27 de mai. de 2016

Resenha: O Leitor do Trem das 6h27


O leitor do trem das 6h27
Jean-Paul Didierlaurent
Intrinseca, 2015

Sinopse:

Operário discreto de uma usina que destrói encalhe de livros, Guylain Vignolles é um solteiro na casa dos trinta anos que leva uma vida monótona e solitária. Todos os dias, esse amante das palavras salva algumas páginas dos dentes de metal da ameaçadora máquina que opera.
A cada trajeto até o trabalho, ele lê no trem das 6h27 os trechos que escaparam do triturador na véspera. Um dia, Guylain encontra textos de um misterioso desconhecido que vão fazê-lo buscar cores diferentes para seu mundo e escrever uma nova história para sua vida.
Com delicadeza e comicidade, Didierlaurent revela um universo singular, pleno de amor e poesia, em que os personagens mais banais são seres extraordinários e a literatura remedia a monotonia cotidiana.


Guylain Vignolles é solteiro, tem por volta de 30 anos, é solitário e trabalha numa empresa que lhe causa nojo e tristeza.
Todos os dias, no trem, a caminho e na volta do trabalho, ele lê, em voz alta, uma página solta de um livro qualquer para todos os passageiros. Na verdade, ele não faz isso para eles, mas sim para si próprio, entretanto, vários trabalhos são fãs das leituras diárias.
A vida de Guylain é bem triste, solitária e não possui aspirações, surpresas ou emoções. Até que ele encontra um pen drive que pode levá-lo a uma busca e transformar seu modo de ver o mundo.
Quando terminei de ler o livro, estava extremamente emocionada. Se for pra descrever a história, o adjetivo adequado é encantadora.
A narrativa é triste em boa parte do livro, é impossível não sentir a dor do protagonista e ser tocada por ela. Porém, o autor escreve maravilhosamente bem, de um modo que prende o leitor, com frases líricas, descrições precisas, uma escrita bem poética e muito sentimento em cada palavra.
Os outros personagens da história são secundários, mas contribuem para a construção do universo da personagem principal.
Minha crítica ao livro é que eu acho que algumas partes poderiam ter sido desenvolvidas com mais profundidade. Embora a história do livro seja curta, tem hora que senti que algumas coisas ficaram mal resolvidas.

Meu balanço final é: se você gosta de livros que desperte emoções, esse com certeza vale a leitura. Esse livro chegou até mim através de uma indicação e posso confirmar que as expectativas foram atingidas.

18 de mai. de 2016

Resenha: Que ninguém nos ouça

Que ninguém nos ouça
Leila Ferreira
Cris Guerra
Planeta, 2016

Sinopse:
“Doçura, inteligência, graça, suavidade – lembra? Também imaginei que estivessem em extinção, mas descobri que seguem vivas nas páginas de Que ninguém nos ouça. Não que seja uma literatura para mocinhas inocentes: o assunto muitas vezes é barra. Nem Leila, nem Cris saltaram de um conto de fadas. Porém, mesmo quando confidenciam a parte trash de suas trajetórias, a delicadeza continua mantendo o tom. Amargas? Nem que quisessem. Nem que tentassem. É o único talento que elas não têm.

Duas mulheres incomuns e com experiências singulares: só pelo voyeurismo consentido, já valeria dar uma espiada nessa troca de e-mails entre as duas. Porém, basta abrir a primeira página para perdermos a ilusão de que teremos algum controle sobre a leitura. É a Leila e a Cris que seguram o leitor nas mãos: fisgado e rendido, ele ficará preso até a última linha, quando então retornará à vida acreditando novamente na espécie humana.” MARTHA MEDEIROS

Você vai entender rápido o que é a leitura de Que ninguém nos ouça: sabe aquele papo gostoso e sincero entre duas melhores amigas? Então, é isso aí!

Cris Guerra, uma fã de Leila Ferreira, entrou em contato com a escritora e jornalista para mostrar seu livro e daí nasceu uma amizade "a distância" muito especial. O livro apresenta ao leitor a troca de emails entre as duas mulheres de gerações e histórias diferentes, mas com sentimentos, arrependimentos e medos em comum. Durante essa troca de mensagens, a distância física se torna insignificante e as duas encontram apoio para refletir e enfrentar seus próprios desafios. 

