16 de jul de 2017

Resenha: O melhor amigo do inimigo

O melhor amigo do inimigo
Mônica de Castro, pelo espírito Leonel
2017, Planeta

SINOPSE:

Bruce é um cão levado, sempre alegre e que, se pudesse, estaria em todos os lugares ao mesmo tempo. Mesmo assim, sua energia não se esgotaria. Logo, sua fidelidade – como a de qualquer animal de estimação – é inabalável. Mesmo assim, ele conhecerá o sofrimento e verá quão cruel o ser humano pode ser.

Mas nem tudo está perdido. Em uma história emocionante e inspiradora, você aprenderá o verdadeiro sentido da amizade, da lealdade e da possibilidade real de mudar. Todos merecem uma segunda chance, por pior que tenham sido no passado.

Esse é um livro diferente dos que vocês costumam ver resenhados aqui no blog. É um livro psicografrado, portando, segue a doutrina espírita. Como cada um de nós temos nossas crenças, caso você não se sinta confortável com o tema, sugiro não prosseguir, combinado?

Mônica de Castro escreve inspirada pelo espírito Leonel e com O melhor amigo do inimigo, ela pretende chamar a atenção para a forma como os humanos interagem com os animais em todos os aspectos, principalmente sobre a violência e o abandono. São várias histórias que acabam se interligando. 

Moisés é um morador de rua que desencarna em um acidente juntamente com seu cachorro Tostão, Desesperado com o desaparecimento de seu animal, Moisés retorna do plano espiritual e se apega a um filhote que acaba de ser comprado, passando a "morar" na casa da família com a intenção de proteger o filhote da maldade das pessoas. 

Lisandra é uma fútil, egoísta e maldosa que, apesar de ter comprado um bagunceiro filhote para seu filho Rodrigo, não suporta o animal, o agride e pensa a todo momento uma maneira de ser ver livre dele. Billy é destruidor e sapeca e só traz alegrias ao menino Rodrigo e ao seu pai. Traído pela esposa, Vítor se revolta quando Lisandra mostra todo o seu mal prejudicando a linda relação entre Rodrigo e Billy. Não quero dar spoiller, mas nesse momento meu coração doeu e as lágrimas foram inevitáveis...

André e Larissa são duas crianças de nove anos, vizinhos e melhores amigos que compartilham sua paixão pelos animais. Larissa tem uma gatinha amada, Nina e André acaba de perder seu companheiro canino. Ambos são crianças amorosas, criadas por pais igualmente amorosos e bondosos. Os caminhos do pai de André, Wilson, se cruzam com um cão abandonado, machucado e doente: Bruce. E este cão trás a alegria de volta ao garoto André que imediatamente estabelece uma relação de amor com o novo companheiro. Bruce é um cão especial, que já sentiu na pele a crueldade do Homem e tem na casa de André um recomeço para uma vida melhor.

Mas O melhor amigo do inimigo não aborda somente as questões animais, mas fala também sobre traição, segunda chance, perdão, ódio, maldade e renovação. A mãe de Ítalo, padrasto da Larissa é um exemplo de pessoa movida pelo ódio, ciúme e inveja e que faz de tudo para acabar com a harmonia da família do filho e agride os animais sempre que pode. Mas chega em um momento de sua vida, tem que refletir e se dar conta de onde seus erros a levaram e qual caminho seguir dali para frente. 

Inseridos na narrativa, temos explicações sobre as almas dos animais, sua evolução, sobre a dinâmica da influência que os espíritos podem exercer sobre os encarnados e uma verdadeira lição sobre o uso da homeopatia. 

O melhor amigo do inimigo é um livro revelador e intrigante. Recomendo a todos que gostam do tema ou aqueles que apenas estão abertos a novos pontos de vista. 

13 de jul de 2017

Resenha: Outros jeitos de usar a boca

Outros jeitos de usar a boca
Rupi Kaur
Planeta, 2017

SINOPSE:
Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. 
Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Bom, antes de falar qualquer coisa quero deixar o vídeo da JoutJout sobre esse livro porque vale muito a pena assistir: https://www.youtube.com/watch?v=QBSuSPNOkaI&t=371s .

Meu primeiro comentário sobre a obra é que não é a toa que esse livro está na lista dos mais vendidos há tantas semanas. O texto é simplesmente maravilhoso em todos os aspectos: a poesia é bem escrita e os temas abordados são profundos, sensíveis e importantes de serem discutidos.

