleza revelada pelo divino, a beleza das artes, da natureza e as que o Homem cria e descobre. Me chamou a atenção outro texto sobre Deus, Esquecer para lembrar em que ele nos compara com uma casa antiga que foi pintada diversas vezes, sendo uma tinta coberta por uma nova até que o parede original fica total encoberta. Assim seria nossa relação com muitas coisas no mundo, inclusive Deus.

"Ao nascermos, somos pinho-de-riga puro. Mas logo começam as demãos de tinta. Cada um pinta sobre nós a cor de sua preferência. Todos são pintores: pais, avós, professores, padres, pastores. Ate que o nosso corpo desaparece. Claro, não é com tinta e pincel, é com a fala. A tinta são as palavras. Falam, as palavras grudam no corpo, entram na carne. Ao fim, nosso corpo está coberto de tatuagens, da cabeça aos pés. Educados. Quem somos?"

"Nossos olhos, espelhos, através dos anos, foram sendo cobertos com as pinturas que os religiosos diziam ser imagens do rosto divino. E o espelho deixou de ser espelho. Agora olhamos bem para ele e o que vemos não é o rosto de Deus, mas as palavras que os homens escreveram sobre ele: caricatura grotesca, que não é possível amar. 
É preciso restaurar o espelho (...)".

A eternidade numa hora foi para mim uma leitura diferente do que estou acostumada. Uma pausa, muito bem-vinda, entre romances, suspenses policiais e os demais livros que me atraem naturalmente. E foi uma leitura gostosa, leve, apesar dos temas abordados. Alguns textos promovem uma reflexão maior, outros menos, mas em sua maioria são interessantes pensamentos. Um livro para ter na sua estante e retornar a ele sempre que quiser. 
Com certeza, uma leitura que vale a pena! 

16 de jul. de 2017

Resenha: O melhor amigo do inimigo

O melhor amigo do inimigo
Mônica de Castro, pelo espírito Leonel
2017, Planeta

SINOPSE:

Bruce é um cão levado, sempre alegre e que, se pudesse, estaria em todos os lugares ao mesmo tempo. Mesmo assim, sua energia não se esgotaria. Logo, sua fidelidade – como a de qualquer animal de estimação – é inabalável. Mesmo assim, ele conhecerá o sofrimento e verá quão cruel o ser humano pode ser.

Mas nem tudo está perdido. Em uma história emocionante e inspiradora, você aprenderá o verdadeiro sentido da amizade, da lealdade e da possibilidade real de mudar. Todos merecem uma segunda chance, por pior que tenham sido no passado.

Esse é um livro diferente dos que vocês costumam ver resenhados aqui no blog. É um livro psicografrado, portando, segue a doutrina espírita. Como cada um de nós temos nossas crenças, caso você não se sinta confortável com o tema, sugiro não prosseguir, combinado?

Mônica de Castro escreve inspirada pelo espírito Leonel e com O melhor amigo do inimigo, ela pretende chamar a atenção para a forma como os humanos interagem com os animais em todos os aspectos, principalmente sobre a violência e o abandono. São várias histórias que acabam se interligando. 

Moisés é um morador de rua que desencarna em um acidente juntamente com seu cachorro Tostão, Desesperado com o desaparecimento de seu animal, Moisés retorna do plano espiritual e se apega a um filhote que acaba de ser comprado, passando a "morar" na casa da família com a intenção de proteger o filhote da maldade das pessoas. 

Lisandra é uma fútil, egoísta e maldosa que, apesar de ter comprado um bagunceiro filhote para seu filho Rodrigo, não suporta o animal, o agride e pensa a todo momento uma maneira de ser ver livre dele. Billy é destruidor e sapeca e só traz alegrias ao menino Rodrigo e ao seu pai. Traído pela esposa, Vítor se revolta quando Lisandra mostra todo o seu mal prejudicando a linda relação entre Rodrigo e Billy. Não quero dar spoiller, mas nesse momento meu coração doeu e as lágrimas foram inevitáveis...

