28 de dez. de 2016

Resenha: 9º Julgamento

9º Julgamento
James Patterson
Arqueiro, 2014

SINOPSE:
Um maníaco impiedoso. Uma jovem mãe e seu bebê são cruelmente mortos dentro do estacionamento de um shopping. Sem testemunhas ou indícios da identidade do assassino, só resta à sargento Lindsay Boxer e ao seu parceiro, Rich Conklin, uma única pista: três letras escritas com batom vermelho no para-brisa do carro das vítimas.
Um assalto sangrento. Em outro canto da cidade, a esposa de um astro de cinema é acordada por um ladrão que está fugindo com milhões de dólares em joias e pedras preciosas. Antes de conseguir chamar a polícia, ela é friamente assassinada e São Francisco fica em estado de histeria.
A morte está próxima. Lindsay é convocada para o novo caso e tenta conciliar as duas investigações e o noivado com Joe Molinari, sempre afetado por seu relacionamento íntimo com Conklin. Em meio a toda a adrenalina, a sargento é obrigada a colocar a própria vida em risco para salvar a cidade antes que a lista de vítimas aumente.


Finalmente eu li último livro de James Patterson (em parceria com Maxine Paetro) da série Clube das Mulheres contra o crime que estava na minha estante esperando. Não foi por falta de interesse que essa leitura demorou e sim de tempo mesmo. Como já devem saber, eu adoro as histórias criadas por Patterson. Ele tem uma forma de escrever que eu gosto muito, com cenários e personagens bem construídos e narrados. 
Em 9º Julgamento ele deixou de lado o suspense de descobrirmos quem são os culpados e logo nos primeiros capítulos já nos apresenta o assassino cruel de mães e bebês e a ladra de jóias. São os dois casos que dividem a atenção da Tenente Lindsay Boxer nessa trama. 

Um maluco atira em uma mãe e seu bebê no estacionamento de um shopping, causando comoção geral, principalmente em Claire, a médica-legista amiga de Lindsay que é mãe de uma bebê em idade próxima a da criança cruelmente assassinada. 

Paralelo a esse caso, acompanhamos a ladra Hello Kitty que invade a casa dos ricos enquanto os donos oferecem jantares no andar de baixo. Ela entra e sai levando caras jóias sem nunca ser vista, mas dessa vez algo deu errado e acaba com a esposa de um astro de cinema assassinada. Mais uma vez aqui, Patterson não esconde os fatos do leitor. O mistério para os leitores é somente saber quando e como a polícia vai descobrir os verdadeiros culpados e se vai conseguir capturá-los. 

Essa "falta" do mistério em nada compromete a história e é até interessante para o leitor que acompanha a investigação da polícia e as ações dos culpados ao mesmo tempo. 

9º Julgamento é mais um livro de James Patterson que eu indico!

Aqui na Estante você pode encontrar a resenha dos outros livros da série Clube das Mulheres Contra o Crime e de outros livros do mesmo autor. É só seguir o link abaixo:






18 de dez. de 2016

Resenha: Amor verdadeiro

Amor verdadeiro
Jude Deveraux
Essência, 2016

SINOPSE:
Ambientado numa ilha paradisíaca e um dos romances mais cultuados de Jude Deveraux, best-seller americana que já vendeu mais de 60 milhões de exemplares pelo mundo, o livro conta a história de Alix Madsen. Quando ela está terminando a faculdade de arquitetura, Addy Kingsley, amiga de seus pais, morre. No testamento, a mulher estipula que a jovem tem direito a viver por um ano em sua encantadora casa do século XIX na ilha de Nantucket (Massachusetts), EUA. O relacionamento de tia Addy com a família Madsen é um mistério para Alix, mas ela aceita a oferta e, ao chegar na propriedade dos Kingsley, percebe que não é má ideia passar uma temporada ali. Além de o lugar ser um sonho para qualquer arquiteto, ela conviverá com o charmoso Jared Montgomery Kingsley, dono de um dos mais importantes escritórios de arquitetura do país e sobrinho-neto de Addy, portanto, herdeiro natural da casa. O que Alix não imaginava era que tia Addy tinha um propósito muito específico para ela quando a colocou naquele lugar: solucionar o desaparecimento de Valentina, uma das mulheres da família Kingsley, ocorrido cerca de dois séculos antes. Em meio ao verão na ilha, Alix e Jared serão obrigados a conviver, o que pode ser a chave para desvendar o tal mistério dos Kingsley.

Amor verdadeiro tinha tudo para ser mais um romance daqueles em que a mocinha encontra o homem dos sonhos, se apaixona e tem um final feliz. Mas essa história é bem diferente... Um mocinha, um homem perfeito e um fantasma apaixonado por 200 anos por uma mulher que desapareceu e se tornou o grande mistério da família! Ai sim a história se torna única!

Alix se muda por um ano para a cada da família Kingsley, seguindo os desejos manifestados no testamento de Addy Kingsley, uma senhora amiga da mãe de Alix. Chegando na cidade, ela encontra o famoso arquiteto Jared Montgomery, nas palavras dela "uma lenda viva da arquitetura". E tudo melhora quando ela descobre que ele é o dono da casa em que ficará hospedada. Alix vê ai uma chance de mostrar todo o seu talento para o grande Jared e aprender com ele. 

De cara a reação de Jared ao conhecer Alix não é das melhores e ele tenta fugir de qualquer contato com a jovem, mas seus planos não dão muito certo. Uma dívida com os pais de Alix o fazem mudar de ideia e ele não poderia imaginar como isso seria bom para ele.