A autora divide o livro em quatro partes:

·      A dor: dos relacionamentos, dos abusos, das relações familiares e pessoais. Nessa parte é a que ela mais fala sobre a posição que a mulher ocupa na sociedade no mundo todo. Ela aborda o machismo e os abusos sofridos durante toda a vida por várias figuras masculinas.
“você tem dores
morando em lugares
em que dores não deveriam morar"

·      O amor: ela começa falando sobre o amor materno e passa para tudo o que um relacionamento desperta. As primeiras fases, o frio na barriga, aquela paixão incontrolável e a sexualidade.
“eu estou pronta para você
eu sempre
estive
pronta para você”

·      A ruptura: a decepção, o término, aquela dor inconfundível. Ela trata todas as nossas fraquezas e orgulhos no momento tão frágil e comum.

“o amor não é cruel
nós somos cruéis
o amor não é um jogo
nós fizemos um jogo
do azar”

·      A cura: essa foi a minha parte favorita. Ela mostra o empoderamento da mulher e o feminismo. Fala como precisamos nos amar e também amar uma às outras. Não somos inimigas e precisamos nos juntar para sermos mais fortes.

“você merece
se encontrar completamente
no seu ambiente
não se perder no meio dele”

Minha única ressalva é que eu acho que esse livro merecia um projeto gráfico mais caprichado, com uma fonte mais bonita e diferente e até com o corpo maior. Concordo com fazer um projeto simples, mas, na minha opinião, ficou sem graça.

Para resumir, um livro que desperta as mais diversas emoções: alegrias, tristezas, amor, dor, decepção e esperança. Torço para que continue vendendo muito!

30 de jun de 2017

Resenha: Trinta e poucos

Trinta e poucos
Antonio Prata
Companhia das Letras, 2016

SINOPSE:

Mais que qualquer escritor em atividade, Antonio Prata é cultor do gênero -consagrado por gigantes do porte de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Nelson Rodrigues - que fincou raízes por aqui: a crônica.

Pode ser um par de meias, uma semente de mexerica, uma noite maldormida, a compra de um par de óculos, a tentativa de fazer exercícios abdominais. Quanto mais trivial o ponto de partida, mais cheio de sabor é o texto, mais surpreendente é a capacidade de extrair sentido e lirismo da aparente banalidade.
Trinta e poucos traz crônicas selecionadas pelo próprio autor a partir de sua coluna na Folha de S.Paulo. Um mosaico com os melhores textos do principal cronista do Brasil.


Pensem naquele livro maravilhoso que desperta sorrisos a cada parágrafo. Eu pensei no Trinta e poucos.


Antonio Prata conseguiu, mais uma vez, juntar comédia, sensibilidade e uma escrita impecável em uma obra literária. Em Nu, de botas, o autor trabalha sobre a sua infância e em Trinta e poucos, como diz o nome, é a fase adulta.

Como já é característica do autor, é um livro de crônicas leves, engraçadas e muito envolventes. Para Antonio Prata, qualquer acontecimento, por mais leviano que seja, pode se transformar numa história incrível e que vai prender o leitor do início ao fim.
Claro que o humor é um traço muito forte nessa escrita, mas o autor fala (e muito bem!) sobre amor, amadurecimento, relações pessoais e desafios da vida adulta.

Quando terminei de ler, eu tinha um sorriso no rosto e o desejo que a obra tivesse mais páginas. É daqueles que você não consegue parar de ler, mas não quer que acabe.
Indico para jovens e adultos que estão procurando uma leitura para as férias ou para ler no caminho do trabalho. 
Não vão se arrepender!

27 de jun de 2017

Livrarias portuguesas famosas - Parte 2 - Lello

Fachada - imagem extraída da internet
A centenária Livraria Lello está localizada em Porto. Fundada em 1906 pelos irmãos José e Antonio Lello, é reconhecida como a terceira livraria mais linda do mundo! E eu concordo... é linda mesmo.

A livraria tem uma relação com a escritora J.K.Rowling. Apesar dela não comentar muito sobre o tempo que morou em Porto, dizem que ela frequentava a livraria enquanto finalizava o primeiro livro da saga Harry Potter e a usou como inspiração para criar a "Floreios e Borrões", loja em que os bruxos compravam seus livros antes de irem para Hogwarts. Dizem ainda, que J.K. muito se inspirou na cidade portuguesa ao criar o universo mágico de HP. As suas obras tem um local de destaque na livraria.