"Para esvaziar a alma do que nela não cabe"

Enquanto Cris carrega consigo a dor da perda prematura e repentina do marido, pai de seu filho Francisco, Leila lamenta não ter tido filhos. Resgatando memórias da infância e vivências recentes, as duas vão nos dando muito material para refletir. E tudo de maneira gostosa, delicada e repleta de carinho. É uma delícia acompanhar esse bate papo virtual que passa por perdas, amores, sexo, casamento, redes sociais, solidão, envelhecimento e sobretudo, pela crença no amor!

É uma leitura que vale a pena não apenas pelo tema das conversas, mas pela escrita maravilhosa da Cris e da Leila. Exemplo de quem se sente a vontade com a as palavras e as usa da forma mais envolvente e cativante possível!

                                            "Amar com medo é rezar sem fé"


Foto: Fernando Martins extraída de www.soubh.com.br
"E cá estou eu, sem faltar nenhum pedaço"


Foto: Fernando Martins, extraída de www.odia.ig.com.br
           "Eu tinha sempre os olhos na janela em busca de alguém. Quem sabe,                   voltando os olhos para mim mesma, alguém espia pela janela e me acha"

11 de mai. de 2016

Resenha: Na Estrada Jellicoe



Na Estrada Jellicoe
Melina Marchetta
Seguinte, 2016

Sinopse:
A pequena cidade de Jellicoe, na Austrália, vive uma guerra territorial travada entre três grupos: os estudantes do internato, os adolescentes da cidade e os alunos de uma escola militar que acampa na região uma vez por ano. Taylor é líder de um dos dormitórios do internato e foi escolhida para representar seus colegas nessa disputa.
Mas a garota não precisa apenas liderar negociações: ela vai ter que enfrentar seu passado misterioso e criar coragem para finalmente tentar compreender por que foi abandonada pela mãe na estrada Jellicoe quando era criança. Hannah, a única adulta em quem Taylor confia e que poderia ajudar, desaparece repentinamente — e a pista sobre seu paradeiro é um manuscrito que narra a história de cinco crianças que viveram em Jellicoe dezoito anos atrás…

O lançamento da Seguinte me fez sentir muitas coisas. Confesso que até a página 50 eu estava super confusa com a história e estava difícil da leitura fluir. Entretanto, quando a história começou a se explicar, li as 250 páginas que sobravam em um dia!

A história é sobre Taylor, uma menina que foi abandonada pela mãe quando era bem mais nova, foi resgatada por Hannah, hoje vive na Escola Jellicoe e é líder de umas casas de lá.
Todo ano, a escola passa por uma guerra territorial entre os estudantes, os cadetes e os citadinos. E, dessa vez, Taylor foi escolhida para liderar seus colegas nas disputas. Durante essa guerra, algumas coisas do seu passado vão começar a se esclarecer e, a cada página, o leitor vai ter uma nova revelação da história.

Na quarta capa desse livro está escrito “uma trama em que nada é o que parece”, e é exatamente isso que descreve a narrativa de Melina Marchetta.
O início do livro é um pouco travado, já que o leitor ainda não conhece o estilo da autora e os acontecimentos da história ainda não foram explicados. Quando as peças começam a se encaixar, é impossível parar de ler até todos as perguntas da protagonista serem respondidas. Amor, suspense, raiva, dúvidas, mistério e aventuras são só alguns dos sentimentos pelos quais os leitores vão passar.

O que não me agradou é que, nos primeiros capítulos, as guerras territoriais aparentam ser o foco da obra, mas, quando eu terminei de ler, tive a impressão que essas disputas nem precisam existir para o objetivo final do livro. Ou seja, Embora as cenas sejam ótimas, divertidas e bem escritas, me pareceu que vários delas foram desnecessárias para o livro como um todo.

Antes de saber do que se tratava, o que me atraiu até esse livro foi a capa maravilhosa que a editora confeccionou. Achei incrível, original e tem tudo a ver com texto.

Meu conselho é ler esse livro com a mente bem aberta e estar preparado para se sentir um pouco perdido no começo. É uma obra juvenil com um final que vale a pena.