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22 de out. de 2018

Resenha: Manual prático de bons modos em livrarias

Manual prático de bons modos em livrarias
Lilian Dorea
2013, Seoman

SINOPSE:
Em 2011 a livreira Lilian Dorea criou o blog [manual prático de bons modos em livrarias], para revelar histórias saborosas e hilárias de seus atendimentos em livrarias. O sucesso foi imediato e ela passou a receber relatos de outros livreiros. Agora, transformado em livro, ela reúne os melhores “causos” do blog, histórias inéditas, curiosidades, dicas de livros, blogs, sites e, claro, livrarias e sebos. Se você quiser evitar ser o novo protagonista de um post do [manual prático de bons modos em livrarias] é melhor ler este livro com toda atenção e aprender a “etiqueta” das livrarias.

Uma amiga me indicou esse livro quatro anos atrás, mas nunca fui atrás de comprá-lo. Até que eu estava lá, enchendo o carrinho de compras no site de Amazon, e dei de cara com ele; comprei!
Posso dizer que me arrependi de não ter lido antes, pois o tanto de risada que eu dei durante a leitura não dá pra medir.
Manual prática de bons modos em livrarias foi escrito por uma ex-livreira que também criou o blog que leva o mesmo nome (e você pode acessá-lo  aqui). Através de pequenas “esquetes”, elas conta as conversas mais loucas, absurdas e inesperadas que acontecem entre um cliente e um vendedor dentro de uma livraria.
É cliente que não lembra o título do livro, nem o nome do autor e nem histórias, mas quer que o livreiro encontre a obra mesmo assim. E também tem os livreiros que confundem os autores mais diferentes possíveis.
Com um humor ácido e sincero, muita ironia e bastante jogo de cintura, a autora  montou um manual completo sobre como nos comportar em livrarias, não importa se você está comprando ou vendendo.
Escolhi um dos meus trechos favoritos para ilustrar para você o que eu estou falando:

Freguesa: Mocinha, por favor, você tem esse livro, só que em roxo?
(Sim, a freguesa estava apontando para O Livro Vermelho, aquele do Jung, aquele que é vermelho, e só vermelho, e por isso se chama O Livro Vermelho.)
Livreira: Como assim, minha senhora?
Freguesa: Então, é que eu estou decorando um ambiente e preciso de três metros de livros roxo. Tem como você me arranjar esse livro grandão, só que roxo?

Você já passou por alguma situação parecida? Se sim, conte para nós aqui nos comentários!

7 de out. de 2018

Resenha: Queria ter ficado mais

Foto: Luis Gomes
extraída do site http://www.lote42.com.br/queriaterficadomais/livro
Queria ter ficado mais
Organização: Cecilia Arbolave
Ilustração: Eva Uviedo
2015, Lote 42

Queria ter ficado mais reúne 12 histórias escritas por mulheres em diferentes cidades do mundo - da vizinha Buenos Aires à longínqua Tóquio. São viagens que vêm dentro de envelopes, como cartas enviadas de diversosj potnos do globo para um único destinatário: você. 
Textos de: Barbara Hecker, Bruna Tiussu, Cecília Araújo, Cecília Arbolave, Clara Averbuck, Clara Vanali, Florencia Escudero, Isis Gabriel, Ligia Braslauskas, Lívia Aguiar, Luciana Breda e Olívia Fraga.

Sei que falo isso de quase todos os livros que leio, mas Queria ter ficado mais  estava na minha lista de desejo há muito tempo! Fiquei atraída por ele muito antes de saber sobre o que ele fala; o que foi paixão à primeira vista foi o projeto gráfico.
Esse “livro” é formado por doze cartas. Cada uma tem o seu envelope ilustrado, cada uma é de uma autora, cada uma se passa em um lugar do mundo e cada uma mexe com o leitor de alguma maneira.

Foto: Luis Gomes
extraída do site http://www.lote42.com.br/queriaterficadomais/livro
As cartas – de, aproximadamente, 10 páginas cada – contam experiências de viagens marcantes das autores escolhidas. Durante a leitura, viajei pelo mundo inteiro, de Buenos Aires a Tóquio, em diferentes anos, épocas e através de visões distintas do mundo.
Esse último ponto é o mais curioso, com certeza. Como cada carta é de uma autora, em um local ou uma situação única, me deixei imaginar como eu me sairia naquelas situações... desde encontros improváveis a aventuras inimagináveis. Inclusive fiquei pensando em escrever a minha própria carta de viagem e, depois de muito pensar, decidi que escreveria sobre Barcelona.