Porém, toda a fama trouxe um excesso de visitantes para o espaço tornando praticamente impossível explorar seu acervo. São turistas e mais turistas se espremendo pelos corredores! Hoje a livraria até cobra uma entrada de 4 euros que são dedutíveis no caso de compras. 

No dia da nossa visita está lotada, dificultando o registro adequado por fotos, mas tentamos:









Teve até visita ilustre!

Aqui o cantinho especial com as obras do universo Harry Potter:









Mas para comprovar a real beleza da livraria, vejam essas imagens disponíveis na internet e registradas sem o alvoroço dos turistas.
É mesmo linda, ou não?







Não podia faltar a selfie kkk


26 de jun de 2017

Resenha: Garota em pedaços

Garota em Pedaços
Kathleen Glasgow
2017, Planeta

SINOPSE:
Quando o plano de saúde de sua mãe suspende seu tratamento numa clínica psiquiátrica – para onde foi após se cortar até quase ficar sem vida –, Charlotte Davis troca a gelada Minneapolis pela ensolarada Tucson, no Arizona (EUA), na tentativa de superar seus medos e decepções. Apesar do esforço em acertar, nessa nova fase da vida ela acaba se envolvendo com uma série de tipos não muito inspiradores.
Cansada de se alimentar do sofrimento, a jovem se imbui de uma enorme força de vontade e decide viver e não mais sobreviver. Para fugir do círculo vicioso da dor, Charlotte usa seu talento para o desenho e foca em algo produtivo, embarcando de cabeça no mundo das artes. Esse é o caminho que ela traça em busca da cura para as feridas deixadas por suas perdas e os cortes profundos e reais que imprimiu em seu corpo. 

Garota em pedaços.. só de ler a sinopse já dó um nó no estômago ao imaginar o que nos espera nas 383 páginas desse romance de estréia da escritora Kathleen Glasgow, publicado pela Editora Planeta esse ano. Confesso que demorei um pouco para iniciar a leitura, fui deixando de lado, passando outros na frente, pois não queria uma história pesada. Mas quando eu comecei... não larguei mais. O tema é pesado sim, mas a escritora foi genial na sua narrativa. Ela conseguiu expor um tema complicado, repleto de preconceitos e julgamentos de uma forma que chegou um pouco mais suave ao leitor. Um narrativa que chega a ser poética por diversas vezes. Ela me conquistou. 

A história começa com Charlotte internada em uma clínica para pessoas que praticam automutilação e aos poucos vamos conhecendo mais da personagem, ao passo que ela vai se recordando de tudo o que viveu e que a levou até ali. Já temos ai o primeiro impacto: a vida de Charlotte foi toda errada e uma sucessão de acontecimentos a transformou em uma garota triste e sem futuro. No nosso dia a dia, chegamos a ser críticos com jovens que se perdem, que se deixam levar por vícios ou por fraquezas e quando nos deparamos com um história como a de Charlotte, que é uma ficção, mas expõe o que muitos jovens vivem, percebemos que pode sim um jovem se anular completamente a ponto de ser alvo fácil para traficantes, cafetões ou sociopatas.

Charlotte sofreu com a morte do pai, com a violência da mãe, com a escolha em morar na rua e viver do lixo, com o desamparo e o abuso. Buscou na automutilação uma força para continuar. É como se de toda a dor que o mundo impõe a ela, se cortar é só mais uma, e pelo menos essa dor, ela escolhe quando sentir.  E ela faz isso até quase morrer. Passada a agressão e curados os ferimentos, ficam as cicatrizes que a marcam para sempre e a tornam ainda menor, pois diante do mundo ela não tem coragem de mostrar seu corpo. São braços e pernas que contam sua história ao mundo. Se sente feia, deformada e impossível de ser amada. O que foi um pequeno alívio, se torna uma sentença para a vida toda. 

Quando sai da clínica, Charlotte teme não ter forças para seguir os passos que lhe foram ensinados durante o tratamento, dá algumas escorregadas e mantém sempre por perto seu "kit do amor", como ela chama sua caixinha com cacos de vidro e materiais para curativos. Mas ela segue em frente, arruma um trabalho, tenta namorar. Infelizmente, Riley é alguém tão ferrado quanto ela e que ao invés de a levar para longe dos perigos, a coloca mais ainda em tentação. E tentação é o que não falta para ela, que tem a vontade de se cortar sempre rondando seus pensamentos. Seu único refúgio é sua arte: ela desenha muito bem e pode ser essa a luz no fim do túnel.

