28 de ago de 2017

Resenha: Dois a dois

Dois a dois
Nicholas Sparks
Arqueiro, 2017

SINOPSE:
Com uma carreira bem-sucedida, uma linda esposa e uma adorável filha de 6 anos, Russell Green tem uma vida de dar inveja. Ele está tão certo de que essa paz reinará para sempre que não percebe quando a situação começa a sair dos trilhos. Em questão de meses, Russ perde o emprego e a confiança da esposa, que se afasta dele e se vê obrigada a voltar a trabalhar. Precisando lutar para se adaptar a uma nova realidade, ele se desdobra para cuidar da filhinha, London, e começa a reinventar a vida profissional e afetiva - e a se abrir para antigas e novas emoções.
Lançando-se nesse universo desconhecido, Russ embarca com London numa jornada ao mesmo tempo assustadora e gratificante, que testará suas habilidades e seu equilíbrio emocional além do que ele poderia ter imaginado. 
Em 'Dois a dois', Nicholas Sparks conta a história de um homem que precisa se redescobrir e buscar qualidades que nem desconfiava possuir para lutar pelo que é mais importante na vida: aqueles que amamos.

Eu adoro ler Nicholas Sparks e até sua obsessão pela morte eu já compreendi quando li Três semanas com meu irmão (conheça aqui), mas a experiência com Dois a dois foi um pouco diferente. 
Nesse livro, Sparks conta a história de Russ, um marido apaixonado, romântico e bom pai que se vê sua profissional virar de cabeça para baixo e junto com ela, seu casamento. A esposa Vivian é repugnante, para simplificar. Egoísta e mimada, ela se afasta do marido e da filha deixando toda a responsabilidade pela pequena London, de cinco anos, a cargo do pai. Claro que é esse fato que apresenta o tema principal do livro, a relação entre Russ e sua filha. Um linda relação que vai se construindo aos poucos.

Mas afinal, o que aconteceu durante a leitura que eu não tive a mesma experiência dos livros anteriores? Eu achei maçante, entediante e monótono! Das 501 páginas do livro, eu só consegui me envolver quando faltavam 50! Dá para acreditar? São páginas e páginas de uma Vivian egocêntrica que distorce a realidade e um Russ que se lamenta o tempo todo. O que salva a história são os personagens secundários, esses sim, mais interessantes. A irmã de Russ, Marge, é ótima!

Sempre gostei da escrita fluida de Sparks, sem muita enrolação, mas em Dois a dois eu nem conseguia identificar isso. Só "o encontrei" na história quando uma tragédia se abate sobre a vida de Russ e sua família e a trama ganha um novo ritmo.
Quanto a relação de Russ e London, ela é descrita pelos personagens que interagem com eles na história como algo incrível, raro. Será tão raro assim? Só em meu círculo de amizades conheço vários pais que são assim, amorosos e envolvidos com a educação dos filhos. Aqui em casa tenho o melhor exemplo disso, então me desculpe, mas não consegui me maravilhar com o relacionamento deles.

Dois a dois foi para mim uma decepção e empurrei a leitura até o final. Confesso que foi o primeiro livro de Sparks que eu não gostei, que foi difícil de ler. 

Mas tenho que fazer um registro sobre a capa: linda! E retrata uma cena bela e delicada da história. 

13 de ago de 2017

Juliana na Flip 2017


No dia 29 de julho de 2017 eu realizei uma vontade antiga: participar da Flip! Infelizmente só consegui ir no final de semana – passei o sábado todo e metade do domingo –, mas já foi o suficiente pra sentir a energia e ficar com vontade de ir nos próximos anos.

Antes de começar a contar do que eu participei, tem uma coisa indescritível na feira que vale uma atenção especial: o clima gostoso que contagia todos os presentes. É muito legal ver tantas pessoas em busca do mesmo objetivo, compartilhando experiência e sempre felizes.

O homenageado desse ano foi, merecidamente, Lima Barreto. E os dias contaram com uma programação diversificada e bem interessante. E o grande sucesso de todos os dias foi o ator/autor Lázaro Ramos, que estava lançando o livro Na minha pele, o título mais vendido de toda a Flip.

Mas agora vamos para os eventos que eu pude presenciar:


 A cidade: Paraty é maravilhosa. Uma cidade bonita, com pessoas simpáticas e dona de um charme único. O único problema é o chão de paralelepípedos que, apesar de ser uma marca registrada da cidade, complica muito a movimentação nos horários de “pico”. A alimentação é barata e acessível, mas no final de semana estava bem difícil de achar um lugar pra comer. 