Foto: Luis Gomes
extraída do site http://www.lote42.com.br/queriaterficadomais/livro

Além de muito bem escritas e de transmitirem um sentimento verdadeiro, as cartas também despertam o nosso espírito aventureiro e a vontade de sair pelo mundo colecionando carimbos no passaporte, memórias e experiências.




Se não ficou convencido, vale conferir o site que a Lote42 criou, na época do lançamento, especialmente para o livro com várias informações e fotos incríveis para deixá-lo com mais vontade ainda de ler: http://www.lote42.com.br/queriaterficadomais
Queria ter ficado mais terá um espaço especial na estante... queria ter ficado mais tempo lendo...

18 de jul. de 2018

Resenha: Nunca houve um castelo

Nunca houve um castelo
Martha Batalha
2018, Companhia das Letras

SINOPSE:
Rio de Janeiro, 1968. Estela, recém-casada, mancha com choro e rímel a fronha bordada de seu travesseiro. Uma semana antes ela estava na festa de Réveillon que marcaria de modo irremediável seu casamento. Estela sabia decorar uma casa, receber convidados e preparar banquetes, mas não estava preparada para o que aconteceu. 
Setenta anos antes, Johan Edward Jansson conhece Brigitta também em uma festa de Réveillon, em Estocolmo. Eles se casam, mudam-se para o Rio de Janeiro e constroem um castelo num lugar ermo e distante do centro, chamado Ipanema. 
Nunca houve um castelo explora como essas duas festas de Ano-Novo definem a trajetória dos Jansson ao longo de 110 anos. É uma saga familiar embebida em história, construída com doses de humor, ironia e sensibilidade. A riqueza e a complexidade dos múltiplos personagens criados por Batalha permitem tratar de temas que se entrelaçam e definiram a sociedade brasileira nas últimas décadas, como o sonho da ascensão social, os ideais femininos e feministas, a revolução sexual, a reação ao golpe militar, a divisão de classes, a deterioração do país. 
Um romance comovente sobre escolhas e arrependimentos, sobre a matéria granular da memória e as mudanças imperceptíveis e irremediáveis do tempo.

Em 2016, despretensiosamente, comprei o A vida invisível de Eurídice Gusmão por dois motivos: 1- eu acho a capa incrível e 2- estava com saudades de ler autoras nacionais. O resultado foi um dos livros que mais me surpreendeu e mais uma autora nas listas para admirar: Martha Batalha.
Pois bem que agora, no início de 2018, ela lançou seu segundo livro pela Companhia das Letras, Nunca houve um castelo. Claro que não descansei até comprá-lo e terminar a leitura.
Martha Batalha recriou e construiu a história dos descentes de Johan Jansson, um cônsul da Suécia no Brasil que construiu um castelo em Ipanema, em 1904.

“ – O que existe depois daquela igrejinha? – Perguntou Brigitta.
– Nada – disse Johan.
Nas muitos vezes em que se lembrou desse dia, Johan não soube dizer se foram as vozes ou a ausência delas que fizeram sua mulher dizer:
–       Então é para lá que devemos ir.”

Começando por Johan e Brigitta e passando pelos filhos, netos, pais, noras e conhecidos, a autora conta a história de cada personagem que participa deste livro. Todos eles tem início, meio e fim, e isso é fantástico.
Todos que passam pelas páginas são igualmente importantes e reais, ou seja, eles erram, acertam, tem medos e certezas. O leitor se envolve muito com a família e é incrível ver como o tempo e os acontecimentos modificam tanto as pessoas, as relações e o próprio Rio de Janeiro.
Ela cobre quase um século da história de Ipanema, um dos bairros mais famosos do Rio de Janeiro, e também do Brasil, já que dá destaque para duas coisas muito importantes: a ditadura e o fortalecimento da mulher na sociedade.
Outra preocupação clara da autora é o contexto histórico do livro, é notável toda a pesquisa e vivencia que ela teve que passar para escrever com tanta propriedade.
Uma característica que eu já havia amado no primeiro dela, e só fortaleceu nesse é como ela retrata tão bem o universo feminino. Todas as personagens mulheres são fortes, bem construídas e cativantes, cada uma a sua maneira.

"Para que se casar? Gostava de ser muitas mulheres, desde que nenhuma fosse a mulher de alguém."