A história tem outros personagens interessantes, como Blue, a amiga de Charlotte que vivia também na clínica, Ariel, a artista plástica que reconhece a dor na garota por ter ela também uma história familiar que não acabou bem. Mikey, o amigo que ofereceu ajuda quando nem a mãe se propõe a estar perto, entre outros. 

Esse livro me emocionou, me fez refletir e mudar a forma como vejo (e julgo!) algumas situações. Foi uma leitura gratificante.

No final, na "Nota da autora" entendemos o motivo de Kathleen falar com tanto sentimento sobre a vida de Charlotte: ela mesma tem sua pele marcada pela automutilação!

Garota em pedaços, eu recomendo!

21 de jun de 2017

Livrarias portuguesas famosas - Parte 1 - BERTRAND

Recentemente, tivemos a oportunidade de conhecer duas livrarias de Portugal famosas: a Bertrand e a Lello. 

A livraria Bertrand é a maior rede de Portugal, mas o que a faz especial é sua data de inauguração de sua unidade mais antiga: 1732!

Em 1732 a primeira livraria foi inaugurada na esquina da Rua Direita do Loreto com a Rua do Norte em Lisboa, mas após o terremoto de 1755 que destruiu grande parte da cidade, ela reabriu no endereço que ocupa até hoje, na rua Garret.
Reconhecida como a mais antiga do mundo, continua a encantar leitores e turistas que tem parada obrigatória lá. 


Foto extraída da internet 


Seu acervo é muito bem organizado e os espaços de circulação permitem ao leitor explorar os títulos com tranquilidade. Ela está dividida em salas, ligadas por corredores que dão um charme a mais ao local. 

Vejam as fotos que tiramos em nossa visita:


Fachada da loja localizada na Rua Garret


As salas interligadas pelos corredores






Ficou curioso? Confira também o vídeo publicado pelo Eduardo do Viver Lisboa Tours em sua página no facebook: Bertrand por Viver Liboa Tours .

Conheça mais sobre a história no site da livraria:  http://www.grupobertrandcirculo.pt/quem-somos/historia/



Resenha: Vocação para o Mal

Vocação para o Mal
Robert Galbraith
Rocco, 2016

SINOPSE:

Quando um misterioso pacote é entregue a Robin Ellacott, ela fica horrorizada ao descobrir que contém a perna decepada de uma mulher. Seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, fica menos surpreso, mas não menos alarmado. Há quatro pessoas de seu passado que ele acredita que poderiam ser responsáveis por tal crime – e Strike sabe que qualquer uma delas seria capaz de tamanha brutalidade. Mas quando a polícia foca no suspeito que Strike tem cada vez mais certeza de que não é o criminoso, ele e Robin precisam correr contra o tempo para descobrir a verdade.

Terceiro livro da aclamada série escrita por Robert Galbraith, pseudônimo de J. K. Rowling, e protagonizada pelo detetive particular Cormoran Strike e por sua assistente Robin Ellacott, Vocação para o mal é um suspense diabolicamente inteligente, com reviravoltas inesperadas a cada página, e também a emocionante história de um homem e de uma mulher numa encruzilhada em suas vidas pessoais e profissionais. O livro estreou em segundo lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times e alcançou os principais rankings nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Sou fã assumida da JK Rowling, quer ela escreva com seu nome ou com pseudônimo! E adoro as aventuras do polêmico detetive Cormoran Strike, protagonistas nos livros escritos por ela com o nome de Robert Galbraith.

Nesse terceiro livro, Cormoran vê sua assistente Robin ameaçada quando recebe um caixa contendo uma perna humana! Isso mesmo, uma perna feminina. Imediatamente, Cormoran pensa em três possível pessoas que poderiam ter cometido esse crime e enviado a perna para ele (apesar da destinatária ser Robin, fica claro que o criminoso quer atingir Strike).

Paralela a fraca investigação da polícia, Strike e Robin fazem sua própria investigação dos suspeitos, enquanto acompanham a queda do escritório do detetive. A publicidade obtida com o recebimento de um membro humano não é nada positiva para o escritório e os clientes se afastam rapidamente.