Mesa 12: Romance e história, dois historiadores e uma romancista, João José Reis e Ana Miranda, com Lilia Schwarcz como mediadora. Uma conversa muito rica nos quais abordaram a literatura e a história da escravidão. 



Embora não tenham falado diretamente sobre Lima Barreto, permearam o cenário em que o homenageado viveu e escreveu.


Mesa 13: foi difícil escolher, mas esse foi o meu evento favorito de toda a feira! Foi uma surpresa maravilhosa poder assistir à essa mesa.

Começamos com uma performance impecável da poeta Adelaide Ivanova sobre feminicídio, machismo e política. Não conhecia essa mulher e virei fã!
Depois seguimos com um debate sobre literatura e ativismo com Maria Valéria Rezende e Luaty Beirão.

Maria Valéria é autora, entre tantos títulos, do livro Outros cantos, ganhador do prêmio Jabuti em 2015. E Luaty é um rapper ativista angolano e autor dos livros Sou eu mais livre então e Kanguei no maiki (esse inclusive foi o nome da mesa).

Com uma conversa muito sincera e casual, os dois contaram de suas experiências com a censura e a luta pela liberdade dos seus ideais e escritas.

Para fechar com chave de ouro, Luaty apresentou uma de suas músicas!

Casa Publishnews: o portal Publishnews foi bem ousado esse ano e fez uma programação com muitas mesas de debate e, no final de cada dia, os seus famosos Happy Hours. Estive lá para assistir uma conversa com os vencedores do Prêmio Jovens Talentos. Muito divertida, casual e informativa.

Casa Sesc: a casa estava linda, muito bem organizada e com uma programação legal. Estive lá para assistir um debate sobre livros digitais no mercado editorial atual. Eu esperava mais da conversa, achei que os assuntos discutidos ficaram rasos, mas foi bem interessante mesmo assim. 

Mesa 17: para fechar a feira, fui assistir a mesa mais concorrida da Flip: uma conversa de esquentar o coração entre Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves. A mesa foi conduzida com fotos da vida Conceição e, a partir da imagem, ela contou como cada experiência refletiu em sua vida literária. 

Livraria principal da feira













Para resumir: foram dois dias de experiências riquíssimas! Pretendo voltar nos próximos anos, mas durante a semana para aproveitar mais a feira e pegar a cidade mais vazia.

Caso nunca tenha ido, aconselho a se programar para não perder a edição 2018.

Matheus, eu, Maitê e Nestor










24 de jul de 2017

Resenha: O perfume da folha de chá

O perfume da folha de chá
Dinah Jefferies
2017, Paralela

SINOPSE:

Em 1925, a jovem Gwendolyn Hooper parte de navio da Escócia para se encontrar com seu marido, Laurence, no exótico Ceilão, do outro lado do mundo. Recém-casados e apaixonados, eles são a definição do casal aristocrático perfeito: a bela dama britânica e o proprietário de uma das fazendas de chás mais prósperas do império.

Mas ao chegar à mansão na paradisíaca propriedade Hooper, nada é como Gwendolyn imaginava: os funcionários parecem rancorosos e calados, e os vizinhos, traiçoeiros. Seu marido, apesar de afetuoso, demonstra guardar segredos sombrios do passado e recusa-se a conversar sobre certos assuntos.
Ao descobrir que está grávida, a jovem sente-se feliz pela primeira vez desde que chegou ao Ceilão. Mas, no dia de dar à luz, algo inesperado se revela. Agora, é ela quem se vê obrigada a manter em sigilo algo terrível, sob o preço de ver sua família desfeita.

Comprei esse livro por ter lido ótimas avaliações a respeito dele. Não conhecia a escritora Dinah Jefferies, mas O perfume da folha de chá é seu segundo romance.

Ambientado no Ceilão, nome adotado pelo atual Sri-Lanka até 1972, o romance conta a história da jovem Gwendolyn, ou somente Gwen como é chamada pela família. Gwen chega ao Ceilão em 1925, após se casar aos 19 anos com Laurence, um viúvo de 37 anos e que cultiva chá nas terras do Ceilão. Antes de desembarcar, ela conhece o artista plástico Savi Ravasinghe, um cingalês bonito e charmoso, que parece ter uma história no passado que o faz ser uma pessoa não desejada no círculo social por Laurence. 