Além disso, Nunca houve um castelo traz doses de humor, de tensão, amor, traição, dúvidas, amizades... resumindo: é extremamente real. E, apesar de retratar um outro século, é muito atual (o que dá mais força para a crítica social que o livro apresenta)
Sabe aquele livro que você dá risada em uma página, quase chora três páginas depois, tem raiva de um personagem ou de uma situação no começo do capítulo e termina o mesmo torcendo por ele? É exatamente assim.
Obrigada por mais um romance completo, sensível e profundo, Martha <3

11 de jul. de 2018

Resenha: Um de nós está mentindo


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UM DE NÓS ESTÁ MENTINDO
Karen M. McManus
2018, Galera Record

SINOPSE:
Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? O que realmente importa é até onde você iria para proteger os seus.

Esta resenha é a primeira coisa que estou fazendo após terminar de ler Um de nós está mentindo, da autora norte-americana Karen M. McManus. Estou fazendo isso porque fiquei tão encantada por essa obra que quero escrever enquanto a história está recente em minha cabeça.

Ao contrário da grande maioria dos livros que eu leio, esse não chegou até mim através de indicação de ninguém. Navegando pelo site da livraria, me encantei pela junção da capa, título e subtítulo e ele entrou na minha lista de desejos. Depois de ler as 384 páginas em 3 dias, posso dizer que ele fez jus às minhas expectativas.

Um de nós está mentindo é narrado pelos quatro personagens principais, que se alternam entre si e contam a história em tempo real, cada um do seu ponto de vista. São eles Bronwyn, a gênia; Addy, a bela; Nate, o criminoso; e Cooper, o atleta. Apesar de serem os estereótipos clichês da uma ensino médio norte-americano, todos os personagens me impressionaram muito conforme a história se desenvolve.

Os quatro protagonistas, que possuem pouca ligação entre si, vão parar na detenção com Simon, o criador do aplicativo de fofocas da escola que já arruinou a vida de muitos alunos. Porém, antes do final da detenção, Simon morre e as pessoas que estiverem com ele por último na sala são as principais suspeitas, já que todos tem ótimos motivos para terem cometido o assassinato.

Obviamente alguém sabe mais do que está contando e com certeza há muito segredos, armadilhas e mentiras por traz da morte de Simon, e a grande pergunta é: Você é capaz de ligar dos pontos e descobrir a verdade?

Quanto mais você se envolve com os personagens e torce para nenhum deles ser o culpado, mais fica impossível parar de ler um só minuto, até descobrir a verdade.

A autora amarrou muito bem cada detalhe da história, de modo que o leitor muda de suspeito a todo momento e, no final, mesmo que estivesse correto, acaba surpreendido de outra maneira. A escrita é muito envolvente e a construção dos personagens é gradativa, o que me agradou muito. No começo todos eles parecem muito superficiais, mas a história se desenrola e apresenta o melhor (e o pior) de cada um deles.

Além do mistério e da pressão que a polícia e os jornais estão colocando nos alunos, há também várias doses questões adolescentes (aqueles clichês que a gente ama num livro, né?): amor, dúvidas, traição, amizades improváveis, problemas familiares etc.

Como ponto negativo, apenas uma questão técnica: encontrei vários problemas de impressão como letras faltando, páginas meio tortas e outras muito carregadas de tinta... coisas que eu já tinha reparado em outros livros da editora Record.

Adorei o livro e indico muito!

29 de mar. de 2018

O Projeto Jane Austen

O Projeto Jane Austen
Kathleen A. Flynn
Única, 2018

Sinopse:

“Brilhantemente escrito e leitura obrigatória para qualquer fã de Jane Austen!”
Paula Byrne, autora de The Real Jane Austen

Inglaterra, 1815.
Rachel e Liam são dois viajantes do futuro que chegam à antiga Londres com a missão mais audaciosa do que qualquer viagem no tempo que já ocorreu: encontrar Jane Austen, ganhar a confiança dela e roubar um manuscrito inacabado.
Ela, uma médica; ele, um ator. Selecionados e treinados cuidadosamente, tudo o que Rachel e Liam têm em comum é a admiração pela autora e a situação extraordinária em que se encontram – e que obriga Rachel a colocar seu jeito independente de lado e deixar Liam assumir a liderança enquanto se infiltram no círculo da família Austen.
Além do desafio de viver uma mentira, Rachel luta para diagnosticar a doença fatal de Jane. À medida que a amizade das duas se fortalece e o seu relacionamento com Liam torna-se complicado, Rachel faz de tudo para reconciliar seu verdadeiro eu com as convicções da sociedade do século XIX.
O tempo está acabando. Rachel e Liam conseguirão deixar o passado intacto? Depois desse encontro com Jane Austen, a vida que os espera no futuro será o bastante?