Jared cresceu naquela casa e voltou para acompanhar os últimos dias da amada dia Addy. O que ele não contava era que a avó colocaria essa condição absurda no testamento. A tal "lenda viva da arquitetura" se despia de todo o glamour quando saia de New York e chegava a sua cidade natal Nantucket. Lá ele era somente Jared Kingsley, um homem simples, que ajudava a todos na cidade e vivia cercado pelos parentes e pelo fantasma de seu tatataravó (não sei quantos tatata vinham antes do avó kkk) Caleb, falecido em um trágico naufrágio 200 atrás. Caleb aparecia somente para os homens da família e foi presença marcante na infância de Jared que cresceu conversando com o falecido avó. A grande dor de Caleb era não saber o que aconteceu com sua amada Valentina quando ele não retornou de sua longa viagem. Era um mistério que a família não conseguiu resolver esse tempo todo e agora esperava-se que Alix o solucionasse. 
Amor verdadeiro é uma linda e bem construída história de amor que ultrapassou a vida. Com personagens bem definidos, diálogos gostosos e um cenário descrito na medida certa para o leitor. Impossível não se apaixonar pelos personagens... até pelo bonitão Comandante Caleb!

Com certeza, eu indico Amor verdadeiro não somente para os apreciadores de bons romances, mas para todos que gostam de uma história bem contada, daquelas que você fica imaginando como ficaria no cinema! 

Dica de leitura para o final de ano!

16 de nov. de 2016

Resenha: O órfão de Hitler

O órfão de Hitler
Paul Dowswell
2016, Editora Planeta

SINOPSE:
Polonês e órfão em seu país, que acaba de ser dominado pelos nazistas. Isso seria praticamente uma sentença de morte para qualquer um durante a Segunda Guerra Mundial, mas Piotr Bruck é salvo por ser filho de alemão e ter um tipo físico que o torna um modelo da superioridade germânica.
Acolhido pela família de um professor de ciência racial no Instituto Kaiser Wihelm de Antropologia, Hereditariedade e Eugenia, Piotr vai para Berlim e lá se torna Peter Bruck. É por meio de seu olhar que o leitor testemunha o fanatismo de jovens e velhos nazistas, sente o medo da delação e da prisão pelas menores críticas, se revolta com a crueldade exercida contra os povos derrotados, os dissidentes e os judeus.
Mas, em meio ao fanatismo, ao medo e à crueldade, ainda há pessoas que conseguem enxergar a tragédia que está acontecendo e reúnem coragem para ajudar os perseguidos. Nesse mundo construído sobre mortos, a decisão de manter a dignidade como ser humano transforma as pessoas em heróis. E esta é a decisão de Peter Bruck.

Livros e histórias sobre esse período vergonhoso da história da humanidade são sempre tristes e impactantes. São em momentos de leitura como a desse livro de Paul Dowswell que nos aproximamos do pensamento nazista e ficamos chocados com ações e posturas de famílias inteiras que seguiram as diretrizes de Hitler. O órfão de Hitler é uma história de ficção, mas baseada em fatos reais estudados pelo autor. 

Peter, nascido Piotr na Polônia, viu seus pais serem assassinados na Guerra e levado como órfão para uma instituição de crianças. De lá, foi levado para uma seleção racial, onde viram nele um exemplar da raça ariana. Encaminhado para uma família alemã em Berlim, Peter começa uma nova vida como alemão e começa já de início a sentir as diferenças e fortes preconceitos que os povos sofrem. 

" Proibida a entrada de poloneses, judeus e cães"
Placa em um estação de trem

Peter começa a estudar e a tentar se enquadrar ao máximo na rotina da família alemã, mas não consegue evitar de sentir-se estranho ao ver o fanatismo das irmãs adotivas, a adoração a Hitler como se fosse uma entidade religiosa e a repreensão a qualquer expressão de questionamento ou dúvida ao que é pregado na escola e na família. E esse sentimento vai crescendo cada vez mais...

Lendo essa história, eu me choquei diversas vezes com passagens que defino como repugnantes. A doutrina utilizada para formar os jovens, impregnada dos conceitos de superioridade e da proibição de relacionar com não puros (a inaceitável forma de sujar a raça e gerar seres inferiores). Termos usados para nomear os não alemães, pais e mães acreditando na normalidade do tratamento sub-humano dado aos judeus, crianças cantando versões de adoração a Hitler e até árvores de Natal orgulhosamente decoradas com suásticas brilhantes.

"Noite feliz, noite feliz,
Eis que o ar, vem cantar
Adolf Hitler ergueu o país
Ouçam bem o que Führer diz...

Olhando para os rostos compenetrados dos outros cantores, via que acreditavam naquilo no fundo de suas almas. De repente, ele se sentiu muito solitário. Quanto mais pensava naquilo, mais o incomodava.(...) Alguma coisa nele não podia aceitar a adoração inquestionável, essa perturbadora fé cega que tinham em Hitler e nos nazistas.

O que traz um pouco de alívio é quando Peter encontra alemães que se arriscaram para ajudar os perseguidos. É bom imaginar que dentro de toda aquela insanidade, haviam pessoas que mantiveram a clareza de pensamento e sua humanidade e correram severos riscos com suas atitudes. Como a história é relatada do ponto de vista de Peter, temos a oportunidade de conhecer lados diferentes da história. Durante a leitura, você fica apreensivo com as ações de Peter, com medo dele ser pego e das consequências de seus atos. Você torce por ele como se fosse algo real acontecendo agora.

Esse é o tipo de livro que precisamos ler de vez em quando para sempre nos lembrarmos do perigo da fé cega, da aceitação plena e do não questionamento. Eu indico O órfão de Hitler para todos.. aos que gostam de ler sobre o tema e também ao que não se interessam por ele, pois juntando ficção com situações históricas, o autor consegue nos passar a mensagem de uma forma mais fácil, mas sem perder seu impacto.