Decidida a enfrentar a distância de sua família em uma terra totalmente estranha e diferente do que está acostumada, Gwen logo tenta se inteirar dos assuntos domésticos e interagir com os empregados cingaleses e tâmeis, mas a única interação satisfatória que ela consegue é com a aia Naveena, que cuidou de seu marido quando ele era criança e agora ficou responsável pelos cuidados com a nova patroa. Gwen se sente sozinha e triste...

Laurence pouco fala sobre sua primeira mulher e a morte dela, o que parece ser um assunto não desejado na casa. A irmã de Laurence, Verity, chega para passar um tempo com o casal e isso poderia ser uma ótima oportunidade para Gwen ter companhia, mas a cunhada em nada facilita a vida da jovem. Pelo contrário, Verity é mesquinha e faz de tudo para afastar o irmão da esposa.

Quando Gwen engravida, o casal é tomado por uma alegria sem fim, o que faz acreditar em um futuro maravilhoso ao lado do marido e do filho que espera. Mas alguns segredos do passado e acontecimentos recentes não esclarecidos, fazem com que Gwen tenha que tomar uma decisão difícil que afeta sua vida para sempre. 

O perfume da folha de chá é um livro lindo e forte que toca em assuntos delicados. Um deles é a divisão de classes entre os trabalhadores da fazenda de chá e da casa da família. Situação que incomoda em muito Gwen, mas estamos falando de quase 100 anos atrás. Se até hoje infelizmente isso ainda existe, imagina o que uma jovem poderia fazer naquela época? 

Comecei a ler pensando ser apenas um romance de época, mas ele é muito mais. Tem o mistério que envolve o passado de Laurence que deixa o leitor intrigado, tem a toda a emoção envolvida na decisão de Gwen que nos deixa com o coração na mão o tempo todo, tem a abordagem social e por ai vai... Só lendo para saber mesmo. 
Eu indico!

16 de jul de 2017

Resenha: O melhor amigo do inimigo

O melhor amigo do inimigo
Mônica de Castro, pelo espírito Leonel
2017, Planeta

SINOPSE:

Bruce é um cão levado, sempre alegre e que, se pudesse, estaria em todos os lugares ao mesmo tempo. Mesmo assim, sua energia não se esgotaria. Logo, sua fidelidade – como a de qualquer animal de estimação – é inabalável. Mesmo assim, ele conhecerá o sofrimento e verá quão cruel o ser humano pode ser.

Mas nem tudo está perdido. Em uma história emocionante e inspiradora, você aprenderá o verdadeiro sentido da amizade, da lealdade e da possibilidade real de mudar. Todos merecem uma segunda chance, por pior que tenham sido no passado.

Esse é um livro diferente dos que vocês costumam ver resenhados aqui no blog. É um livro psicografrado, portando, segue a doutrina espírita. Como cada um de nós temos nossas crenças, caso você não se sinta confortável com o tema, sugiro não prosseguir, combinado?

Mônica de Castro escreve inspirada pelo espírito Leonel e com O melhor amigo do inimigo, ela pretende chamar a atenção para a forma como os humanos interagem com os animais em todos os aspectos, principalmente sobre a violência e o abandono. São várias histórias que acabam se interligando. 

Moisés é um morador de rua que desencarna em um acidente juntamente com seu cachorro Tostão, Desesperado com o desaparecimento de seu animal, Moisés retorna do plano espiritual e se apega a um filhote que acaba de ser comprado, passando a "morar" na casa da família com a intenção de proteger o filhote da maldade das pessoas. 

Lisandra é uma fútil, egoísta e maldosa que, apesar de ter comprado um bagunceiro filhote para seu filho Rodrigo, não suporta o animal, o agride e pensa a todo momento uma maneira de ser ver livre dele. Billy é destruidor e sapeca e só traz alegrias ao menino Rodrigo e ao seu pai. Traído pela esposa, Vítor se revolta quando Lisandra mostra todo o seu mal prejudicando a linda relação entre Rodrigo e Billy. Não quero dar spoiller, mas nesse momento meu coração doeu e as lágrimas foram inevitáveis...