  "Que tipo de maluco viaja no tempo?, era algo que eu me perguntaria mais de uma vez antes de tudo terminar."

Eu estava bem carente de livros que não me deixassem parar de ler. Aquele tipo de história que faz você dormir mais tarde ou perder o ponto do ônibus, sabe? Por isso, O Projeto Jane Austen veio em ótima hora: muito mais do que essa capa linda, é um romance incrível com vários pontos que me chamaram a atenção.

A história em si já é bem inusitada. Afinal, segundo a própria protagonista, que tipo de maluco viaja no tempo? E do que você estaria disposto a abrir mão por um romance a mais de Jane Austen?

Rachel e Liam volta para 1815, em um mundo totalmente diferente do qual conhecem com um grande objetivo: eles precisam encontrar as cartas que Jane escreveu para sua irmã Cassandra nas quais ela conta sobre Os Watsons, uma obra inacabada da autora e muito desejada pelos leitores do futuro. Além de precisarem se infiltrar na família Austen com o máximo de confiança, eles ainda têm um grande desafio: não alterar a história de maneira alguma.

O ritmo da história é lento com algumas poucas cenas que deixam o coração acelerado, mas nem de longe é maçante. Como ele é narrado pela Rachel, é cheio de pensamentos e reflexões dela e, além disso, é bem rico de detalhes... esses dois fatores contribuem muito para que seja uma leitura devagar.

Mas se tem uma coisa que me impressionou muito foi como a autora conseguiu ambientar o leitor em um cenário de 200 anos atrás com tanta precisão. Os detalhes, os diálogos e a construção de cada personagem foram bem pensados e expostos para o leitor de como que ele se sinta viajando no tempo junto com os protagonistas.

Agora, se eu preciso escolher uma coisa favorita, com certeza é a Rachel! Mulher forte, independente e extremamente inteligente, que precisa lutar contra o seu modo de ser para se adequar ao padrão da mulher do século 18, ou seja, deixar o Liam assumir as rédeas da situação. E mesmo sendo forçada a ser "secundária", é ela quem se aproxima de Jane, ganha seu espaço na família e faz toda a diferença dentro da história!

Gosto muito desse trecho, que é quando ela conhece a Jane pela primeira vez:

"Liam foi na frente pelo corredor, e fui deixada com Jane Austen, quase sem poder acreditar. Quanto tempo eu vinha antecipando este dia, trabalhando para isso, desejando isso! E o que eu sentia mais que tudo era medo. Eu teria dado qualquer coisa para estar em casa, lendo um dos livros dela. Como é possível alguém impressionar Jane Austen?"

Além das óbvias pesquisas que Kathleen teve que fazer para construir o cenário da história, ela é com certeza uma fã de carteirinha da Jane Austen, já que faz diversas referências das obras da outra e como suas personagens podem ter sido inspiradas em situações ou pessoas de sua vida. Apesar disso, não atrapalha em nada a leitura de quem não tiver lido esses livros, apenas enriquece para quem já os conhece.

Acho muito legal compartilhar que a Única criou uma playlist para acompanhar esse livro: bit.ly/playlist_projeto-jane-austen

Boa leitura!

7 de mar. de 2018

Fraude legítima

FRAUDE LEGÍTIMA
E. Lockhart
Seguinte, 2017

Sinopse:
Jule West Williams é uma garota capaz de se adaptar a qualquer lugar ou situação. Imogen Sokoloff é uma herdeira milionária fugindo de suas responsabilidades. Além do fato de serem órfãs, as duas garotas têm pouco em comum, mas isso não as impede de desenvolver uma amizade intensa quando se reencontram anos depois de terem se conhecido no colégio. Elas passam os dias em meio a luxo e privilégios, até que uma série de eventos estranhos começa a tomar curso, culminando no trágico suicídio de Imogen e forçando Jule a descobrir como viver sem sua melhor amiga. Mas, talvez, as histórias das duas garotas tenham se unido de maneira inexorável — e seja tarde demais para voltar atrás.