Como se não bastasse todo esse drama, Robin vive outro em sua vida pessoal: com casamento marcado com Matthew, ela ainda tem muitas dúvidas quanto ao seu destino e as cenas de ciúmes do noivo com relação a Strike não ajudam em nada.

Vocação para o mal é mais uma história bem construída que vai levando o leitor página a página para o desfecho, que não chega a surpreender, mas é bem consistente.

Quanto a vida pessoal de Robin, só lendo para saber se ela se casou ou se deixou levar pelos sentimentos não revelados que sente por Strike...

1 de jun de 2017

Resenha: Harry Potter e a criança amaldiçoada

HARRY POTTER E A CRIANÇA AMALDIÇOADA
Partes um e dois
J.K.Rowling
Rocco, 2016

SINOPSE:
Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. 

Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. 

À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.


Dezenove anos depois....

Elenco da peça
Esse livro, chamado de o oitavo da série Harry Potter, é na verdade um roteiro da peça teatral de Jack Thorne que teve sua estréia em julho de 2016 em Londres. Por se tratar de um roteiro de ensaio, a história é dividida em atos com uma pequena descrição para ambientar a cena, seguida dos diálogos. No início é um pouco estranho ler dessa forma, mas rapidinho isso deixa de incomodar e a leitura flui.
A história tem início no ponto em que terminou HP e as relíquias da morte, 19 anos após a batalha de Hogwarts, quando o filho de Harry com Gina, Alvo Severo Potter está embarcando pela primeira vez para ir a Escola de Magia. Atormentado com a ideia de que seja escolhido para a Sonserina, Alvo logo se aproxima de Escórpio, filho de Draco Malfoy. A amizade dos dois não é bem vista pela família Potter, principalmente quando o nome de Voldemort volta a circular no mundo mágico. A trama gira em torno de Alvo, Escópio, da ameaça da volta do mal e da conturbada relação de Harry com seu filho.

Confesso: foi uma delícia poder voltar ao universo HP e "rever" alguns de seus personagens mais marcantes. Apesar de ter lido muitas críticas ao livro, eu gostei muito. Acredito que muitos leitores iniciaram o livro pensando em uma continuação da escrita da JK e estranhou o formato roteiro, sem todos aqueles detalhes incríveis que só ela consegue colocar na história sem deixar maçante. 

E o que falar da edição brasileira feita pela Rocco? Simplesmente sensacional! Capa dura preta com uma sobrecapa em tons de amarelo/dourado linda! Nota 10 para a edição!









30 de mai de 2017

Resenha: Enclausurado


ENCLAUSURADO
McEvan
Companhia das Letras, 2016

SINOPSE:
O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante — que é também tio do bebê —, assassinar o marido. 

Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica. 

Em sua aparente simplicidade, Enclausurado é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.


Intenso, devastador e maravilhosamente bem escrito: essas são as primeiras palavras que me vem à mente ao pensar no último romance de Ian McEwan, publicado no Brasil.
Enclausurado é narrado por um feto. Sim, isso mesmo. Por um feto, ainda sem nome, ainda sem ideia do mundo que o aguarda, ainda sem visão, que ainda está na barriga de sua mãe. (Vale dizer que a linguagem é bem formal, apesar do protagonista).

Mas o que está deixando esse bebê tão inquieto a ponto de narrar um livro inteiro? Sua mãe está em complô com seu tio para matar o seu pai.
Quando eu li a sinopse pela primeira vez, fiquei chocada e não muito interessada. E preciso confessar: o que me motivou a ler esse livro foi participar de uma leitura do Wagner Moura. Depois que ele já tinha narrado o começo, eu sabia que precisava terminar, e foi uma escolha incrível.

É uma narrativa com tensão a todo momento, como o nosso narrador não enxerga, não ouve tudo que acontece e não entende muitas coisa, é como se rolasse um mistério que precisamos desvendar.

A escrita do autor é muito boa e precisa e o que me encantou é o protagonista estar tão presente e, mesmo assim, não saber de nada, não poder fazer nada. Embora eu tenha ouvido opiniões de pessoas que não gostaram justamente do estilo de narrativa e da personagem principal, eu te indico a arriscar e tirar suas próprias conclusões e, quem sabe, se aventurar em outras obras de Ian McEwan.

Você pode ler um trecho do livro no site da editora, clicando aqui.