André e Larissa são duas crianças de nove anos, vizinhos e melhores amigos que compartilham sua paixão pelos animais. Larissa tem uma gatinha amada, Nina e André acaba de perder seu companheiro canino. Ambos são crianças amorosas, criadas por pais igualmente amorosos e bondosos. Os caminhos do pai de André, Wilson, se cruzam com um cão abandonado, machucado e doente: Bruce. E este cão trás a alegria de volta ao garoto André que imediatamente estabelece uma relação de amor com o novo companheiro. Bruce é um cão especial, que já sentiu na pele a crueldade do Homem e tem na casa de André um recomeço para uma vida melhor.

Mas O melhor amigo do inimigo não aborda somente as questões animais, mas fala também sobre traição, segunda chance, perdão, ódio, maldade e renovação. A mãe de Ítalo, padrasto da Larissa é um exemplo de pessoa movida pelo ódio, ciúme e inveja e que faz de tudo para acabar com a harmonia da família do filho e agride os animais sempre que pode. Mas chega em um momento de sua vida, tem que refletir e se dar conta de onde seus erros a levaram e qual caminho seguir dali para frente. 

Inseridos na narrativa, temos explicações sobre as almas dos animais, sua evolução, sobre a dinâmica da influência que os espíritos podem exercer sobre os encarnados e uma verdadeira lição sobre o uso da homeopatia. 

O melhor amigo do inimigo é um livro revelador e intrigante. Recomendo a todos que gostam do tema ou aqueles que apenas estão abertos a novos pontos de vista. 

13 de jul de 2017

Resenha: Outros jeitos de usar a boca

Outros jeitos de usar a boca
Rupi Kaur
Planeta, 2017

SINOPSE:
Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. 
Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Bom, antes de falar qualquer coisa quero deixar o vídeo da JoutJout sobre esse livro porque vale muito a pena assistir: https://www.youtube.com/watch?v=QBSuSPNOkaI&t=371s .

Meu primeiro comentário sobre a obra é que não é a toa que esse livro está na lista dos mais vendidos há tantas semanas. O texto é simplesmente maravilhoso em todos os aspectos: a poesia é bem escrita e os temas abordados são profundos, sensíveis e importantes de serem discutidos.

A autora divide o livro em quatro partes:

·      A dor: dos relacionamentos, dos abusos, das relações familiares e pessoais. Nessa parte é a que ela mais fala sobre a posição que a mulher ocupa na sociedade no mundo todo. Ela aborda o machismo e os abusos sofridos durante toda a vida por várias figuras masculinas.
“você tem dores
morando em lugares
em que dores não deveriam morar"

·      O amor: ela começa falando sobre o amor materno e passa para tudo o que um relacionamento desperta. As primeiras fases, o frio na barriga, aquela paixão incontrolável e a sexualidade.
“eu estou pronta para você
eu sempre
estive
pronta para você”

·      A ruptura: a decepção, o término, aquela dor inconfundível. Ela trata todas as nossas fraquezas e orgulhos no momento tão frágil e comum.

“o amor não é cruel
nós somos cruéis
o amor não é um jogo
nós fizemos um jogo
do azar”

·      A cura: essa foi a minha parte favorita. Ela mostra o empoderamento da mulher e o feminismo. Fala como precisamos nos amar e também amar uma às outras. Não somos inimigas e precisamos nos juntar para sermos mais fortes.

“você merece
se encontrar completamente
no seu ambiente
não se perder no meio dele”

Minha única ressalva é que eu acho que esse livro merecia um projeto gráfico mais caprichado, com uma fonte mais bonita e diferente e até com o corpo maior. Concordo com fazer um projeto simples, mas, na minha opinião, ficou sem graça.

Para resumir, um livro que desperta as mais diversas emoções: alegrias, tristezas, amor, dor, decepção e esperança. Torço para que continue vendendo muito!

30 de jun de 2017

Resenha: Trinta e poucos

Trinta e poucos
Antonio Prata
Companhia das Letras, 2016

SINOPSE:

Mais que qualquer escritor em atividade, Antonio Prata é cultor do gênero -consagrado por gigantes do porte de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Nelson Rodrigues - que fincou raízes por aqui: a crônica.

Pode ser um par de meias, uma semente de mexerica, uma noite maldormida, a compra de um par de óculos, a tentativa de fazer exercícios abdominais. Quanto mais trivial o ponto de partida, mais cheio de sabor é o texto, mais surpreendente é a capacidade de extrair sentido e lirismo da aparente banalidade.
Trinta e poucos traz crônicas selecionadas pelo próprio autor a partir de sua coluna na Folha de S.Paulo. Um mosaico com os melhores textos do principal cronista do Brasil.