E. Lockhart, a mesma autora que Mentirosos não decepcionou nesse novo livro. Na minha opinião, nem se compara ao primeiro romance da autora, mas tem uma característica comum aos outros dois: o ritmo rápido que te faz engolir as palavras e ficar com o coração acelerado de tanta ansiedade para descobrir o que vai acontecer.

Assim como o primeiro livro, é preciso tomar muito cuidado com spoilers, pois qualquer mínimo detalhe pode estragar a experiência da leitura.
A falta de linearidade do livro contribui para a aceleração da leitura: o primeiro capítulo é o penúltimo e a partir dele vamos lendo a história de "trás para frente", até chegar ao último capítulo, que é a conclusão da história. 
Como se isso não bastasse para deixar o leitor um pouco confuso, ainda há o fato de que Jule, a protagonista e narradora da história, é uma mentirosa de mão cheia e se contradiz a todo momento, então não fica claro o que está acontecendo de verdade e o que são os pensamentos dela.
Há momentos de muita surpresa e revelação, mas admito que assim que eu entrei no ritmo do livro eu descobri várias coisas de cara. Acho que isso se deve ao fato de que, por já ter lido outras duas obras de E. Lockhart, aprendi a ler com mais atenção alguns detalhes que parecem "soltos".
Não é daqueles livros que você pode sentar e ler sem prestar atenção, pois vai chegar ao final sem ter entendido nem metade da história. Fraude legítima exige sua atenção e não decepciona.
Indico a leitura principalmente para os fãs de thrillers psicológicos, o livro tem uma pegada muito parecida! ;)

31 de out. de 2017

Comprei uma caixa da Tag Literária!

Dois meses atrás (sim, estou muito atrasada) eu realizei uma vontade: comprei uma caixa da Tag Literária! 
Para quem não conhece ainda, acesse o site: https://taglivros.com.
Resumindo: é um clube de leitura por assinatura, com edições especiais e brindes. Acompanho o trabalho deles há muito tempo e sou muito fã. Cada edição é impecável e uma verdadeira experiência de leitura.
O que me fez, finalmente, assinar o clube foi que a edição de julho foi um livro exclusivo, em homenagem ao aniversário de 3 anos da Tag.

Na verdade, foi essa descrição no site deles que definiu minha compra:
"O escritor Luiz Ruffato foi o responsável por desafiar 10 grandes autores de língua portuguesa a selecionarem um conto clássico e escreverem sua própria releitura. A coletânea, intitulada Uns e outros, contém tanto os dez contos clássicos escolhidos quanto suas releituras inéditas.
Na organização da coletânea: Luiz Ruffato e Helena Terra. Os autores desafiados: Ivana Arruda Leite, Luiz Antonio de Assis Brasil, Beatriz Bracher, Milton Hatoum, Eliane Brum, Paulo Lins, Ana Maria Gonçalves, José Luis Peixoto, Maria Valéria Rezende e Cristovão Tezza."

A experiência começa abrindo a caixa, que é toda estampada por dentro e por fora, e dentro dela:

Uma carta sobre os 3 anos da Tag
Um manual do usuário com o especial de "como ler este livro"
Um manual do usuário com o especial de "como ler este livro
Imãs de geladeira com várias palavras para que possamos fazer a nossa própria releitura de um poema
Um box maravilhoso com o livro e com a revista

Ainda não conseguir ler o livro, mas a edição está simplesmente maravilhosa: capa dura, com relevo, projeto gráfico lindo e acabamento impecável.





E a revista é toda colorida, com fotos e extremamente bem diagramada!

Adorei a experiência e estou louca para encaixar essa leitura na minha listinha (interminável) de livros para ler!

29 de set. de 2017

Resenha: A pequena pianista


A pequena Pianista

Jane Hawking
2017, Única

SINOPSE
Uma vez sentada diante do piano, Ruth se aplicava de coração ao instrumento e à música, esquecendo as reservas inconscientes que pudesse ter sentido.
Ruth nasceu em uma Londres ainda muito marcada pelo fim recente da Segunda Guerra Mundial. Uma criança observadora e pensativa que se vê diante de um mundo adulto confuso, misterioso e de histórias incompletas. Seu maior refúgio está nas lembranças de um tempo mais simples, quando visitava seus avós em Norhambury. À medida que se aproxima da própria adolescência, Ruth descobre a motivação para perseguir o seu sonho de se tornar uma pianista renomada, ao mesmo tempo que se depara com os segredos de sua família ao longo do caminho.
A pequena pianista é um romance sobre a natureza imprevisível do comportamento humano e sobre assumir o controle do próprio destino, apesar dos desafios. Uma história sobre diferentes tipos de amor entre pais, avós e crianças, entre jovens descobrindo a primeira paixão e, acima de tudo, o amor pela música.
É hora de fechar a porta do passado e dar uma chance ao futuro.
Pensem em um livro lindo, profundo e encantador. É esse!
A pequena pianista é uma grande história (literalmente, o livro tem 464 páginas!) sobre a pequena Ruth, uma menina que nasceu em uma Londres ainda muito afetada pelo fim recente da Segunda Guerra Mundial.