9 de mai de 2017

Resenha: Boneco de Pano


Boneco de pano

Daniel Cole

Arqueiro, 2017

SINOPSE:
Um corpo. Seis Vítimas

VOCÊ ESTÁ NA LISTA DE UM ASSASSINO. E ELA DIZ QUANDO VOCÊ VAI MORRER.

O polêmico detetive William Fawkes, conhecido como Wolf, acaba de voltar à ativa depois de meses em tratamento psicológico por conta de uma tentativa de agressão. Ansioso por um caso importante, ele acredita que está diante da grande chance de sua carreira quando Emily Baxter, sua amiga e ex-parceira de trabalho, pede a sua ajuda na investigação de um assassinato. O cadáver é composto por partes do corpo de seis pessoas, costuradas de forma a imitar um boneco de pano.
Enquanto Wolf tenta identificar as vítimas, sua ex-mulher, a repórter Andrea Hall, recebe de uma fonte anônima fotografias da cena do crime, além de uma lista com o nome de seis pessoas – e as datas em que o assassino pretende matar cada uma delas para montar o próximo boneco. O último nome na lista é o de Wolf.
Agora, para salvar a vida do amigo, Emily precisa lutar contra o tempo para descobrir o que conecta as vítimas antes que o criminoso ataque novamente. Ao mesmo tempo, a sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf, e o detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele – e com seu passado – do que qualquer um possa imaginar.

Um corpo. Seis Vítimas. Falem a verdade, só essa chamada já é intrigante, não é? Boneco de Pano é o livro de estréia de Daniel Cole. E garanto que ele começou muito bem!
A história tem como protagonista o detetive William Fawkes, ou Wolf, como é conhecido. Wolf se tornou famoso ao investigar e se tornar obcecado por um assassino coloca fogo nas suas vítimas e que foi inocentado causando um acesso de fúria no detetive em pleno tribunal e trazendo sérias consequências para sua vida, casamento e carreira. 

Passado alguns anos, Wolf se vê envolvido na investigação de um crime horrível: um corpo é encontrado no apartamento vizinho ao seu. O inédito na história é que o corpo é uma montagem com partes de outros seis corpos. 

Logo em seguida, a imprensa recebe uma lista com os nomes das próximas seis vítimas, com data para dada morte e o mais interessante de tudo: o último nome é justamente o de Wolf. 

Evitar a morte das seis pessoas citadas, outras seis vítimas para serem identificadas e um assassino maluco para ser descoberto. Essa é a nada simples missão da Polícia Metropolitana. Além de Wolf, a detetive Emily Baxter também está encarregada do caso. Para "ajudar" a ex-esposa de Wolf, uma ambiciosa jornalista, Andrea Hall aumenta a exposição do caso na mídia, trazendo ainda mais pressão na equipe policial.

A trama é sensacional e não fica apenas nos fatos policiais, mais vai também nos apresentando pouco a pouco a personalidade e detalhes da vida pessoal do detetive Wolf, de sua colega Emily (ou seria mais que uma colega de trabalho?), as vítimas e os policiais envolvidos no caso. 

As investigações para descobrir a identidade das seis pessoas que "doaram" partes do corpo para a montagem do boneco, como o corpo passou a ser chamado e os esforços da polícia para proteger cada uma das pessoas marcadas para morrer são cenários muito bem construídos no livro e permitem ao leitor acompanhar as linhas de raciocínio e ficar cada vez mais curioso e apreensivo com cada novo acontecimento.

Eu fiquei envolvida com a história página a página e tive sérias dificuldades em pausar a leitura. Devorei o livro rapidinho. O final é muito bem elaborado. Na minha opinião, Cole terminou a história com a mesma genialidade em que a conduziu pelas 332 páginas. 

Para você que curte um bom mistério policial, coloque Boneco de Pano em sua lista de leitura. 

8 de mai de 2017

ENCERRAD0 - Sorteio do livro: Férias sem fim

Resultado de imagem para FERIAS SEM FIM BRUNO PICININI




"Você por acaso tem trabalhado muito… para ganhar pouco? Gostaria de ter mais liberdade, tempo e qualidade de vida? E ainda poder trabalhar com o que você gosta, de onde e quando quiser? Então este pode ser o livro mais importante da sua vida". 









SORTEIO REALIZADO EM 31/05/2017: GANHADOR NESTOR BERGAMO.


