14 de nov de 2014

Lançamento: Sete Anos - Fernanda Torres

O segundo livro de Fernanda Torres foi lançado pela Companhia das Letras e traz crônicas escritas pela atriz e publicadas na Folha de S.Paulo, na Veja Rio e na revista piauí.

O texto de orelha do livro é de Antonio Prata, que nos faz ficar com vontade de ler o livro hoje mesmo:



"Se o mundo fosse justo, Fernanda Torres escreveria mal – e não haveria nada de errado nisso. Uma das maiores atrizes brasileiras, bonita, bem casada, filha de Fernando Torres e Fernanda Montenegro, mãe de dois filhos – “e magra”, lembra minha mulher -, receberíamos seus textos como quem vê Bill Clinton tocar saxofone, Chico Buarque jogar futebol, Paul McCartney expor uma de suas telas: eles são bom em outras áreas, deixem que se divirtam à toa, vai...
Acontece que Deus foi bem pouco equânime aos aspergir talentos sobre esta pobre humanidade: enquanto a maioria de nós se esforça para fazer, mal e mal, uma coisa só, Fernanda Torres vem mostrando como escritora o mesmo talento que a consagrou como atriz. Se fosse acometida por um “stage fright”, o pânico de entrar em cena que abordou em sua primeira matéria para a revita Piauí, poderia dar a costas à ribalta e viver da pena Viver bem, aliás: seu romance de estréia, Fim (2013), foi elogiado pela crítica, vendeu mais de 100 mil exemplares e por várias semanas figurou como único representante tupiniquim nas listas de best-sellers do país.
Seta anos, seu segundo livro, traz uma seleção de colunas escritas para a Veja Rio e a Folha de S.Paulo, além de matérias e perfis publicados na Piauí. Os diferentes registros poderiam resultar numa obra heteróclita, mas quer fale da filmagens de Kuarup, do julgamento do Mensalão ou das contribuições do aspargo para a sexualidade humana, a voz de Fernanda Torres se sobressai, garantindo a coesão do volume.
Trata-se de uma voz muito particular. Do jornalismo, ela colheu as maiores virtudes – descrição objetiva, frases curtas e diretas, economia de meios -, mas sem descambar para a secura ou se esconder atrás do cinismo, como tantos que precisam emitir opiniões e não querem correr o risco de errar e/ou se expor. Fernanda se expõe. Talvez por não temer o palco, por ser da trupe de Dionísio, sob a escrita apolínea vai deixando aflorar sua visão de mundo, seus medos e contradições, numa rara mistura que nos dá um conjunto de ensaios curtos cheios de insights sobre o Brasil das últimas décadas e, ao mesmo tempo, um conjunto de crônicas sobre esta mulher incrível que, fosse o mundo justo, escreveria tão bem quanto Pelé atua.

Acontece que o mundo não é justo – neste caso: ainda bem." Antonio Prata.

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