A autora é a Jane Hawking, a mesma de A teoria de tudo, cuja adaptação para o cinema rendeu o Oscar de melhor ator ao Eddie Redmayne.

Voltando para história, Ruth é filha de John (a quem ela chama de Papai) e de Shirley, com quem tem uma relação extremamente distante e cheia de mistérios.
Desde criança, Ruth viu seus pais discutindo sobre assuntos que ela não entendia e que ninguém se importava em explicar e, por isso, cresceu com muita dificuldade de se conectar com a mãe, com a casa e com o mundo no qual vive.
Os seus dias felizes, e que lhe renderam as melhores memórias, foram quando ela visitava os avós em Norhambury, Nan e Vovô. A casa dos avós é o único lugar no qual Ruth podia ser ela mesma e ser querida e amada incondicionalmente por isso. E também foi lá que ela aprendeu a tocar piano, graças a influência de uma tia falecida que ninguém quer falar a respeito, por mais que Ruth sinta-se fascinada por ela.
A paixão pelo piano e pela música cresce muito rápido dentro de Ruth, e o talento também! Mas, como muitas coisas em sua vida, ela não pode compartilhar esse dom com os pais. Com isso, passa por muitas coisas pra conseguir praticar e deixar aflorar esse dom.

Na quarta capa do livro está escrito que é uma história sobre "a natureza imprevisível sobre o comportamento humano e sobre assumir o controle do próprio destino", e essa frase não poderia descreve melhor.
Todas as páginas são repletas questões sobre relações familiares, amor, segredos, mistérios e dúvidas.

E o que eu mais gostei: a autora deixa a história bem aberta, permite muitas interpretações dependendo de cada leitor. E até no final, ainda ficam muitos pontos duvidosos... Será que vem um outro livro por aí? Espero que sim!

Sobre a parte gráfica do livro, sou suspeita para falar, mas está linda (e dá para perceber isso só de ver a capa, né?).

Recomendo muito participar da escrita impecável de Jane Hawking!


13 de jul. de 2017

Resenha: Outros jeitos de usar a boca

Outros jeitos de usar a boca
Rupi Kaur
Planeta, 2017

SINOPSE:
Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. 
Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Bom, antes de falar qualquer coisa quero deixar o vídeo da JoutJout sobre esse livro porque vale muito a pena assistir: https://www.youtube.com/watch?v=QBSuSPNOkaI&t=371s .

Meu primeiro comentário sobre a obra é que não é a toa que esse livro está na lista dos mais vendidos há tantas semanas. O texto é simplesmente maravilhoso em todos os aspectos: a poesia é bem escrita e os temas abordados são profundos, sensíveis e importantes de serem discutidos.

A autora divide o livro em quatro partes:

·      A dor: dos relacionamentos, dos abusos, das relações familiares e pessoais. Nessa parte é a que ela mais fala sobre a posição que a mulher ocupa na sociedade no mundo todo. Ela aborda o machismo e os abusos sofridos durante toda a vida por várias figuras masculinas.
“você tem dores
morando em lugares
em que dores não deveriam morar"

·      O amor: ela começa falando sobre o amor materno e passa para tudo o que um relacionamento desperta. As primeiras fases, o frio na barriga, aquela paixão incontrolável e a sexualidade.
“eu estou pronta para você
eu sempre
estive
pronta para você”

·      A ruptura: a decepção, o término, aquela dor inconfundível. Ela trata todas as nossas fraquezas e orgulhos no momento tão frágil e comum.

“o amor não é cruel
nós somos cruéis
o amor não é um jogo
nós fizemos um jogo
do azar”

·      A cura: essa foi a minha parte favorita. Ela mostra o empoderamento da mulher e o feminismo. Fala como precisamos nos amar e também amar uma às outras. Não somos inimigas e precisamos nos juntar para sermos mais fortes.