Para participar, basta residir no Brasil e seguir os passos abaixo (obrigatório):

1. Curtir e compartilhar em modo público o post da promoção no facebook, marcando aquele seu amigo que gostaria de descobrir como trabalhar de qualquer lugar e conquistar a liberdade financeira: encontre o post clicando aqui

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5. Marcar com G+1 esta publicação (botão no final da publicação).

O sorteiro será realizado no dia 31/05/2017.

Somente estará apto a receber o prêmio quem cumprir todas as regras. Caso o sorteado não tenha cumprido uma das etapas, será imediatamente desclassificado e será realizado novo sorteio.

O vencedor será divulgado no blog e na página da Estante da Ana no facebook. Ele terá 5 (cinco) dias para entrar em contato e informar o seu endereço para envio do livro.



A Estante da Ana terá o prazo de 30 (trinta) dias para enviar o prêmio para o endereço informado.



Este sorteio é exclusivamente promovido pelo blog Estante da Ana, não tendo nenhum vínculo com o autor ou a editora do referido livro.


27 de abr de 2017

Resenha: O guardião invisível - Trilogia Baztán - Livro 1

O guardião invisível
Dolores Redondo
Planeta, 2017

SINOPSE:
O corpo de uma adolescente é encontrado às margens do rio Baztán, num pequeno povoado em Navarra, na Espanha, e para desvendar o caso a investigadora Amaia Salazar precisa voltar à sua terra natal, uma região da qual sempre tentou escapar – por motivos que nem seu marido conhece, mas que ainda a atormentam na forma de pesadelos.

Amaia sabe que o local, marcado pela inquisição espanhola, é cheio de velhas crenças pagãs. O que ela não imagina é que, com o avanço da investigação e a descoberta de novos corpos, a fronteira entre mitologia e a realidade ficará cada vez mais tênue. O desafio agora é descobrir se os crimes resultam da ação de um serial killer ou de uma criatura mítica conhecida como basajaun, o guardião invisível.

O guardião invisível é uma história intrigante e envolvente. Eu não conhecia a trilogia quando a vi na lista de lançamentos da Editora Planeta. Li e sinopse e não tive dúvidas: precisava ler!

Tudo começa quando uma jovem é encontrada morta a beira do rio em uma cena cuidadosa montada pelo assassino. Sem indícios de ser um crime sexual, a maneira como o corpo foi colocado e a existência de um doce deixado sob o púbis da jovem intrigam imediatamente a polícia. A policial Amaia Salazar  é designada para o caso, mas o que ela não contava era ter que encarar alguns fantasmas do seu passado enquanto cumpria suas obrigações. Semelhanças do crime com um outro corpo encontrado meses antes na cidade de Elizondo, levam a detetive de volta para sua cidade natal, acompanhada do compreensivo marido, James. Lá ele iria reviver um grande trauma da infância que a impede de seguir livremente sua vida. 

Uma antiga lenda volta a tona, quando as investigações apontam pelos de animais na cena dos crimes. Basajaun, uma espécie de pé-grande ou Sasquatch que habita as floresta e zelam pelo equilíbrio da natureza. Diversos relatos de avistamento do ser de mais de 2 metros de altura e de corpo coberto de pelos dão a trama um toque místico bem interessante. 

Em Elizondo, Amaia se hospeda com sua família que consiste na amada tia que a criou desde pequena e suas duas irmãs com sérios problemas matrimoniais. A tia de Amaia tem um dom especial de ler cartas e suas experiências só intrigam mais a sobrinha, enquanto a investigação prossegue em meio a dúvidas, medo e descobertas. 

É a primeira obra que leio da espanhola Dolores Redondo e só tenho elogios. A construção dos personagens e suas personalidades, a consistência dos acontecimentos e o toque ideal de suspense fazem o leitor "grudar" no livro. Me lembrou outra autora que gosto muito, Camila Läckberg, escritora da Princesa de Gelo (conheça aqui), entre outros. Assim como a sueca, Dolores desenvolve a história de maneira sensacional, fazendo com que o leitor espere ansiosamente para ter em mãos o segundo volume da trilogia. 

Alguns pontos não foram esclarecidos no desfecho da história e devem ser abordados nos outros dois volumes da série. 

Adaptado para o cinema esse ano, O guardião invisível é com certeza uma leitura que eu indico!

A trilogia Baztán, publicada na Espanha pela Booket,
 selo do grupo Planeta.
Imagem relacionada


Saiba mais sobre a escritora Dolores Redondo