André e Larissa são duas crianças de nove anos, vizinhos e melhores amigos que compartilham sua paixão pelos animais. Larissa tem uma gatinha amada, Nina e André acaba de perder seu companheiro canino. Ambos são crianças amorosas, criadas por pais igualmente amorosos e bondosos. Os caminhos do pai de André, Wilson, se cruzam com um cão abandonado, machucado e doente: Bruce. E este cão trás a alegria de volta ao garoto André que imediatamente estabelece uma relação de amor com o novo companheiro. Bruce é um cão especial, que já sentiu na pele a crueldade do Homem e tem na casa de André um recomeço para uma vida melhor.

Mas O melhor amigo do inimigo não aborda somente as questões animais, mas fala também sobre traição, segunda chance, perdão, ódio, maldade e renovação. A mãe de Ítalo, padrasto da Larissa é um exemplo de pessoa movida pelo ódio, ciúme e inveja e que faz de tudo para acabar com a harmonia da família do filho e agride os animais sempre que pode. Mas chega em um momento de sua vida, tem que refletir e se dar conta de onde seus erros a levaram e qual caminho seguir dali para frente. 

Inseridos na narrativa, temos explicações sobre as almas dos animais, sua evolução, sobre a dinâmica da influência que os espíritos podem exercer sobre os encarnados e uma verdadeira lição sobre o uso da homeopatia. 

O melhor amigo do inimigo é um livro revelador e intrigante. Recomendo a todos que gostam do tema ou aqueles que apenas estão abertos a novos pontos de vista. 

13 de jul. de 2017

Resenha: Outros jeitos de usar a boca

Outros jeitos de usar a boca
Rupi Kaur
Planeta, 2017

SINOPSE:
Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. 
Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Bom, antes de falar qualquer coisa quero deixar o vídeo da JoutJout sobre esse livro porque vale muito a pena assistir: https://www.youtube.com/watch?v=QBSuSPNOkaI&t=371s .

Meu primeiro comentário sobre a obra é que não é a toa que esse livro está na lista dos mais vendidos há tantas semanas. O texto é simplesmente maravilhoso em todos os aspectos: a poesia é bem escrita e os temas abordados são profundos, sensíveis e importantes de serem discutidos.

A autora divide o livro em quatro partes:

·      A dor: dos relacionamentos, dos abusos, das relações familiares e pessoais. Nessa parte é a que ela mais fala sobre a posição que a mulher ocupa na sociedade no mundo todo. Ela aborda o machismo e os abusos sofridos durante toda a vida por várias figuras masculinas.
“você tem dores
morando em lugares
em que dores não deveriam morar"

·      O amor: ela começa falando sobre o amor materno e passa para tudo o que um relacionamento desperta. As primeiras fases, o frio na barriga, aquela paixão incontrolável e a sexualidade.
“eu estou pronta para você
eu sempre
estive
pronta para você”

·      A ruptura: a decepção, o término, aquela dor inconfundível. Ela trata todas as nossas fraquezas e orgulhos no momento tão frágil e comum.

“o amor não é cruel
nós somos cruéis
o amor não é um jogo
nós fizemos um jogo
do azar”

·      A cura: essa foi a minha parte favorita. Ela mostra o empoderamento da mulher e o feminismo. Fala como precisamos nos amar e também amar uma às outras. Não somos inimigas e precisamos nos juntar para sermos mais fortes.

“você merece
se encontrar completamente
no seu ambiente
não se perder no meio dele”

Minha única ressalva é que eu acho que esse livro merecia um projeto gráfico mais caprichado, com uma fonte mais bonita e diferente e até com o corpo maior. Concordo com fazer um projeto simples, mas, na minha opinião, ficou sem graça.

Para resumir, um livro que desperta as mais diversas emoções: alegrias, tristezas, amor, dor, decepção e esperança. Torço para que continue vendendo muito!