“você merece
se encontrar completamente
no seu ambiente
não se perder no meio dele”

Minha única ressalva é que eu acho que esse livro merecia um projeto gráfico mais caprichado, com uma fonte mais bonita e diferente e até com o corpo maior. Concordo com fazer um projeto simples, mas, na minha opinião, ficou sem graça.

Para resumir, um livro que desperta as mais diversas emoções: alegrias, tristezas, amor, dor, decepção e esperança. Torço para que continue vendendo muito!

30 de jun. de 2017

Resenha: Trinta e poucos

Trinta e poucos
Antonio Prata
Companhia das Letras, 2016

SINOPSE:

Mais que qualquer escritor em atividade, Antonio Prata é cultor do gênero -consagrado por gigantes do porte de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Nelson Rodrigues - que fincou raízes por aqui: a crônica.

Pode ser um par de meias, uma semente de mexerica, uma noite maldormida, a compra de um par de óculos, a tentativa de fazer exercícios abdominais. Quanto mais trivial o ponto de partida, mais cheio de sabor é o texto, mais surpreendente é a capacidade de extrair sentido e lirismo da aparente banalidade.
Trinta e poucos traz crônicas selecionadas pelo próprio autor a partir de sua coluna na Folha de S.Paulo. Um mosaico com os melhores textos do principal cronista do Brasil.


Pensem naquele livro maravilhoso que desperta sorrisos a cada parágrafo. Eu pensei no Trinta e poucos.


Antonio Prata conseguiu, mais uma vez, juntar comédia, sensibilidade e uma escrita impecável em uma obra literária. Em Nu, de botas, o autor trabalha sobre a sua infância e em Trinta e poucos, como diz o nome, é a fase adulta.

Como já é característica do autor, é um livro de crônicas leves, engraçadas e muito envolventes. Para Antonio Prata, qualquer acontecimento, por mais leviano que seja, pode se transformar numa história incrível e que vai prender o leitor do início ao fim.
Claro que o humor é um traço muito forte nessa escrita, mas o autor fala (e muito bem!) sobre amor, amadurecimento, relações pessoais e desafios da vida adulta.

Quando terminei de ler, eu tinha um sorriso no rosto e o desejo que a obra tivesse mais páginas. É daqueles que você não consegue parar de ler, mas não quer que acabe.
Indico para jovens e adultos que estão procurando uma leitura para as férias ou para ler no caminho do trabalho. 
Não vão se arrepender!

30 de mai. de 2017

Resenha: Enclausurado


ENCLAUSURADO
McEvan
Companhia das Letras, 2016

SINOPSE:
O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante — que é também tio do bebê —, assassinar o marido. 

Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica. 

Em sua aparente simplicidade, Enclausurado é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.


Intenso, devastador e maravilhosamente bem escrito: essas são as primeiras palavras que me vem à mente ao pensar no último romance de Ian McEwan, publicado no Brasil.
Enclausurado é narrado por um feto. Sim, isso mesmo. Por um feto, ainda sem nome, ainda sem ideia do mundo que o aguarda, ainda sem visão, que ainda está na barriga de sua mãe. (Vale dizer que a linguagem é bem formal, apesar do protagonista).

Mas o que está deixando esse bebê tão inquieto a ponto de narrar um livro inteiro? Sua mãe está em complô com seu tio para matar o seu pai.
Quando eu li a sinopse pela primeira vez, fiquei chocada e não muito interessada. E preciso confessar: o que me motivou a ler esse livro foi participar de uma leitura do Wagner Moura. Depois que ele já tinha narrado o começo, eu sabia que precisava terminar, e foi uma escolha incrível.

É uma narrativa com tensão a todo momento, como o nosso narrador não enxerga, não ouve tudo que acontece e não entende muitas coisa, é como se rolasse um mistério que precisamos desvendar.

A escrita do autor é muito boa e precisa e o que me encantou é o protagonista estar tão presente e, mesmo assim, não saber de nada, não poder fazer nada. Embora eu tenha ouvido opiniões de pessoas que não gostaram justamente do estilo de narrativa e da personagem principal, eu te indico a arriscar e tirar suas próprias conclusões e, quem sabe, se aventurar em outras obras de Ian McEwan.

Você pode ler um trecho do livro no site da editora, clicando aqui.