Pensem naquele livro maravilhoso que desperta sorrisos a cada parágrafo. Eu pensei no Trinta e poucos.


Antonio Prata conseguiu, mais uma vez, juntar comédia, sensibilidade e uma escrita impecável em uma obra literária. Em Nu, de botas, o autor trabalha sobre a sua infância e em Trinta e poucos, como diz o nome, é a fase adulta.

Como já é característica do autor, é um livro de crônicas leves, engraçadas e muito envolventes. Para Antonio Prata, qualquer acontecimento, por mais leviano que seja, pode se transformar numa história incrível e que vai prender o leitor do início ao fim.
Claro que o humor é um traço muito forte nessa escrita, mas o autor fala (e muito bem!) sobre amor, amadurecimento, relações pessoais e desafios da vida adulta.

Quando terminei de ler, eu tinha um sorriso no rosto e o desejo que a obra tivesse mais páginas. É daqueles que você não consegue parar de ler, mas não quer que acabe.
Indico para jovens e adultos que estão procurando uma leitura para as férias ou para ler no caminho do trabalho. 
Não vão se arrepender!

27 de jun de 2017

Livrarias portuguesas famosas - Parte 2 - Lello

Fachada - imagem extraída da internet
A centenária Livraria Lello está localizada em Porto. Fundada em 1906 pelos irmãos José e Antonio Lello, é reconhecida como a terceira livraria mais linda do mundo! E eu concordo... é linda mesmo.

A livraria tem uma relação com a escritora J.K.Rowling. Apesar dela não comentar muito sobre o tempo que morou em Porto, dizem que ela frequentava a livraria enquanto finalizava o primeiro livro da saga Harry Potter e a usou como inspiração para criar a "Floreios e Borrões", loja em que os bruxos compravam seus livros antes de irem para Hogwarts. Dizem ainda, que J.K. muito se inspirou na cidade portuguesa ao criar o universo mágico de HP. As suas obras tem um local de destaque na livraria.

Porém, toda a fama trouxe um excesso de visitantes para o espaço tornando praticamente impossível explorar seu acervo. São turistas e mais turistas se espremendo pelos corredores! Hoje a livraria até cobra uma entrada de 4 euros que são dedutíveis no caso de compras. 

No dia da nossa visita está lotada, dificultando o registro adequado por fotos, mas tentamos:









Teve até visita ilustre!

Aqui o cantinho especial com as obras do universo Harry Potter:









Mas para comprovar a real beleza da livraria, vejam essas imagens disponíveis na internet e registradas sem o alvoroço dos turistas.
É mesmo linda, ou não?







Não podia faltar a selfie kkk


26 de jun de 2017

Resenha: Garota em pedaços

Garota em Pedaços
Kathleen Glasgow
2017, Planeta

SINOPSE:
Quando o plano de saúde de sua mãe suspende seu tratamento numa clínica psiquiátrica – para onde foi após se cortar até quase ficar sem vida –, Charlotte Davis troca a gelada Minneapolis pela ensolarada Tucson, no Arizona (EUA), na tentativa de superar seus medos e decepções. Apesar do esforço em acertar, nessa nova fase da vida ela acaba se envolvendo com uma série de tipos não muito inspiradores.
Cansada de se alimentar do sofrimento, a jovem se imbui de uma enorme força de vontade e decide viver e não mais sobreviver. Para fugir do círculo vicioso da dor, Charlotte usa seu talento para o desenho e foca em algo produtivo, embarcando de cabeça no mundo das artes. Esse é o caminho que ela traça em busca da cura para as feridas deixadas por suas perdas e os cortes profundos e reais que imprimiu em seu corpo. 

Garota em pedaços.. só de ler a sinopse já dó um nó no estômago ao imaginar o que nos espera nas 383 páginas desse romance de estréia da escritora Kathleen Glasgow, publicado pela Editora Planeta esse ano. Confesso que demorei um pouco para iniciar a leitura, fui deixando de lado, passando outros na frente, pois não queria uma história pesada. Mas quando eu comecei... não larguei mais. O tema é pesado sim, mas a escritora foi genial na sua narrativa. Ela conseguiu expor um tema complicado, repleto de preconceitos e julgamentos de uma forma que chegou um pouco mais suave ao leitor. Um narrativa que chega a ser poética por diversas vezes. Ela me conquistou. 