24 de mar. de 2017

Explicando meu TCC

Quem acompanha o blog há algum tempo, já deve lido eu comentar sobre a minha faculdade: Produção Editorial.
No final do ano passado, eu e o meu grupo, a Editora Entre Aspas, apresentamos o nosso TCC. O curso e a faculdade exigem um trabalho editorial completo, que envolva várias mídias, planejamento de marketing e estruturação da marca.
Hoje, eu vim apresentar pra vocês o que criamos para essa etapa tão importante da vida: o Festivando - a coleção que te convida a viajar pelo mundo em algumas páginas!

“Como projeto para 2017, desenvolvemos uma coleção sobre Festivais culturais e nacionais ao redor do mundo. Quer saber como funciona?

1.Todo mês lançaremos um livro com 4 festivais do continente escolhido para aquele mês. Você pode ver a relação completa dos livros no nosso novo site! www.editoraentreaspas.com.br

2. Junto com o livro você receberá duas peças colecionáveis representando dois Festivais.

3. Com o aplicativo Aurasma, essas peças te levam para um vídeo ilustrado e produzido especialmente para você sobre aquelas festas.

4. As peças também são para completar a sua mala/mapa de viagens!

5.Também desenvolvemos um aplicativo colaborativo para que os viajantes possam compartilhar experiências e dicas.

Ao final da coleção você terá 12 livros, 24 peças, uma mala de viagens que se transforma em um mapa imantado personalizado, vários amigos novos, muito conhecimento sobre 48 Festivais do mundo e uma vontade gigantesca de sair viajando!
E aí, vem voar com a gente?”

Claro que todo o trabalho é hipotético. Nós imprimimos, fizemos o aplicativo e gravamos os vídeos somente os dois primeiros volumes da coleção. O mapa e os fascículos, fizemos um exemplar completo.

Se tiver curiosidade, pode ter mais informações e fotos no site da editora: www.editoraentreaspas.com.br


Espero que tenham gostado! Foi trabalho, mas imensamente gratificante.

Juliana

18 de jul. de 2016

Resenha: Tá todo mundo mal

Tá todo mundo mal
Jout Jout
Companhia das Letras, 2016

Sinopse
Do alto de seus 25 anos, Julia Tolezano, ou Jout Jout, já passou por todo tipo de crise. De voltar frustrada das festas da adolescência por não ter encontrado o príncipe prometido por sua mãe a não fazer a menor ideia de que carreira seguir. Neste primeiro livro, ela reuniu suas "melhores" angústias em textos tão espirituosos e iluminadores quanto os vídeos do seu canal no YouTube.
Família, corpo, inseguranças, relacionamentos amorosos, trabalho, onde morar ou mesmo o que fazer com os sushis que sobraram no jantar são algumas das questões que ela levanta e com as quais todos nós podemos no identificar e até nos confortar – por nada como conhecer uma crise alheia para aliviar nossas próprias neuras.

Não sou muito de acompanhar canais do YouTube, os vídeos da JoutJout são os únicos que eu realmente gosto! Por isso, eu estava extremamente ansiosa para ler o Tá todo mundo mal.
Falando primeiro da parte gráfica do livro: tanto a capa quanto o miolo me agradaram bastante. Achei que ambos abordaram uma proposta bem moderna e jovial, perfeita para o público-alvo principal.

Quanto ao conteúdo: a autora reuniu diversas crises que surgiram ao longo de sua vida e fez um livro de crônicas. Os capítulos são bem curtos e objetivos que tratam a crise em questão: faculdade, carreira, namoros, amigos, insegurança e muitas outras coisas que, certamente, todos nós já passamos.

Quem conhece os vídeos consegue até "ouvir" a voz da autora enquanto lê. Ler o que ela escreve é como assistir o canal no youtube e, por esse motivo, imagino que os seguidores do canal tenham se sentido bem íntimos enquanto liam.

Eu gostei muito! Me identifiquei em cada crise e achei o livro engraçado e dramático na medida certa... é uma das únicas youtubers que eu fiquei realmente feliz ao ver que tinha conteúdo para ser colocado em páginas impressas.

Mas tem uma coisa que me decepcionou um pouco: eu acho que ela tem muito mais coisa interessante pra falar do que foi explorado nesse livro. Todos os capítulos são muito parecidos com algum vídeo que ela já tenha publicado, então o conteúdo ficou um pouco repetitivo. Isso não me incomodou, mas eu gostaria de ler sobre os assuntos mais sérios que ela trata no canal como igualdade social entre gêneros e raças.

Num balanço geral, eu gostei bastante, mas estava esperando uma leitura mais profunda.