A história começa com Charlotte internada em uma clínica para pessoas que praticam automutilação e aos poucos vamos conhecendo mais da personagem, ao passo que ela vai se recordando de tudo o que viveu e que a levou até ali. Já temos ai o primeiro impacto: a vida de Charlotte foi toda errada e uma sucessão de acontecimentos a transformou em uma garota triste e sem futuro. No nosso dia a dia, chegamos a ser críticos com jovens que se perdem, que se deixam levar por vícios ou por fraquezas e quando nos deparamos com um história como a de Charlotte, que é uma ficção, mas expõe o que muitos jovens vivem, percebemos que pode sim um jovem se anular completamente a ponto de ser alvo fácil para traficantes, cafetões ou sociopatas.

Charlotte sofreu com a morte do pai, com a violência da mãe, com a escolha em morar na rua e viver do lixo, com o desamparo e o abuso. Buscou na automutilação uma força para continuar. É como se de toda a dor que o mundo impõe a ela, se cortar é só mais uma, e pelo menos essa dor, ela escolhe quando sentir.  E ela faz isso até quase morrer. Passada a agressão e curados os ferimentos, ficam as cicatrizes que a marcam para sempre e a tornam ainda menor, pois diante do mundo ela não tem coragem de mostrar seu corpo. São braços e pernas que contam sua história ao mundo. Se sente feia, deformada e impossível de ser amada. O que foi um pequeno alívio, se torna uma sentença para a vida toda. 

Quando sai da clínica, Charlotte teme não ter forças para seguir os passos que lhe foram ensinados durante o tratamento, dá algumas escorregadas e mantém sempre por perto seu "kit do amor", como ela chama sua caixinha com cacos de vidro e materiais para curativos. Mas ela segue em frente, arruma um trabalho, tenta namorar. Infelizmente, Riley é alguém tão ferrado quanto ela e que ao invés de a levar para longe dos perigos, a coloca mais ainda em tentação. E tentação é o que não falta para ela, que tem a vontade de se cortar sempre rondando seus pensamentos. Seu único refúgio é sua arte: ela desenha muito bem e pode ser essa a luz no fim do túnel.

A história tem outros personagens interessantes, como Blue, a amiga de Charlotte que vivia também na clínica, Ariel, a artista plástica que reconhece a dor na garota por ter ela também uma história familiar que não acabou bem. Mikey, o amigo que ofereceu ajuda quando nem a mãe se propõe a estar perto, entre outros. 

Esse livro me emocionou, me fez refletir e mudar a forma como vejo (e julgo!) algumas situações. Foi uma leitura gratificante.

No final, na "Nota da autora" entendemos o motivo de Kathleen falar com tanto sentimento sobre a vida de Charlotte: ela mesma tem sua pele marcada pela automutilação!

Garota em pedaços, eu recomendo!

21 de jun de 2017

Livrarias portuguesas famosas - Parte 1 - BERTRAND

Recentemente, tivemos a oportunidade de conhecer duas livrarias de Portugal famosas: a Bertrand e a Lello. 

A livraria Bertrand é a maior rede de Portugal, mas o que a faz especial é sua data de inauguração de sua unidade mais antiga: 1732!

Em 1732 a primeira livraria foi inaugurada na esquina da Rua Direita do Loreto com a Rua do Norte em Lisboa, mas após o terremoto de 1755 que destruiu grande parte da cidade, ela reabriu no endereço que ocupa até hoje, na rua Garret.
Reconhecida como a mais antiga do mundo, continua a encantar leitores e turistas que tem parada obrigatória lá. 


Foto extraída da internet 


Seu acervo é muito bem organizado e os espaços de circulação permitem ao leitor explorar os títulos com tranquilidade. Ela está dividida em salas, ligadas por corredores que dão um charme a mais ao local. 

Vejam as fotos que tiramos em nossa visita:


Fachada da loja localizada na Rua Garret


As salas interligadas pelos corredores






Ficou curioso? Confira também o vídeo publicado pelo Eduardo do Viver Lisboa Tours em sua página no facebook: Bertrand por Viver Liboa Tours .

Conheça mais sobre a história no site da livraria:  http://www.grupobertrandcirculo.pt/quem-somos/historia/



Resenha: Vocação para o Mal

Vocação para o Mal
Robert Galbraith
Rocco, 2016

SINOPSE:

Quando um misterioso pacote é entregue a Robin Ellacott, ela fica horrorizada ao descobrir que contém a perna decepada de uma mulher. Seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, fica menos surpreso, mas não menos alarmado. Há quatro pessoas de seu passado que ele acredita que poderiam ser responsáveis por tal crime – e Strike sabe que qualquer uma delas seria capaz de tamanha brutalidade. Mas quando a polícia foca no suspeito que Strike tem cada vez mais certeza de que não é o criminoso, ele e Robin precisam correr contra o tempo para descobrir a verdade.


Terceiro livro da aclamada série escrita por Robert Galbraith, pseudônimo de J. K. Rowling, e protagonizada pelo detetive particular Cormoran Strike e por sua assistente Robin Ellacott, Vocação para o mal é um suspense diabolicamente inteligente, com reviravoltas inesperadas a cada página, e também a emocionante história de um homem e de uma mulher numa encruzilhada em suas vidas pessoais e profissionais. O livro estreou em segundo lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times e alcançou os principais rankings nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Sou fã assumida da JK Rowling, quer ela escreva com seu nome ou com pseudônimo! E adoro as aventuras do polêmico detetive Cormoran Strike, protagonistas nos livros escritos por ela com o nome de Robert Galbraith.

Nesse terceiro livro, Cormoran vê sua assistente Robin ameaçada quando recebe um caixa contendo uma perna humana! Isso mesmo, uma perna feminina. Imediatamente, Cormoran pensa em três possível pessoas que poderiam ter cometido esse crime e enviado a perna para ele (apesar da destinatária ser Robin, fica claro que o criminoso quer atingir Strike).

Paralela a fraca investigação da polícia, Strike e Robin fazem sua própria investigação dos suspeitos, enquanto acompanham a queda do escritório do detetive. A publicidade obtida com o recebimento de um membro humano não é nada positiva para o escritório e os clientes se afastam rapidamente.

Como se não bastasse todo esse drama, Robin vive outro em sua vida pessoal: com casamento marcado com Matthew, ela ainda tem muitas dúvidas quanto ao seu destino e as cenas de ciúmes do noivo com relação a Strike não ajudam em nada.

Vocação para o mal é mais uma história bem construída que vai levando o leitor página a página para o desfecho, que não chega a surpreender, mas é bem consistente.

Quanto a vida pessoal de Robin, só lendo para saber se ela se casou ou se deixou levar pelos sentimentos não revelados que sente por Strike...

1 de jun de 2017

Resenha: Harry Potter e a criança amaldiçoada

HARRY POTTER E A CRIANÇA AMALDIÇOADA
Partes um e dois
J.K.Rowling
Rocco, 2016

SINOPSE:
Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. 

Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. 

À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.


Dezenove anos depois....

Elenco da peça
Esse livro, chamado de o oitavo da série Harry Potter, é na verdade um roteiro da peça teatral de Jack Thorne que teve sua estréia em julho de 2016 em Londres. Por se tratar de um roteiro de ensaio, a história é dividida em atos com uma pequena descrição para ambientar a cena, seguida dos diálogos. No início é um pouco estranho ler dessa forma, mas rapidinho isso deixa de incomodar e a leitura flui.
A história tem início no ponto em que terminou HP e as relíquias da morte, 19 anos após a batalha de Hogwarts, quando o filho de Harry com Gina, Alvo Severo Potter está embarcando pela primeira vez para ir a Escola de Magia. Atormentado com a ideia de que seja escolhido para a Sonserina, Alvo logo se aproxima de Escórpio, filho de Draco Malfoy. A amizade dos dois não é bem vista pela família Potter, principalmente quando o nome de Voldemort volta a circular no mundo mágico. A trama gira em torno de Alvo, Escópio, da ameaça da volta do mal e da conturbada relação de Harry com seu filho.

Confesso: foi uma delícia poder voltar ao universo HP e "rever" alguns de seus personagens mais marcantes. Apesar de ter lido muitas críticas ao livro, eu gostei muito. Acredito que muitos leitores iniciaram o livro pensando em uma continuação da escrita da JK e estranhou o formato roteiro, sem todos aqueles detalhes incríveis que só ela consegue colocar na história sem deixar maçante. 

E o que falar da edição brasileira feita pela Rocco? Simplesmente sensacional! Capa dura preta com uma sobrecapa em tons de amarelo/dourado linda! Nota 10 para a edição!